Jornalista britânico apaixonado pelo Corinthians se mudará para São Paulo

Estadão

08 de fevereiro de 2010 | 18h13

cavallini420 arquivo pessoal

POR BRUNO WINCKLER
JORNAL DA TARDE

SÃO PAULO – Em 14 de janeiro de 2000 o inglês Rob Cavallini, então diretor de mídia do Corinthian Casuals, viu pela primeira vez uma partida do xará paulista do seu time na Inglaterra. Pela tevê, em Londres, acompanhou atentamente o Corinthians erguer a taça de campeão do Mundial de Clubes da Fifa, superando o Vasco no Maracanã. Renascia ali sua paixão e uma motivação louca pelo Corinthians.

Dez anos depois daquela conquista, Cavallini, jornalista de 33 anos com alguns livros lançados sobre a história do Corinthians inglês (disponíveis no site www.dognduck.net), virá para São Paulo para uma aventura em solo brasileiro: viver cada instante do centenário do Corinthians Paulista e reportar em um livro todas as emoções de um estrangeiro sobre “o mais popular dos clubes do Brasil”, em suas próprias palavras. “Será um livro sobre o Corinthians, seus torcedores e essa paixão (louca) que toma conta dos corintianos”, resumiu.

“Quero estar em todos os jogos do Paulista, Brasileiro e principalmente da Libertadores”, planeja Cavallini, que já esteve nove vezes no País. Na primeira, em 2001, assistiu à final do Paulista contra o Botafogo de Ribeirão Preto. “Naquele momento tive a convicção de que seria torcedor do Timão”, disse o jornalista, já familiarizado com o apelido do clube e com seus altos e baixos em campo.

“Esse time é uma montanha russa. Entre 2000 e 2009, fomos campeões do mundo, do Brasil e rebaixados. Uma loucura! Já vivi de tudo com o Corinthians, coisas boas e ruins também, mas nunca chatas ou sem emoção. Até em estádio vazio já estive.”

Em junho de 2005, o JT noticiou uma de suas visitas ao Brasil. Cavallini estava no estádio naquela derrota por 1 a 0 para o Fluminense, em Mogi-Mirim (SP), pelo Brasileiro. A partida foi realizada com portões fechados. Mas o inglês furou o bloqueio e entrou. “Estava praticamente sozinho. Lembro da dificuldade que tive para arranjar uma permissão temporária de jornalista porque não estavam vendendo ingressos”, disse, orgulhoso, nem um pouco incomodado com a carteirada.

Já durante essa visita ele amadurecia o desejo de escrever um livro sobre o centenário, só não imaginava que sua dedicação ao clube paulista o colocaria no caminho de outra paixão, sua futura mulher, Thelma, outra corintiana, com quem se casou em maio de 2006.

“Ela não poderia ter me apresentado para sua família se eu torcesse para outro time. No dia do meu casamento, por exemplo, o meu cunhado me disse que se o nosso filho fosse palmeirense ele me mataria.” Exageros à parte, o casal ainda não tem herdeiros. “Se meu filho torcer para outro clube vou ter de adotar um que já seja corintiano”, brincou.

Sua dedicação é total ao Corinthians. “Ainda bem que minha mulher é compreensiva. Acho até que abuso. Já fui com ela para Maringá, Belo Horizonte, Rio, Goiânia, sempre atrás dos jogos do Corinthians”, conta.

Em sua mais recente visita ao Brasil, em junho, o inglês conheceu o presidente Andres Sanchez no aeroporto de Goiânia. Foi depois do empate em 0 a 0 com o Goiás.

 “Comecei a conversar com um cara do staff (Fernando Pereira, do departamento financeiro) que falava inglês. Daí ele me perguntou ‘Por que um inglês estava em Goiânia com a camisa do Timão?’ Eu disse a ele que trabalhava no Casuals. Ele comentou então de um livro sobre a equipe inglesa. Eu disse a ele: ‘muito prazer, sou o autor do livro’. Foi até engraçado. Depois disso fui apresentado ao Andres, com quem marquei uma reunião para agendar um amistoso das equipes em 2010. Tentei falar português com ele, mas tenho certeza que foi horrível”, brincou. Ele espera melhorar seu desempenho no idioma nesse ano que viverá no Brasil.

Cavallini comprou um apartamento em São Paulo, no bairro do Tatuapé, bem perto do Parque São Jorge. “E onde mais poderia ser?”

Texto publicado no ‘Jornal da Tarde’ de 18/12/2009, em caderno especial

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