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Involução

Cesar Sacheto

13 de março de 2017 | 11h35

A pancadaria que começou com os jogadores, envolveu as comissões técnicas e contaminou torcedores de Brasiliense e Gama, mostra o fundo do poço que vivemos, não somente no futebol. O esporte mais popular do País é um canal utilizado por grupos para liberar a agressividade e a frustração escondidos no fundo de cada um desses indivíduos. Em algumas oportunidades, os estádios parecem ser arenas romanas, onde as pessoas deixavam aflorar a crueldade para deleitar-se com o sangue dos gladiadores.

Vivi um pedacinho dos tempos da ditadura militar no Brasil e, quando criança, acreditava que a sociedade melhoraria no futuro, pois aqueles que nasciam teriam mais coração, seriam pessoas melhores. Parece que me enganei. O ser humano está involuindo nas últimas décadas. Basta acompanhar o noticiário para concluir a decadência moral e ética no planeta. Preconceito, intolerância e egoísmo dominam boa parte da população terrestre.

Bem, voltando ao episódio, o clássico brasiliense disputado no Estádio Valmir Campelo Bezerra, no Distrito Federal, deixou a sensação clara que o futebol não é mais um espetáculo, uma atração para desfrutarmos com as nossas famílias. Hoje, temos receio de vestir a camisa do time de coração e sair para um passeio. Muitos que se arriscam voltam para casa feridos. Ou nem voltam.

Para finalizar, ressalto que o tumulto teve origem em uma atitude violenta do atacante Nunes. O jogador deu uma cotovelada em um adversário e a confusão de alastrou. O mesmo Nunes que, em 2003, jogando pelo Santo André, imitou um porco na final da Copa São Paulo de Futebol Júnior. O jogo, disputado no Pacaembu, era contra o Palmeiras. A ‘brincadeira’ provocou uma onda de violência que também extrapolou o limite das quatro linhas. Naquele dia, torcedores enfrentaram a polícia e invadiram o gramado. Muitos se machucaram, alguns com gravidade. Jogadores, comissões técnicas e jornalistas tiveram que sair correndo para não apanhar.

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