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Marilson sem medo do insucesso

andreavelar

31 de dezembro de 2010 | 01h57

ALESSANDRO LUCCHETTI

É praxe na São Silvestre o discurso humilde, em que se procura valorizar a importância do pódio. Trata-se de uma tática inteligente empregada pela grande maioria dos corredores brasileiros, que assim evitam a cobrança por um eventual insucesso.

Marilson Gomes dos Santos não compartilha desse hábito. Bicampeão da prova (em 2003 e 2005), ele faz questão de deixar claro que não voltou à Avenida Paulista, onde será dada a largada às 16h47, apenas para participar. Ausente das quatro últimas edições por variados motivos, o brasiliense retorna com apetite.

“Sempre tive vontade de participar da São Silvestre. É uma prova que eu gosto de correr. Fiquei fora nos últimos anos por lesões e por demorar para me recuperar da Maratona de Nova York”, afirma o corredor, referindo-se à corrida que venceu em 2006 e 2008 e é habitualmente disputada no início de novembro.

Pressionado por repórteres ansiosos para que confessasse que o verdadeiro motivo do seu retorno à prova é a pressão de patrocinadores, Marilson manteve-se firme. Seu treinador, Adauto Domingues, reforça os argumentos, citando o calendário.

A exposição da São Silvestre na mídia não é um benefício grande o suficiente a ponto de justificar o comprometimento de metas mais importantes. E o técnico estabelece grandes objetivos. Tanto que até mesmo a Maratona de Nova York foi relegada a segundo plano para 2011.

No segundo semestre do próximo ano, Marilson deverá correr uma maratona que propicie a obtenção de uma marca histórica. Está no alvo a superação do tempo de outro vencedor da São Silvestre, Ronaldo da Costa, que fez a melhor marca do mundo na Maratona de Berlim de 98 (2h06min05). Trata-se do melhor tempo de um sul-americano na história.

“Quero que o Marilson corra em algo como 2h05min50. É para ele ganhar confiança para a Maratona Olímpica”, afirma o treinador.

As elevadas ambições significam que é fichinha para Marilson a chamada pressão pela vitória na São Silvestre. “Outros atletas estariam se borrando de medo nesta entrevista coletiva se estivessem na situação do Marilson. Mas ele tira de letra. Por isso ele é diferenciado”, diz Adauto.

O sólido preparo mental e a confiança, por outro lado, não significam que Marilson dê a vitória hoje como favas contadas. Ainda mais porque terá um adversário que igualmente batalha pelo tricampeonato, o queniano James Kipsang Kwambai.

“É um atleta que deve ser respeitado pelas marcas em maratona, meia maratona e provas mais curtas. Tem outros africanos que também vão dar trabalho. A prova está aberta. Vai depender muito do dia, do clima e de quem vai se adaptar melhor. Mas sem dúvida o Kipsang é franco favorito”, assinala o fundista.

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