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Retrocesso

Cesar Sacheto

23 Fevereiro 2017 | 19h34

O discurso dos presidentes de Flamengo, Vasco e Fluminense sobre a decisão judicial que determina jogos com torcida única no Rio de Janeiro foi lastimável. Na tentativa de exaltar a festa nas arquibancadas, todos deram declarações que fortalecem o papel das organizadas no futebol.

A origem das uniformizadas foi desvirtuada nas últimas décadas. Aquelas imagens dos bandeirões, dos cânticos de incentivo, das caravanas, são apenas lembranças do passado. O sentimento de amor e devoção ao clube do coração que uniu essas pessoas foi substituído pelo desejo de integrar uma horda.

Hoje, muitos integrantes dessas agremiações buscam comparsas para extravasar a violência que está dentro deles. Sem falar na facilidade para consumir e/ou traficar drogas.

Diante disso, consideraria ingênuas as palavras dos senhores Eduardo Bandeira de Mello, Pedro Abad e Eurico Miranda não fossem eles presidentes de três dos maiores clubes do Brasil. Convenhamos, a fala dos cartolas chega a ser perigosa em um momento no qual pessoas estão morrendo nos arredores dos estádios de futebol.

Não quero ser contraditório, pois sempre defendi a presença das duas torcidas envolvidas no espetáculo, mas temo pela segurança das famílias que estarão no Raulino de Oliveira, em Volta Redonda, após a queda da liminar que determinava a entrada apenas de simpatizantes do clube mandante em jogos no Estado do Rio de Janeiro.