Técnico brasileiro relata provocações e bastidores da inédita conquista da República Dominicana

Técnico brasileiro relata provocações e bastidores da inédita conquista da República Dominicana

Bruno Voloch

27 de setembro de 2015 | 11h44

O brasileiro Wagner Pacheco escreveu seu nome na história do vôlei mundial. Pena que não tenha sido comandando a seleção brasileira.

Ele é apenas um entre vários profissionais espalhados pelo mundo afora.

Campeão mundial juvenil dirigindo a República Dominicana, primeiro título oficial do vôlei dominicano, Wagner concedeu entrevista ao blog.

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Uma semana após a inédita conquista, o técnico contou os bastidores do título, falou da rivalidade com o BRASIL e disse que não guarda mágoa do país.

A parceira com Marcos Kwiek dura quase uma década. Ele nas categorias de base e Kwiek na seleção adulta.

Wagner agradece a forma como foi recebido no país, elogia a estrutura e fala com convicção que a República Dominicana virou realidade no cenário internacional e hoje é respeitada mundialmente.

Desde quando você e o Marcos Kwiek, técnico da seleção adulta, trabalham juntos?

De 1999 até presente data, passando por Barueri, Mackenzie, Hebraica, Finasa e Pinheiros, até estarmos juntos na seleção da República Dominicana.

O que significa o inédito título de campeã mundial juvenil para o vôlei do país e você em especial?

Esse título mundial conquistado em Porto Rico é uma afirmação do trabalho que vem sendo desenvolvido e do respeito que foi se conquistando em campeonatos mundiais anteriores. A Sensação é fantástica. Um título inédito para o país que trouxe felicidade para os que fazem parte do projeto, como jogadoras, dirigentes e comissão técnica. Muito orgulho para o povo dominicano que incentiva e apoia a modalidade. É apenas frustrante não poder dividir essa conquista com minha mulher, meus pais, familiares e amigos, que estão no BRASIL acompanhando tudo de longe. Claro, que ser campeão no país de origem é o sonho de todo profissional do esporte, mas a República Dominicana me abriu as portas, me acolheu e deu a oportunidade de trabalhar para desenvolver o voleibol no país e hoje ser reconhecido mundialmente onde vamos jogar.

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Como um país que não tinha tradição no esporte pode alcançar um feito desses e ganhando das seleções mais tradicionais do mundo?

O feito foi alcançado pela aceitação de uma nova filosofia de trabalho. No lugar apenas da força, passamos a trabalhar técnica e fundamento. Essa campanha em Porto Rico foi de muita superação pois joguei o torneio todo com apenas uma levantadora porque a reserva se lesionou e não podia atuar.

Existe mágoa do BRASIL? Do vôlei brasileiro?

Não, nenhuma. Somente boas lembranças dos lugares que trabalhei e aprendi muito. Sempre fui respeitado e aceito pelos grupos. Só tenho a agradecer todos os clubes que trabalhei, as universidades e claro meu time master que me ajudou na formação como técnico.

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Até onde pode chegar essa geração campeã?

 

Essa geração pode ir longe. É muito nova. 3 jogadoras já fazem parte da seleção adulta. 5 jogadoras que foram campeãs em Porto Rico  vieram da categoria infantil e duas delas eram titulares. Então tenho certeza que vão chegar longe.

Como foi dentro de quadra a final contra o BRASIL?

O BRASIL teve 2 match points e não conseguiu finalizar a partida. Aí nos deram a chance que precisávamos. Foi um jogo muito disputado, com provocações de ambos os lados, mas o respeito foi mantido pelas jogadoras e treinadores.

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Existe algo curioso que possa ser relatado da campanha e dos bastidores da conquista?

Uma situação bacana foi no primeiro jogo contra o BRASIL quando as jogadoras da minha seleção começaram a nos questionar sobre as  palavras que as meninas do BRASIL falavam em quadra. Familiarizadas com certas palavras em português, afinal nossa comissão é toda brasileira, as nossas jogadoras começaram também a falar as mesmas palavras e expressões que as brasileiras usavam, como por exemplo, ‘chega aí’, ‘chupa’, ‘aqui não tem bloqueio’, ‘essa não passa’.

 

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