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E agora, Jô?

Cesar Sacheto

17 de setembro de 2017 | 20h37

O Corinthians venceu o Vasco por 1 a 0, neste domingo, no Itaquerão, em jogo da 24.ª rodada do Campeonato Brasileiro, quebrando uma sequência de três resultados negativos – duas derrotas no torneio nacional (Atlético-GO e Santos) e um empate, em casa, contra o Racing, da Artentina, pelas oitavas de final da Copa Sul-Americana.  A partida teve lances polêmicos. A arbitragem foi bastante questionada e, mais uma vez, me parece que com razão. Mas, pênaltis não marcados ou gols assinados com a mão à parte, gostaria de me ater à atitude – ou a falta dela – do atacante Jô.

Artilheiro do time, campeão paulista deste ano, de crédito renovado com torcedores e críticos, Jô disse após o apito final que não sentiu em qual parte do corpo dele a bola tocou antes de morrer no fundo das redes de Martín Silva, goleiro do Vasco, dando números finais ao confronto. Ele disse que “se jogou na bola” e, se o juiz deu o gol, está tudo certo. Foi uma declaração profundamente infeliz.  Ridícula mesmo.

Confesso que esperava muito mais de quem reconheceu que uma mudança no futebol passaria por postura diferente de seus colegas de profissão. Pior ainda, por alguém que foi beneficiado pelo fairplay de um adversário em um clássico importantíssimo – a semifinal do Paulistão deste ano. Aliás, não fosse a honestidade do zagueiro Rodrigo Caio, do São Paulo, Jô teria recebido um cartão amarelo e não jogaria a segunda partida da eliminatória paulista. Desta forma, não teria a oportunidade de marcar novamente pelo seu time no segundo jogo entre corintianos e são-paulinos.

Para quem possa pensar que me refiro aos pontos conquistados com o gol irregular marcado pelo Corinthians, não é essa a minha intenção. Não estou discutindo se o time A, B ou C foi prejudicado antes e “compensado” depois nesta ou em outra partida dentro de qualquer campeonato. Trata-se de valores: honestidade, sinceridade, credibilidade e outros que a gente, muitas vezes, deixa de lado quando discute futebol.

Rodrigo Caio está em péssima fase técnica, tem falhado em vários lances decisivos que atrapalharam o São Paulo nesta temporada, perdeu o lugar na seleção brasileira, foi criticado até por tricolores pela atitude que tomou – mesmo pelo ídolo e ex-técnico Rogério Ceni -, mas merece respeito. No caso de Jô, fica a frustração por notar que muitos desses caras que se tornam referência para milhões de crianças estão longe ser exemplos de caráter. Uma pena, pois nunca é somente futebol. É sempre muito mais.

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