O campeão dos centenários

Estadão

19 de março de 2010 | 12h08

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O Corinthians já havia ganho o Campeonato Paulista de 1922, o da Independência do Brasil, e levou o dos 400 anos da cidade

SÃO PAULO – A decisão foi apenas em fevereiro de 1955, mas o título do Paulista de 1954, ano do quarto centenário de São Paulo, foi especial para o Corinthians por alguns motivos. Primeiro, por causa de toda a pompa que envolveu o torneio, pelo fato de ser um aniversário especial da cidade. Como o time alvinegro também havia vencido o Paulista de 1922, ano do centenário da Independência, o clube ficou conhecido como “Campeão dos Centenários”. Só isso já fazia a rapaziada correr alucinada pelo caneco.

Segundo, porque foi em cima do Palmeiras, na época já elevado ao posto de principal rival. A animosidade entre as equipes era intensa e sempre eram disputados duelos quentes. Se o time alvinegro perdesse… Bem, não é difícil saber o que aconteceria se perdesse… O terceiro motivo foi desagradável, mas ecoou por muito tempo. Após a conquista do título de 1954, o Corinthians amargou sua maior fila: 23 anos sem ganhar nada importante. E tudo começou naquele 6 de fevereiro de 1955.

O Campeonato Paulista, na época, era disputado em pontos corridos. O time alvinegro entrou em campo precisando do empate para levantar a taça. Ao Palmeiras só restava ganhar o jogo e depois, na última rodada, secar o inimigo no duelo com o São Paulo.

Logo no comecinho da partida a massa foi ao delírio. Luizinho, o Pequeno Polegar, fez um gol. O Palmeiras jogava de azul, uma homenagem à seleção italiana (há quem diga que foi por “ordem” de um pai de santo), e sucumbia ao melhor futebol apresentado pelo Corinthians. Nei ainda empatou, mas o time alviverde não passou disso. A volta olímpica foi festejada como se os jogadores e a torcida soubessem que a próxima só viria em 1977, diante da Ponte. Mas essa é outra história.

Comandados por Oswaldo Brandão, os destaques da equipe campeã eram Cláudio, Luizinho e Baltazar. Outros craques faziam parte daquele esquadrão, como Simão, Idário, Homero e o goleiro Gilmar. Não é à toa que o elenco de 1954 é considerado um dos melhores da história do Corinthians. Aquela taça, hoje exposta no memorial do clube, é uma das mais bonitas da
coleção corintiana.

Texto publicado no ‘Jornal da Tarde’ de 12/3/2010, em caderno especial

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