Thaísa e o reencontro com a torcida de Osasco: ‘Entrei e saí de cabeça erguida. Respeito e muito bem recebida’.

Thaísa e o reencontro com a torcida de Osasco: ‘Entrei e saí de cabeça erguida. Respeito e muito bem recebida’.

Bruno Voloch

13 Março 2018 | 09h16

Não foi fácil. Reencontrar Osasco nas quartas de final da Superliga e jogar diante da torcida foi mais um entre tantos testes que Thaísa está sendo submetida.

O blog conversou com a jogadora de Barueri, personagem principal do clássico paulista, afinal Thaísa vestiu por quase uma década a camisa de Osasco. Foi ídolo e hoje está do outro lado.

Nesse papo com o blog ela fala dos bastidores do jogo, revela mágoa, diz não ter saudade, agradece José Roberto Guimarães e da vitória pessoal.

Como você se sentiu voltando ao Liberatti e reencontrando Osasco?

Foi normal, afinal joguei muitos anos lá em Osasco. Estava bem tranquila. Algumas pessoas estavam preocupadas comigo, da minha ansiedade para esse jogo, mas honestamente o tempo que passei do lado de lá me deu experiência suficiente para passar por esse momento. E não dá para esquecer que fiz parte daquele clube e das conquistas do passado.

E a reação da torcida com você?

O que digo é que sempre dei meu máximo, defendi com unhas e dentes Osasco. 100%. Lutei por todos no clube, inclusive comissão técnica. Tenho minha consciência em paz . Entrei e saí de cabeça erguida. Muito bem recebida. Não poderia ser de outra forma. Não fui xingada pela torcida ou maltratada. Tudo aconteceu dentro do maior respeito.

A Thaísa tem saudade?

Saudade não. A forma como foi conduzida minha saída foi estranha. Me machucou e magoou muito. Falta de respeito com a atleta e ser humano Thaísa. Não entendi. Se as coisas não tivessem sido conduzidas assim, até sentiria. Mas a falta de respeito foi tão grande que tenho sim mágoa da comissão técnica e de parte dos coordenadores.

Você teve contato com a comissão técnica?

Eles não fizeram questão de falar comigo e isso não iria partir de mim.

E com as suas ex-companheiras? Como foi?

Nunca tive problemas com as meninas. Algumas não olharam na minha cara durante o jogo, mas era natural pelo clima criado e o peso dos playoffs. Depois da partida a gente se falou naturalmente. Não dava também para ter beijinhos e abraços, afinal ninguém gosta de perder e não tinha ambiente para isso. Gosto delas no geral e tenho carinho pela maioria.

E qual tem sido sua reação após as partidas? Você atuou os 4 sets normalmente.

Satisfação absurda. Eu sei o que sofri com comentários maldosos e negativos das pessoas. Achei estava inválida para o esporte e que não saltaria nunca mais. Respondi com fé, trabalho e cercada de pessoas que queriam me ajudar. Não posso acumular treinos e faço tudo com muita cautela. No meu terceiro jogo já estar saltando é muita evolução. Meu entrosamento com a Carli não é ainda o ideal mas vamos acertar a bola. Minha puxada está diferente.

Como tem sido trabalhar com o Zé Roberto novamente só que agora no clube?

Só posso agradecer o clube, patrocinador e o Zé Roberto fizeram por mim. Ele me estendeu a mão quando eu estava na merda. Quando você está por cima é fácil apoiar e ganhar tapinha nas costas. O que ele fez por mim não tem dinheiro no mundo que pague.