Grandes ídolos – Zé Maria

Estadão

18 Janeiro 2010 | 19h38

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SÃO PAULO – A infância na roça e a forte influência do pai, um ex-jogador de futebol, forjaram aquele que se tornaria o maior lateral-direito da história do Corinthians. José Maria Rodrigues Alves, o Zé Maria, começou a jogar bola quando criança numa fazenda perto de Botucatu, interior de São Paulo. “Lá em casa era mais ou menos assim: no Natal, eu e mais dois irmãos, os três mais velhos, ganhávamos uma bola de presente do pai. Os outros três, mais novos, ganhavam carrinhos.”

E assim o segundo filho mais velho de Durvalino, corintiano fanático que insistia para que os rebentos fossem alvinegros, começou a se destacar nos torneios mirins e infantis e num campeonato chamado Bamba dos Bairros. Nessa época, começo dos anos 60, suas virtudes já eram aquelas que iriam torná-lo tão adorado pelos corintianos: o fôlego interminável, a entrega em campo e a raça, apesar do físico franzino. “Eu jogava bola e estudava. Isso (o estudo)meu pai nos cobrava muito.”

Zé Maria estreou no futebol jogando pela Ferroviária de Botucatu. Jamais esquecerá de seu primeiro jogo como profissional, em 1966, contra o Nacional. Foi uma experiência traumática para um jogador de 21 anos marcar, pelo lado direito da defesa, ninguém menos do que Canhoteiro. “Eu era magrinho, carequinha, e tomei um vareio do Canhoteiro, que estava em fim de carreira no Nacional, mas era o Canhoteiro. Perdemos de 5 a 1 e pensei que não jogaria nunca mais.”

Livre de Canhoteiro, Zé Maria se destacou naquela temporada e assinou um contrato com a Portuguesa, em que ficou por três anos antes de, enfim, defender seu clube de coração, para a imensa alegria de Durvalino. “Prometi que conquistaria pelo menos um título para ele.”

Zé Maria fez muito mais do que isso. Títulos, ganhou quatro: os Paulistas de 1977, 79, 82 e 83. Tornou-se o quarto maior jogador da história do clube em número de jogos. Virou ídolo da Fiel e um jogador respeitado por torcidas rivais. “Minha despedida foi num Corinthians e Palmeiras, em 83. Não joguei, apenas dei uma volta olímpica. O Morumbi inteiro me aplaudiu. Nunca esqueci disso”, conta, emocionado.

Nos 13 anos de Corinthians, ele deu fama ao apelido que, na verdade, ganhou na Lusa: Super Zé. “Isso foi coisa do Walter Abrahão (radialista). Depois vieram Cavalo de Aço e Muralha”, relembra. “Chegava junto mesmo, parava a jogada com o corpo. O Caju (Paulo César, colunista do JT) sempre dizia: trombar com o Zé não é brincadeira.” Aos 60 anos, com três filhos, Zé Maria, que trabalha com jovens da Fundação Casa, vive numa casa na Zona Norte e ainda assiste aos jogos do Corinthians no Pacaembu.

Texto publicado no ‘Jornal da Tarde’ de 18/12/2009, em caderno especial

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