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Mudança de hábito: Como correr mais rápido e sem dor

andreavelar

12 de fevereiro de 2011 | 18h30

A dor está literalmente ligada ao corredor. A repetição do exercício físico em si, a contração muscular, o desgaste das articulações o estalar das juntas… Depois da corrida, não há banho frio que dê jeito. Dói mesmo! Não para o ultramaratonista norte-americano Ian Adamson, diretor de Pesquisa e Ensino da Newton Running, que no começo da semana intrigou atletas, celebridades e amantes do esporte na sua palestra Learn how to run faster, stronger, more efficiently, and with less injury, organizada pela Track&Field, no Shopping Iguatemi, em São Paulo.

Adamson, mestre em Medicina Desportiva e em Engenharia Biomênica, ex-atleta profissional de resultados expressivos (foi sete vezes campeão mundial em corridas de aventura e atleta master vencedor da Ultramaratona Badwater 2010), aposta em uma nem tão nova forma de corrida. O norte-americano é adepto da natural running, um nome todo pomposo para a corrida de como quando éramos crianças.

Como muitas das grandes idéias, a proposta é simples. Sua adaptação e execução, no entanto, podem levar anos. Adamson garante que correr tocando primeiro o antepé (e não o calcanhar) no solo proporciona uma corrida com menos pressão e impacto, logo, com menos dor. Além disso, essa forma acaba resultado em maior velocidade.

“Correr é muito bom por várias razões, mas é preciso proteger o seu corpo do impacto da pisada. Além do que o calcanhar é o freio do carro. Correr com o antepé ainda proporciona uma corrida mais veloz”, explicou Adamson. “Qualquer hábito pode ser difícil de mudar um dia. Um chute na bola, uma tacada no golfe e também o jeito de correr. Em oito quilômetros são cerca de 20 mil pisadas. Em um clube de golfe você não dá 20 mil tacadas”, brincou.

Novidades no mercado. Mas essa proposta vai justamente contra a evolução dos tênis de corrida. Hoje, também não sem pesquisa, as marcas forçam o primeiro contato com o calcanhar. Aí estaria o problema de um desequilíbrio do corpo. A pressão seria demasiada já que essa região do pé fica à frente do centro de força do corpo. Ou seja, o ideal seria correr com passadas curtas e aterrissando com o antepé.

Para minimizar dores e sucessivas lesões, Adamson então apresentou os diferenciais do tênis Newton, comercializado com exclusividade no Brasil pela Track&Field, por R$ 399. O tênis foi batizado assim por conta da terceira Lei de Newton, aquele repetida à exaustão nas aulas de Física do até outro dia Ensino Médio que dizia que “toda ação provoca uma reação de igual intensidade, mesma direção, porém sentido contrário”.

“Quando se corre descalço, a mecânica do movimento é mais homogênea em força e tempo”, disse o palestrante. “Já corremos da forma correta um dia, mas com o uso do calçado nossos pés começaram a deformar. O tênis Newton promove um choque menor com o chão em um período de tempo maior”.

O solado dos dois modelos de corrida natural existentes por aqui apresentam uma borracha de carbono de alto desgaste, com tração na pisada, que força o corredor a igualar calcanhar e antepé. É uma espécie de tamanco na ponta do pé que garante o efeito do equilíbrio. Aliado a essa tecnologia, cores vivas, acomodação ortopédica, malha PET, leveza garantida e propriedades anti-frissão e anti-bacteriana.

Livro. Nascido para correr – A experiência de descobrir uma nova vida trouxe luz à corrida natural em seu lançamento em 2009. O livro, editado pela Globo Livros aqui no Brasil, conta a incrível habilidade da tribo de índio Tarahumara que corre longas distâncias por remotos desfiladeiros mexicanos utilizando apenas sandálias de couro e jamais sente dor. O trabalho é resultado de uma intensa pesquisa de campo do autor Christopher Mcdougall queria descobrir porque ele próprio sentia tanta dor mesmo tendo utilizado os tênis mais caros do mundo.

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