Mais um técnico demitido desnesnecessariamente
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Mais um técnico demitido desnesnecessariamente

Cesar Sacheto

29 Maio 2017 | 11h34

O Internacional demitiu, neste fim de semana, o técnico Antônio Carlos Zago, após a derrota da equipe para o Paysandu, em Belém, na (apenas) terceira rodada da Série B do Campeonato Brasileiro. A atitude dos cartolas colorados mostra que os estaduais servem sim para alguma coisa: derrubar técnicos.

Duvido muito que, tivesse Zago ganho o Gauchão, teria sido defenestrado por um empate no Beira-Rio (contra o ABC) e uma derrota fora de casa. A falta de paciência com o trabalho do treinador tem mais a ver com a perda do título estadual para o modesto Novo Hamburgo – campeão pela primeira vez na história – do que com o receio de não subir para a Série A neste ano.

O Inter tem um time forte. Já eliminou o Corinthians da Copa do Brasil e deu um verdadeiro “suador” na primeira partida das oitavas de final diante do Palmeiras, no Allianz Parque. Perdeu por 1 a 0, mas tem todas as condições de vencer o segundo jogo e avançar na competição. A equipe está claramente bem arrumada e tem nomes que podem levar o clube ao bicampeonato da Copa do Brasil  – o colocado foi campeão em 1992.

Mas, como quase tudo no futebol se resolve com o fígado, bastou uma derrota para um time de menor expressão, a zoeira dos rivais e a impaciência com os resultados para a diretoria chutar o treinador.  E os nomes que surgem para substitui-lo não despertam suspiros. Tudo mais do mesmo.  A equipe vai se recuperar da mesma forma que faria com Zago.

Os números são bons – foram 14 vitórias em 30 jogos e 57,7% de aproveitamento – mas não gosto muito de me fiar na matemática, pois entendo que o futebol deve considerar mais do que a tecla fria da calculadora. O desempenho conta muito. E, por isso mesmo, defendo que Zago deveria continuar dirigindo o Internacional. O time estava bem. Pelo menos, nos jogos que vi.

O treinador divulgou uma carta de despedida do clube, neste domingo, na qual agradece à torcida, exalta o trabalho feito nesses seis meses à frente da comissão técnica colorada, os jogadores, mas que dá uma leve espinafrada na diretoria. “Uma pena, mas no Brasil alguém que tem que ser culpado”, disse. Neste caso, concordo com ele.

 

 

 

 

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