Vinhedo aceita convite, anuncia fim da carreira na Polônia e atuará como empresário na Europa

Vinhedo aceita convite, anuncia fim da carreira na Polônia e atuará como empresário na Europa

Bruno Voloch

29 de janeiro de 2020 | 09h42

Raphael Vinhedo, levantador com passagem pela seleção brasileira e que defendeu os principais clubes do BRASIL, está encerrando sua carreira de atleta.

Aos 36 anos, ele vai atuar como empresário, convidado por Geraldo Maciel, uma das referências da atualidade na profissão.

Vinhedo mora na Polônia desde 2018 quando vestiu a camisa do Bydgoszcz. Essa temporada jogou no Jastrezebski Wegiel, contrato de 2 anos. Acabou vencido pelas dores no corpo e convencido pelo ex-procurador que seria a hora de mudar e passar a jogar em outra posição.

O blog conversou com ele.

Vinhedo explicou a opção pela mudança, dos novos desafios como empresário e a filosofia que pretende colocar em prática. O ex-jogador falou ainda das recordações dos mais de 20 anos de carreira e a vida na Europa.

Como surgiu a decisão de encerrar a carreira?

‘São 20 anos levando o corpo ao extremo, essa é a realidade de um atleta profissional e isso muitas vezes traz consequências. Nessa última temporada meu corpo estava me dizendo todos os dias ‘por favor pare’, eu não estava conseguindo render como eu desejava pois as dores nas costas só aumentavam. Eu tinha um belo contrato de 2 anos com uma grande equipe do voleibol mundial que é o JW. Eles sempre foram muito corretos comigo e o acordo foi ótimo para ambas as partes. Essa ideia de virar agente surgiu há uns 3 anos e ao longo desse período o Gegê (Geraldo Maciel) veio me preparando. Ele sempre brincava comigo que um dia íamos trabalhar juntos pois ele enxergava em mim potencial a ser desenvolvido e eu tenho ele como um grande exemplo, o caráter desse cara é algo admirável’.

Qual a melhor recordação que você leva dos mais de 20 anos dedicados ao esporte?

‘A melhor recordação sem dúvida foi ter tido Nalbert como companheiro de quarto logo após o ouro olímpico de 2004. Eu estava me desenvolvendo como atleta e pessoa e esse cara me ensinou muito. Isso é a minha maior medalha, ter tido pessoas maravilhosas ao meu redor que sempre me ajudaram muito. Voleibol é somente uma passagem e esse desenvolvimento pessoal levarei pra sempre’.

Ensinamentos. Algum arrependimento ou mágoa?

‘Gaste energia para solucionar problemas e não reclamando deles. A vida é uma tomada de decisão, desde quando levantamos até hora de dormir temos opções a serem escolhidas, ou seja, sua vida será reflexo das suas decisões. Seja dentro ou fora das quadras. Arrependimento não tenho, tomada de decisões errada fazem parte do amadurecimento’.

Por que você optou em morar na Europa?

‘Estratégia de carreira, entendo que morar na Polônia é o melhor para esse momento. Voleibol é minha vida e aqui o esporte é tratado com muito profissionalismo’.

Como de longe enxerga a crise na Superliga com vários clubes sofrendo com inadimplência?

‘Fico muito triste pois somos profissionais e dependemos disso para viver’.

E agora como será estar do outro lado trabalhando como empresário?

‘Será maravilhoso passar minha experiência e desenvolver pessoas. Tenho certeza que teremos sucesso, tudo foi muito planejado junto com Gegê e o Molina, e estou pronto para me dedicar de corpo e alma para nossos atletas. Vou estar próximo e ajudar na adaptação, existe uma enorme diferença de vida, mentalidade, treinos, jogos. Tudo é muito diferente e hoje os resultados precisam ser instantâneos, entender o perfil do atleta, conhecer de perto as ligas e os clubes para pode ajudar na rápida adaptação dos nossos jogadores e isso com certeza ajudará no final do processo que é o rendimento dentro da quadra’.

O que espera dessa nova etapa e qual será sua filosofia?

‘Sei que não será fácil, porém estou me juntando aos melhores. Muita humildade para aprender e muita dedicação para crescer, meu sucesso vai depender das minhas escolhas e a primeira já foi acertada. Só tenho que agradecer pela confiança na minha pessoa e agora é mostrar minha cara e retribuir com muito trabalho’.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.