Autobeli sonha alto
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Autobeli sonha alto

Alessandro Lucchetti

13 de janeiro de 2014 | 20h07

A assessoria de imprensa Assessiva (bom nome para uma assessoria) nos informa que Altobeli Santos da Silva está próximo de assinar com a Arpa, associação de corrida de Rio Preto (o nome completo é Associação Rio-pretense Pró-Atletismo/Smel/Flex/Empório Natural). O portal do Estadão fez uma matéria sobre o Altobeli em julho, e aproveito o ensejo para republicá-la neste prestigioso espaço. O corredor que leva nome de atacante italiano dos bons foi o segundo melhor brasileiro na São Silvestre (atrás do Giovani dos Santos) e oitavo no geral.
Ex-entregador de panfletos se cansa de caminhar e vira fenômeno em corridas de rua

matéria de Alessandro Lucchetti (08/07/2013)

Altobeli Santos da Silva, obviamente, recebeu seu nome graças a uma homenagem a Alessandro Altobelli, um dos atacantes da seleção italiana que conquistou a Copa de 82. O que ninguém sabia – nem ele mesmo – é que o fundista de 23 anos é também um “matador”. No último domingo, Altobeli venceu a Meia Maratona da Cidade do Rio, com o tempo de 1h04min02. O corredor de Catanduva deu fim a um jejum de vitórias brasileiras na prova – a última havia sido conquistada em 2008. Os corredores africanos vêm dominando essa prova, assim como muitas outras do calendário nacional.

Altobeli é uma figura relativamente desconhecida no cenário do pedestrianismo. Seus tempos não eram nada impressionantes – quase 30 minutos nos 10 mil em pista e 1h07 na Meia Maratona. Há cerca de um mês, treina na equipe Pé de Vento, em Petrópolis – que já teve em suas fileiras Ronaldo da Costa, Luiz Antônio dos Santos, Franck Caldeira e Giovani dos Santos – e seus resultados melhoraram espantosamente.

Foi de uma necessidade premente que nasceu o interesse de Altobeli pelo atletismo. Ele distribuía folhetos de ofertas de supermercados de porta em porta. Em suas perambulações, viu uma faixa que anunciava que o prêmio de uma prova de 10km era uma moto. Sonhando com a possiblidade de entregar os folhetos motorizado, Altobeli se inscreveu prontamente. “Perguntei ao meu chefe se um cara que andava o dia todo teria preparo físico para vencer uma prova de 10km. Mesmo sem entender nada do assunto, ele disse que sim, e eu acreditei”.

O panfleteiro adulterou então a data de nascimento em seu RG, pois ainda não tinha completado 18 anos, a idade mínima para poder correr.

Obviamente, Altobeli, que nunca havia treinado na vida, não conseguiu vencer, mas também não fez feio. “O pessoal que ganhou ficou a uns 300m ou 400m à minha frente. Fui embora desanimado e procurei um bar para comprar um refrigerante. Lá um amigo meu me encontrou e falou que o meu nome estava sendo anunciado nos alto-falantes”.

Altobeli voltou ao local da prova, mas já haviam desmontado o palanque. Ele fazia jus a uma medalha como quinto melhor catanduvense – nada mau para um iniciante.

Quando foi buscar a medalha na prefeitura, dias depois, Altobeli encontrou um professor de educação física, Guilherme Salgado, disposto a treiná-lo. Sem saber, seus dias de panfleteiro estavam acabando. “Não aguentei treinar e depois andar o dia todo distribuindo papel”, diz Altobeli, que depois arrumou um emprego mais “leve” – no transporte de mudanças.

Depois de ver seus tempos estagnarem, Altobeli deixou Catanduva, e os resultados estão aparecendo. No final do mês passado, venceu a prova do Circuito da Longevidade Bradesco Seguros, em São José do Rio Preto. Bateu, sem grande dificuldade, o tanzaniano Nelson Priva Mbuya, que vinha fazendo estragos nas provas nacionais.

Espantado com o progresso de seu pupilo, Henrique Vianna, chefe da Pé de Vento, está empolgado. “Ele desponta, desde já, como uma das grandes esperanças do atletismo brasileiro para os Jogos de 2016”.

“Meus resultados estão melhorando de forma assustadora. Como ainda tem muito tempo até 2016, acho que posso sonhar, se não com uma medalha, pelo menos com classificação para a final dos 10.000m”, diz Altobeli.

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