Valorizado e radicado na Europa, Daniel critica planejamento e cultura do imediatismo no BRASIL

Valorizado e radicado na Europa, Daniel critica planejamento e cultura do imediatismo no BRASIL

Bruno Voloch

22 de junho de 2020 | 10h30

O BRASIL, pelo menos por enquanto, não faz parte dos planos de Daniel Maciel, oposto de 32 anos que deixou o país em 2014 após defender Juiz de Fora e não voltou mais.

Sem residência fixa, é verdade.

Mas é assim que Daniel se sente feliz e o mais importante: valorizado.

A história não é tão incomum assim. Ele é mais um numa extensa lista de jogadores que buscam segurança profissional, algo que anda em falta por aqui.

Daniel fez sua opção. Fala de nacionalização e critica a cultura imediatista no BRASIL.

Desde 2014 você não joga mais no Brasil. Por que a opção?

Simples. Opção. Eu acho que a visibilidade na Europa é maior.

Foi algo planejado ou simplesmente aconteceu?

Sim, foi planejado, eu decidi voltar, gosto de morar na Europa, qualidade de vida e acho que além de um bom lugar para morar tem uma estrutura muito boa para o atleta se desenvolver. Também tem o fato de estar na vitrine do mercado europeu especialmente quando se joga as principais competições do continente.

Você se sente mais valorizado na Europa em especial?

A estrutura de ginásios, academias, moradia, suporte ao atleta na Europa, pelo menos nos clubes que passei por lá sempre foram muito profissionais e me valorizaram.

A gente tem acompanhado que tem sido cada vez mais comum atletas saírem e não voltarem mais. Egito, França, Estônia, República Tcheca, Emirados, Itália e Indonésia. 7 países na carreira. Algum lugar mais marcante?

Cada um deles tem sua importância no meu desenvolvimento. Para mim o ano na Itália foi muito especial, fizemos uma liga muito boa, inclusive entramos para a história chegando a final da Copa Itália A2 com um clube que ainda não havia alcançado tal feito. Foi um dos anos de maior desenvolvimento, muito responsabilidade por ter apenas 2 estrangeiros por equipe e o alto volume de jogos.

Você teve a oportunidade de se nacionalizar? O que acha desse procedimento tão comum hoje em dia?

Ainda não tive a oportunidade de me nacionalizar, acho válido, isso depende de cada atleta. Se o atleta não teve a possibilidade de representar o país dele e teve de representar outro país que valorizou o seu trabalho, qual problema?

Como vê a crise no vôlei nacional com tantas equipes perdendo projeto e muitos devedores?

Na minha opinião o que falta no BRASIL não só no vôlei mais no geral é planejamento. Ter um projeto de fato, longo prazo, não acredito em coisas feitas da noite para o dia. Você tem que construir um projeto e as pessoas envolvidas precisam estar realmente dentro de corpo e alma, não é uma coisa simples, mesmo com um bom planejamento muitos projetos dão errado. Isso faz parte da vida, mas eu acredito que um bom planejamento e uma boa gestão são fundamentais para que algo prospere. O BRASIL tem essa cultura do imediatismo, algo deu errado, vamos mudar tudo e não é assim que funciona.

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