Grandes ídolos – Oreco

Estadão

25 Março 2010 | 13h53

SÃO PAULO – “Quando eu era criança queria tanto ser jogador que dormia com uma bola debaixo da cama.” Essa frase, contada pelo próprio Oreco, descrevia bem a paixão que ele tinha pelo futebol.

E se o destino foi cruel com ele – afinal, morreu com apenas 53 anos -, a maneira como se despediu do mundo reafirmou sua relação com a bola. Oreco morreu dentro de campo, disputando um jogo de veteranos do futebol brasileiro em Ituverava. Jornais da época relatam que Oreco colocou a mão no coração e gritou por socorro ao amigo Pedro Rocha antes de cair no chão, vítima de enfarte fulminante.

Este foi o ponto final na história daquele que é considerado por muitos o maior lateral-esquerdo da história do Brasil depois da lenda do Botafogo e da seleção brasileira, Nilton Santos. Convenhamos, não é pouco.

A carreira de Waldemar Rodrigues Martins foi das mais vitoriosas. Gaúcho, começou no futebol jogando em sua cidade natal, Santa Maria. Seu primeiro clube como profissional foi o Internacional, onde conquistou nada menos que o tetracampeonato estadual (1950-51-52-53).

Chegou ao Corinthians em 1957 e durante oito anos ganhou a torcida pela sua técnica e classe ao bater na bola. Aliava raça e força, sem usar da violência – qualidades que o levaram à seleção brasileira campeã em 1958, ainda que na reserva de Nilton Santos, na Suécia. Mas não fez nenhum jogo.

Atuou também no Millonarios, da Colômbia, e Toluca, do México. No início dos 70, já veterano, foi para os Estados Unidos, onde jogou pelo Tornado, de Dallas, até pendurar as chuteiras, com 43 anos. Pelo Corinthians, Oreco não conquistou títulos de peso, mas fez parte da equipe que ganhou a Taça dos Invictos em 1957.

Morreu aos 53 anos no dia 3 de abril de 1985. No funeral, seu caixão estava coberto com a bandeira do Corinthians e também do Millonarios.

Texto publicado no ‘Jornal da Tarde’ de 12/3/2010, em caderno especial

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