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Corinthians, campeão da superação

Cesar Sacheto

16 Novembro 2017 | 14h30

O Corinthians deve ser parabenizado pelo heptacampeonato brasileiro. Fez uma campanha fantástica no primeiro turno, que possibilitou à equipe comandada pelo surpreendente Fábio Carille suportar uma forte oscilação na segunda parte do torneio. O time mostrou, na virada por 3 a 1 diante do Fluminense, a força do campeão.

Jogando um futebol simples, pragmático, o Corinthians foi vencendo times considerados melhores, superando a desconfiança de críticos e da própria torcida. Primeiro, pensava-se que brigaria para não ser rebaixada. Depois, acreditava-se que a boa fase acabaria pelo desgaste dos poucos bons jogadores e a falta de peças de reposição. Nada disso parou o Corinthians, que ainda encarou praticamente uma final contra o rival Palmeiras em um momento delicadíssimo no campeonato.

Aliás, o torneio de pontos corridos foi importante para sacramentar a temporada corintiana. Afinal, o time havia vencido o Paulistão – fazendo uma final com a Ponte Preta exatos 40 anos após o título histórico de 1977 – com uma campanha que não havia sido a melhor na primeira fase. Para evitar contestações, ganha uma competição que premia quem faz mais pontos – sem deixar de ser emocionante. Simples assim.

No entanto, o ano vitorioso do clube alvinegro – que saltou de “quarta força” estadual para conquistar as taças paulista e nacional – não deve esconder o trabalho duvidoso da diretoria corintiana. O presidente Roberto de Andrade enveredou pela via da piada fácil, após o dérbi que virou a história do campeonato, ao dizer que o rival Palmeiras “gastou 100 milhões e não ganhou nada”. Verdade, mas o planejamento feito no Corinthians foi horroroso. Deu certo, não por competência dele ou de seus diretores.

Não nos esqueçamos que o mandatário vendeu dezenas de jogadores, trocou de técnico pelo menos três vezes (Tite saiu, veio Cristóvão Borges, depois Carille efetivado e Oswaldo de Oliveira) na temporada passada e só manteve Carille porque não teve propostas recusadas por outros treinadores procurados. Até o atacante Jô, que pode se tornar o primeiro artilheiro corintiano na história do Brasileirão desde 1971, chegou ao clube por falta de opções – sem contar a piada que foi a “negociação” com o marfinense Didier Drogba.

A expectativa passe pelo período eleitoral que se aproxima – o pleito está marcado para o próximo dia 3 de fevereiro – sem grandes turbulências e aproveite o sucesso da temporada memorável de 2017 para retomar o caminho da boa gestão.

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