Não seja um banana
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Não seja um banana

andreavelar

27 de novembro de 2010 | 20h37

Célio Jr./AE - 29/5/1998

Lá em 1997, no seu primeiro título de Roland Garros, Gustavo Kuerten, sozinho, inconscientemente, aumentou a venda de bananas no mundo. No intervalo dos games, Guga dava algumas vorazes mordidas na fruta com a intenção de se prevenir de um dos maiores pesadelos dos atletas: a cãibra.

Pois em um bate-papo com especialistas no Meeting Centauro de Medicina Esportiva, realizado quinta-feira, na loja do Shopping Cidade Jardim, em São Paulo, caiu o mito para muita gente. A banana, rica em potássio, em nada previne as contrações involuntárias dos músculos.

“Pensar que com potássio não existirá cãibra é um erro. Isso simplesmente não tem relação. A cãibra se deve muito mais ao estresse muscular e a desidratação. É uma resposta do músculo”, explicou Gustavo Magliocca, médico do esporte do alto rendimento do Pinheiros.

As causas dessas terríveis dores então estão ligadas a grandes perdas de sódio e líquidos. Uma baixa na quantidade ideal dos minerais presentes, sob tensão e movimento de corrida, por exemplo, podem causar a cãibra – que também em nada tem a ver com a produção de ácido lático, como escrito até em livros escolares.

“Sou fã número 1 do Guga, mas alguma coisa de errado ele fazia. Faltava preparo físico em suas partidas. Se ele tivesse mais tecnologia ao seu dispor, certamente teria mais tempo de carreira”, analisou Marcos Paulo Reis, preparador físico e ex-técnico da seleção brasileira de triathlon.

Não existe uma receita para prevenir as contrações, mas alguns cuidados são necessários. É preciso se acostumar a beber líquidos antes, durante e depois do exercício, tentar sempre repor seus níveis de sódio e, claro, descanso do músculo. Além disso, o acompanhamento especializado é fundamental.

“A gente vê jogadores de futebol fazendo errado quando sofrem de cãibra. Logo caem no campo e pedem para outro alongar. É errado. O ideal é primeiro relaxar o músculo, manter a calma e, só depois, pensar em exercício”, disse Mariana Klopfer, membro do laboratório de nutrição e metabolismo da EEFE – USP.

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