Gesto simples, feito grandioso
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Gesto simples, feito grandioso

andreavelar

31 de dezembro de 2010 | 18h03

Os três tímidos dedos levantados ao cruzar a linha de chegada traduzem bem a personalidade de Marilson Gomes dos Santos, agora o brasileiro recordista de vitórias na São Silvestre. O gesto é simples, o feito grandioso. Marilson é assim mesmo. Depois de quatro anos de ausências, disse que só voltaria a competir pelas ruas de São Paulo se estivesse bem. Sobrou na prova, subiu ao lugar mais alto do pódio pela terceira vez na carreira e, de quebra, ainda superou a marca de José João da Silva, campeão em 1980 e 1985.

Avesso a badalação, as semanas que antecederam a principal prova do atletismo brasileiro foram de pura tranqüilidade. Treinos específicos, já que Marilson retorna da pra lá de desgastante e perturbadora Maratona de Nova York, e muito carinho com a família. Sua mulher Juliana, também corredora, está grávida de Miguel, o primeiro filho do casal.

“O Miguel ainda não pode ver uma vitória do pai, mas já chega dando sorte”, brincou o campeão.

Mesmo durante as longas entrevistas, Marilson manteve a calma e não se deixou levar pelo franco favoritismo. Chegou até a dizer que seus adversários estavam em melhores condições. Não era falsa modéstia. O próprio brasileiro dizia que competiria para ganhar e assim interromper a série de três anos da hegemonia queniana.

“Achava que seria uma corrida decidida só no fim, mas, para minha sorte, não foi assim”, resumiu o brasileiro, que sobrava já no 12.º quilômetro do percurso.

Novos desafios. Aos 33 anos, Marilson não precisava provar mais nada para ninguém. Além da São Silvestre de 2003, 2005 e agora 2010, ele já levou a Maratona de Nova York (2006 e 2008) e é o atual recordista sul-americano dos 5 mil metros (13min19s43), 10 mil (27min28s12) e da meia-maratona (59min33). Falta, no entanto, uma medalha olímpica.

Esse é o desafio do brasileiro que a partir de agora se concentra em Londres 2012. Antes ainda tem o Pan-Americano em 2011, que pode até atrapalhar mexer um pouco no calendário do atleta.

Nesta caminhada (ou corrida), certo mesmo será a simplicidade mesmo em feitos grandiosos. Tudo com muito carinho da família.

No feminino. Não foi desta vez que o Brasil bateu o domínio africano. A vitória ficou com a queniana, nova recordista da prova, Alice Timbilili. Mas emocionante mesmo foi ver a felicidade de Simone Alves da Silva, segunda colocada. Melhor do País, ela chutou para longe qualquer preconceito com a medalha de prata e, sem vergonha alguma, como tem que ser, comemorou muito a sua vitória.

“Vim para buscar ficar entre as cinco. Eu que já tinha tentado algumas vezes, tinha o sonho de subir no pódio da São Silvestre. Estou muito feliz de ser a melhor do País e a segunda no geral”, disse Simone.

Os cinco primeiros colocados da São Silvestre 2010:
1.º – Marilson Gomes dos Santos (Brasil), 44min07s
2.º – Barnabas Kosgei (Quênia), 44min49s
3.º – James Kipsang (Quênia), 45min15s
4.º – Giovani dos Santos (Brasil), 45min34s
5.º – Emmanuel Bett (Quênia), 45min41s

As cinco primeiras colocadas da São Silvestre 2010:
1.º – Alice J. Timbilili (Quênia), 50min19s42
2.º lugar – Simone Alves da Silva (Brasil), 50min25s
3.º lugar – Eunice J. Kirwa (Quênia), 51min42s
4.º lugar – Cruz Nonata da Silva (Brasil), 51min51s
5.º lugar – Diana Judith Landi Andrade (Equador), 52min35s

Veja também:
link Marilson Gomes dos Santos vence a São Silvestre
link Alice Timbilili vence a São Silvestre feminina
mais imagens GALERIA – Fotos da corrida em 2010

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