Wallace: ‘Nunca senti nada parecido. Nível mil de dor. Não desejo para ninguém’.

Wallace: ‘Nunca senti nada parecido. Nível mil de dor. Não desejo para ninguém’.

Bruno Voloch

26 de agosto de 2015 | 08h54

O dia 3 de agosto de 2015 certamente não sairá mais da memória de Wallace, jogador da seleção brasileira.

No início do mês o atleta foi submetido a uma cirurgia de hérnia de disco.

3 semanas depois, Wallace conversou com o blog. Em depoimento sincero e emocionante, o jogador admitiu que chegou ao extremo. Disse que não conseguia dormir, vivia a base de injeções e que as dores eram insuportáveis.

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Ficou angustiado com a notícia de que teria que ser operado, mas confessa que acordou com a ‘melhor sensação da vida’.

Titular incontestável da seleção, peça fundamental no esquema tático de Bernardinho e nome certo na Olimpíada, Wallace avisa que está ‘novo e renovado’.

Quando você acha que poderá retornar aos treinos e jogar? O Cruzeiro conta com você para o mundial de clubes no fim de outubro?

É difícil falar em tempo exato de recuperação. É complicado. Não posso prever se vou demorar 1 mês ou 2 meses. Comecei a fisioterapia agora. É um processo lento, gradativo e sempre com a coluna estabilizada. Eu quero jogar o mundial de clubes e espero estar preparado, vou me esforçar muito, mas se achar que ainda é precipitado, não vou me arriscar e voltar  a estaca zero.

Quando que você sentiu que realmente haveria necessidade cirúrgica?

As dores começaram um pouco antes da fase final da Liga Mundial. Eram dores ainda suportáveis. Na ressonância não deu nada grave. Tratei, mas não conseguia saltar e muito menos jogar. Não tinha jeito. Eu operava ou operava. A hérnia estourou de uma vez só. O médico me informou que meu caso era cirúrgico e um pouco mais grave do que eles imaginavam. Não tive alternativa.

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Como foi conviver com essas dores? Você disse que foi ao limite.

Estava levando uma vida normal. Eu sentia uma dormência na coxa. Viajei para o nordeste para aproveitar a folga que tivemos e acabei antecipando meu retorno por causa das dores. Não aguentei. Não conseguia ficar em pé. Só deitado. As dores incomodavam demais. Nunca senti nada parecido na vida. Eu dormia sentado e inclinado, reto era impossível. Com as injeções fui melhorando e dormi melhor. Não desejo isso para ninguém. Nível mil de dor.

Você ficou com medo da cirurgia? Algum receio?

Sem dúvida. Cirurgia na coluna é sempre delicada. Os médicos me passaram muita confiança e graças a Deus deu tudo certo. O momento que eu soube que teria que operar fiquei assustado demais.  Quando acordei da operação foi a melhor sensação da minha vida. Não sentia mais a dor que tanto me incomodava.

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O Wallace é uma das maiores esperanças da seleção brasileira atualmente. O que esperar da Olimpíada e a pressão de jogar em casa?

Sem demagogia nenhuma eu terei que fazer por onde. Mostrar bom desempenho no clube e voltar para jogar na seleção. A responsabilidade é a mesma. Jogar em casa é pressão, mas aposto que vai dar tudo certo. Vão encontrar um Wallace novo, renovado e pronto para dar o meu máximo novamente.

 

 

 

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