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Menos é mais

Cesar Sacheto

12 de junho de 2017 | 10h55

Simplicidade é a palavra-chave para o bom caminho em qualquer atividade. Pelo menos, é o que penso. E no futebol, me parece que o ditado também pode ser aplicado. Afinal, apesar de todos os esquemas, estratégias e números, o que vale mesmo é colocar a bola na rede mais vezes que o adversário para vencer uma partida. Se fizer o mesmo número de gols (ou se ninguém fizer), o jogo termina empatado. Se marcar menos gols que o adversário, você perde. Óbvio, né?! Mas tem gente que não entende esse conceito.

O técnico Cuca parece ter aprendido – ou se lembrado – dessa lição no sábado passado e, assim, reconduziu o Palmeiras às  vitórias no Brasileirão, diante do Fluminense, por 3 a 1, em jogo disputado no Allianz Parque. Alguns jogadores se recuperaram individualmente, casos de Fernando Prass e Róger Guedes, e o treinador parou de inventar na escalação. Recolocou Zé Roberto na lateral-esquerda, Jean na lateral-direita, Felipe Melo na “volância” e, no mais, apenas substituiu quem não poderia jogar por lesão ou qualquer suspensão. Pronto! Vitória em casa e alívio. Precisa de muito?

Cuca, que é um excelente treinador e muito vitorioso, estava perdido na sua volta ao Palmeiras. Não sei se pelo momento do time, turbulências, mudanças no elenco. Ou se pela simples empáfia que paira na coletividade palmeirense após o título do ano passado e a abundância de dinheiro proporcionada pela patrocinadora do clube. O fato é que o elenco e a comissão técnica estavam fora do eixo há várias semanas. Na realidade, o time alviverde ainda não se encontrou nesta temporada. Talvez, após voltar ao básico, possa se equilibrar novamente e retomar o status de postulante ao título que estava deixando escapar.

Se tiver algum problema em se manter com os pés e a cabeça no chão, Cuca e os seus comandados podem assistir palestras de Fábio Carille, que sem alardes está fazendo do Corinthians um dos times mais fortes do Brasileirão. Neste domingo, a equipe alvinegra venceu mais um clássico – no Itaquerão, sobre o São Paulo, por 3 a 2 – e confirmou a liderança isolada da competição. O Corinthians tem impressionantes 88,9% de aproveitamento no torneio até aqui. Venceu cinco dos seis jogos que disputou – empatou somente na estreia, diante da Chapecoense.

O treinador corintiano está usando ensinamentos de Tite – de quem foi auxiliar – para recuperar jogadores dados como cartas fora do baralho e fazer um time apenas mediano se destacar em um campeonato tão competitivo. Nos últimos jogos, vimos o meia Marquinhos Gabriel voltar a jogar como antes, dar assistências e fazer a diferença nas vitórias contra o Vasco e o São Paulo. Nem as ausências de Rodriguinho e Fágner estão sendo tão sentidas. A equipe está superando as expectativas a cada jogo. E, mais importante, sem frescura ou invencionices. É o arroz com feijão bem temperado e com uma misturinha para dar sustância. Perfeito para a realidade financeira corintiana.

O Campeonato Brasileiro está apenas no começo e, claro, muita coisa pode – e deve – mudar. Mas quem realmente postula algo deve reagir imediatamente. Não acredito em estatísticas – e há muita gente despejando números e comparando o início deste ano com edições anteriores – mas entendo que a fase das “cabeçadas” já acabou. Palmeiras, Flamengo e Atlético Mineiro, considerados bichos papões, precisam confirmar em campo a superioridade que lhes foi atribuída por especialistas, jornalistas e torcedores. Com a volta da Libertadores e da Copa do Brasil, a tendência é que as equipes fiquem ainda mais divididas em relação aos seus objetivos e desgastadas.

Corinthians e Grêmio – que também luta nas outras duas competições – estão se destacando e podem abrir uma vantagem que será difícil de tirar mais adiante. O time alvinegro paulista ainda tem a Copa Sul-Americana. A diferença é que ambos sabem exatamente quem são. São grupos focados. Vai ser difícil batê-los. Quem tiver esse objetivo, terá que se esforçar muito.

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