Thompson, levantadora dos Estados Unidos, revela: ‘Não tenho medo de nada. Sempre fui desafiada e no Rio não será diferente’.

Thompson, levantadora dos Estados Unidos, revela: ‘Não tenho medo de nada. Sempre fui desafiada e no Rio não será diferente’.

Bruno Voloch

23 de julho de 2015 | 12h32

Omaha, EUA.

Courtney Thompson vai chegar no Rio de Janeiro quebrando protocolo.

O blog conversou com a nova levantadora do time brasileiro. Jeito simples, a jogadora norte-americana falou por quase uma hora. A entrevista, concedida no lobby do hotel, foi marcada por momentos de descontração, recordação e muita simpatia.

Courtney está com 30 anos, é natural de Washington, tem passagens pelo vôlei da Polônia e chega do Volero Zurich, da Suíça, para o Rio de Janeiro, de Bernardinho.

Conquistou o título universitário pela Universidade de Washington em 2005, chamou atenção dos especialistas e desde 2007 faz parte da seleção adulta.

Como você se sente sendo contratada por um time brasileiro?

É um sonho poder jogar no Brasil. Sempre quis e finalmente consegui atingir meu objetivo. Sou apaixonada pelo vôlei brasileiro. Desde 2006 acompanho diretamente o masculino e sou fã de Giba e Ricardinho. Me lembro muito bem dos jogos do BRASIL na época.

China v USA - FIVB Women's World Championship Final

Pode explicar como aconteceu a transação?

Na verdade o contato foi feito com o Karch (Kiraly, técnico da seleção) . Ele e o Bernardinho conversaram e depois me passaram a situação. Disse que aceitaria e seria uma honra poder jogar no BRASIL.

O Kiraly interferiu na sua decisão?

Acho que sim. Os dois são muito estudiosos e estilos semelhantes.

O Bernardinho é um dos treinadores mais exigentes do mundo. Isso não te assusta? Não teme a pressão?

Eu não tenho medo de nada na minha vida. Sou movida a desafios. Se ele cobra muito ? Acho ótimo pois não tenho medo de pressão. Me sinto bem pressionada. Sempre fui desafiada na minha carreira e agora não será diferente.

USAsCourtneyThompsonsetstheMikasaforFolukeAkinradewo_FIVB_01

Você vai conviver diretamente com algumas jogadoras da seleção brasileira no clube. Pode ajudar no futuro a seleção dos Estados Unidos?

Pode ser interessante claro. Vou estar com algumas jogadoras da seleção e através do convívio vamos nos conhecendo melhor. São muito habilidosas, em especial a Gabi e a Natália.

Courtney. Como você sobrevive no esporte com apenas 1,70m de altura?

Tenho meus méritos ou você acha que não ? ( ri alto ). Sou pequena sim, mas isso me motiva cada vez mais para ser diferente. Não desisto de nada. Quer um exemplo ? Fui ao Pan de 2007 e depois cortada da Olimpíada de Pequim em 2008. Não desisti. Falei no meu íntimo que iria um dia jogar uma olimpíada. 4 anos depois estava em Londres realizando um dos meus sonhos, mas quero mais …

O que você deseja?

O ouro sim. Claro. Perdemos duas finais para o BRASIL e estava numa delas. Não costumo lamentar e sim aprender com as derrotas. Nossa hora está chegando. Quem diria que a gente ganharia o mundial ano passado ? E foi justamente contra o BRASIL, título que ainda falta ao vôlei brasileiro, portanto tudo tem sua hora e a nossa vai chegar.

thompso

Qual a diferença entre a Lang Ping e o Kiraly? Você trabalhou com ambos na seleção.

A Lang Ping tinha estilo diferente. Não gosto de fazer comparações mas nesse caso é inevitável. Ele é mais criterioso, estuda e não tem pressa. Tem metas. Vamos indo degrau por degrau e chegamos ao nosso objetivo. Você entra em quadra sabendo exatamente o que precisa fazer. Não muda a cara na derrota e mantém o discurso na vitória. É um aprendizado diário com ele. Cara incrível. Ganhou tudo que podia e não muda. Estamos muito bem de treinador. É um espelho para todas as jogadoras.

Quando você se apresenta ao Rio?

Ainda não sei. Se a gente se classificar já na Copa do Mundo no mês que vem no Japão, fico liberada. Mas se a vaga não vier, teremos um classificatório da Norceca e minha apresentação será mais tarde. A prioridade ainda é seleção.

Você está animada para viver no Rio?

Muito animada. Praia, adoro uma guitarra, esporte em geral, caminhada, montanhas. Quero me divertir muito no Rio. É uma cidade deslumbrante. Me lembro pouco pois como disse estive lá no Pan de 2007. Quis o destino que eu voltasse, não é maravilhoso ?

 

 

 

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: