Técnico de Montes Claros pede respeito e rejeita rótulo de zebra

Técnico de Montes Claros pede respeito e rejeita rótulo de zebra

Bruno Voloch

16 Novembro 2015 | 16h28

Montes Claros é a grande sensação da Superliga.

O time mineiro lidera a competição, está invicto e derrotou dois dos favoritos ao título: Taubaté e Sesi.

O blog conversou com Marcelinho Ramos, técnico do time.

O treinador enalteceu o trabalho do grupo, elogiou o projeto, falou da força da torcida e disse que o objetivo principal ainda é disputar os playoffs.

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Realista, fala da importância do campeão olímpico, André Nascimento.

Marcelinho admite que se incomoda em ver Montes Claros sendo chamado de ‘zebra’ e pede respeito com clube.

Você considera Montes Claros a grande surpresa da Superliga?
‘Não. Trabalhamos sempre em busca da vitória, portanto não posso achar surpresa quando vencemos. O que falaria para o meus atletas ? Talvez para os outros possa ser e respeitamos, mas valorizamos o que fazemos no dia a dia aqui. Não acho que seja surpresa, talvez esteja sendo visto dessa forma em relação ao orçamento em comparação com as outras equipes e não como a equipe está jogando. Sabemos que fazemos parte de um grupo intermediário que busca vaga nos playoffs e vamos em busca disso.
Até onde esse time pode chegar?
‘Nosso primeiro objetivo é chegar aos playoffs. Conquistado isso vamos tentar a melhor colocação possível para um cruzamento equilibrado’.
Qual o principal mérito do seu time?
‘O conjunto. Isso foi pensado junto com direção desde o princípio. Mesclar atletas jovens sem oportunidades mas com potencial com atletas de experiência. Acreditando no crescimento de todos com o trabalho proposto’.
Você aprova o rótulo de zebra?
Incomoda e serve de incentivo. Incomoda porque acho que desvaloriza o trabalho que está sendo realizado. Hoje num campeonato tão igual (Sada, Sesi, Taubaté e Campinas acima das demais), o que faz a diferença é a tática coletiva. Não basear o jogo em individualidades.
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Por que um time com orçamento infinitamente inferior aos demais pode ser líder e ter derrubado dois grandes?
Montes Claros passa por um processo de transição e de resgate da credibilidade. Uma direção atuante que dá total condições de trabalho a comissão técnica e atletas. Melhoramos a estrutura e caminhamos para um projeto sólido e de continuidade.
Montes Claros pode ser mais respeitado a partir de agora?
Montes Claros foi campeão mineira e vice da Superliga e por si só já deveria ser respeitado. Uma cidade que respira voleibol. Maior média de público da Superliga e claro os resultados ajudam nesse contexto. Estamos trabalhando nisso. Temporada passada pode parecer pouco mas voltamos aos playoffs. Agora esperamos dar sequência nesse resultado e se possível melhorar. Mas sempre com os pés no chão sabendo da nossa realidade.
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Qual a importância do André Nascimento nesse processo e a sua mão de treinador?
O Canha (André) precisava de uma pré-temporada bem elaborada porque ficou de fora muito tempo. Ele está numa crescente e estamos bem felizes por ele. A tendência é que melhore. Tecnicamente não desaprendeu a jogar, mas a questão física para ele é fundamental, por isso sempre estamos monitorando o jogador. Meu compromisso é desafiar esse grupo diariamente com treinamentos sempre e objetivos claros para que todos tenham um entendimento do jogo como um todo e estejam preparados para todas situações. Grande desafio é a manutenção do desempenho que estamos tendo.