Um tom acima em Barueri

Um tom acima em Barueri

Bruno Voloch

11 Fevereiro 2019 | 08h36

O tom é complexo. Pode ser profundo, pode ser ameno. O tom é dado por quem emite a opinião e obrigatoriamente definido por quem recebe e interpreta.

Ninguém ousa questionar a importância de José Roberto Guimarães para o vôlei brasileiro. Um ícone e único técnico tricampeão olímpico.

Um cara sempre exigente. Perfeccionista ao extremo.

Só que a ferida aberta na Olimpíada do Rio, quando a seleção caiu para a China nas quartas de final, ainda não cicatrizou. Marcas até hoje abertas e que ficaram ainda mais expostas com o fracasso do BRASIL no mundial do Japão em 2018.

As frustrantes derrotas e os recentes insucessos, que não apagam em nada o passado brilhante dele, mudaram, o jeito e a maneira de José Roberto Guimarães agir e enxergar as coisas.

O comportamento dele em Barueri tem chamado atenção e surpreendentemente não condiz em nada com a brilhante história no esporte. E que história.

Mudança essa claramente perceptível.

Ele anda impaciente, nervoso acima da média nos jogos e intolerante. Usando dois pesos e duas medidas, sendo condescendente quando lhe é conveniente.

José Roberto Guimarães, inexplicavelmente, tem passado do tom com algumas jogadoras como foi visto com Dani Lins, por exemplo, levantadora campeã olímpica.

Segundo o blog apurou o que se viu e principalmente se escutou em Osasco, quando o time perdeu por 3 a 0 na sexta-feira passada pela Superliga, não combina com a maneira dele trabalhar.

Dani Lins, segundo relatos, ficou visivelmente constrangida da maneira como teria sido tratada.

O técnico tem todo o direito de chamar atenção de sua atleta, ou melhor, de qualquer atleta. Mas existe um limite e inteligente do jeito que é, o treinador sabe que foi além.

Muito além.

Além do sério risco de perder o respeito do grupo, especialmente das mais experientes, há um questão básica que envolve a falta de critério, afinal José Roberto Guimarães não age assim com todas as jogadoras, pelo menos em público.

A educação é aquela construída na base do diálogo e das consequências das ações. Há dias mais difíceis, em que os combinados e as conversas não surtem efeito. No esporte também é assim.

Agressões verbais e opressão emocional não funcionam, geram angústia e fazem com que a atleta não renda por mais vivida que seja. Às vezes, gritamos, saímos um pouco do controle e não precisamos nos culpar, se for eventual, o que não tem sido o caso em Barueri.

É possível ser firme com respeito e ele sabe disso, afinal sempre fui um gentleman.

Uma conversa com linguagem apropriada para a jogadora, sem broncas, palavras duras ou críticas severas é sempre a melhor saída.