A compra parcelada da Fazendinha

Estadão

06 de janeiro de 2010 | 20h45

MARCEL RIZZO

JORNAL DA TARDE

Até hoje os corintianos sonham com a construção de um estádio que comporte sua enorme torcida. Já existiram projetos megalomaníacos para 200 mil pessoas, por exemplo – foram pelo menos 14 maquetes, a maioria jogada no lixo por falta de dinheiro ou de terreno. O que poucos levam em conta é que o clube já tem sua casa: o Estádio Alfredo Schurig, conhecido popularmente como Fazendinha, comporta 18 mil pessoas e a previsão é que passe por reforma para receber jogos de menor porte em 2010. Desde 1926 o local abriga também a sede social do clube: piscinas, quadras, restaurantes e bares.

O terreno, às margens do Rio Tietê, foi comprado do Sírio – clube popular na década de 20 – na gestão do presidente Ernesto Cassano. O valor até hoje gera controvérsia e não há registro oficial da quantia paga. O que se sabe é que foi parcelado em dez anos. Depois foram necessários dois anos para uma reforma que deixasse o local “habitável”, com participação ativa do futuro presidente Alfredo Schurig – corintiano roxo, Schurig morava em Jacareí, cidade a 70 km da Capital, e tinha uma loja de parafusos na Rua Florêncio de Abreu. Ele assumiria em 1930 como o 15° mandatário.

No campo não havia sequer arquibancadas. Com a ajuda financeira de sócios mais abonados, em 1928 o Corinthians pôde inaugurar o estádio, então com capacidade para 2 mil pessoas. O empate por 2 a 2 contra o América carioca foi o primeiro jogo do Timão como mandante por ali.

Até hoje o Corinthians fez 469 partidas no estádio, com 347 vitórias, 60 empates e 62 derrotas. Foram 1322 gols a favor e 480 contra. A última vez que atuou lá foi na manhã de 3 de agosto de 2002, num amistoso contra o Brasiliense – venceu por 1 a 0, gol do volante Fabinho.

O clube tem hoje uma área de 158 mil metros quadrados. Não chega mais à beira do Tietê, pois no final dos anos 70 foi ali construída a segunda pista da Marginal. O projeto de reforma do estádio prevê capacidade para 20 mil pessoas, camarotes e estacionamento para shows.

As três casas

O primeiro local de jogo do Corinthians foi “o campo do Lenheiro”, no bairro do Bom Retiro, próximo à esquina da Rua José Paulino com a Rua Cônego Martins, onde o clube foi fundado. Não era um estádio, longe disso: um terreno baldio que ficava no fim da Rua dos Imigrantes (atual José Paulino), que pertencia a um vendedor de lenha, por isso o apelido do local. Os próprios jogadores corintianos precisavam retirar terra para deixar o campo praticável.

Em 1918, o Corinthians recebeu da prefeitura paulistana um terreno próximo ao Rio Tietê, no local onde hoje fica localizada a Ponte das Bandeiras. O terreno foi entregue ao clube por influência do jornalista Antônio Alcântara Machado, um dos primeiros intelectuais a se identificar com o time do povo. Ali foi a casa do Timão por nove anos, até a inauguração da Fazendinha – que foi chamada assim porque a primeira arquibancada do estádio lembrava as fachadas típicas das casas das fazendas existentes na cidade naquela época.

 

PRIMEIRO JOGO

CORINTHIANS 2 x 2 AMÉRICA-RJ

CORINTHIANS – Tuffy; Grané, Del Debbio, Nerino, Sebastião, Munhoz, Apparício, Neco, Rato, Guimarães e De Maria. Técnico: Angelo Rocco

AMÉRICA-RJ – Joel; Hildegardo, Lázaro, Hermógenes, Floriano, Walter, Gilberto, Oswaldo, Sobral (Mário Pinto), Mineiro e Celso

 GOLS – De Maria, aos 29 segundos, Sobral, aos 13, e De Maria, aos 24 minutos do primeiro tempo; Mineiro, aos 15 minutos do segundo tempo

JUIZ – João de Deus Candiota (RJ)

LOCAL – Parque São Jorge, São Paulo (SP), no dia 22 de julho de 1928

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