22ª edição da Maratúnel: retrato da superação de 8.100 corredores

22ª edição da Maratúnel: retrato da superação de 8.100 corredores

SILVIA HERRERA

25 de abril de 2016 | 06h00

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A 3km da linha de chegada, os rostos dos corredores amadores na Avenida Juscelino Kubitschek revelavam a dor de enfrentar o duro percurso da Maratona Internacional de São Paulo, cheio de túneis e viadutos, que ficou ainda pior por conta do calor e do ar seco.

22ª Maratona Internacional de São Paulofoto 2(1)22ª Maratona Internacional de São Paulo

Ao meio dia, com a ajuda de bikers, que levavam água adicional e muitas palavras de conforto, a turma seguia já com cinco horas de prova. A 200 metros da linha, as famílias fizeram a diferença incentivando no sprint final rumo a vitória, que nesse caso é completar os 42km.

22ª Maratona de SP22ª Maratona de SP22ª Maratona de SP

Ninguém estava preocupado em fazer recordes ou tentar beliscar o prêmio de R$ 30 mil  com os canelas finas. Nessa turma que completa acima das 4h30 vencer significa completar a prova, mesmo que andando muito, subir um degrau – virar maratonista. Tinha pai levando filho com paralisia infantil e síndrome de down em cadeiras de rodas, realizando um esforço tremendo. Parabéns a todos. #CorridaParaTodos.

Este ano, além dos 42,195m  também ocorreram as provas de 15 (24k)  e 5 (8k) milhas e a caminhada de 2 (3km) milhas. No total foram 17 mil inscritos, 8.100 na maratona.

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Sim, deu Quênia no masculino e feminino. O melhor brasileiro foi Giovani dos Santos. Foi a primeira vez que completou a Maratona de São Paulo e ainda brigando pelo primeiro lugar, ele chegou em segundo! “Mais do que terminar, o importante foi ter um grande desempenho. Queria ter vencido, mas acabei sentindo um pouco no final. Estou muito feliz com o resultado e o duelo com o Paul Kimutai foi muito bom, pois mostra que estamos ficando cada vez mais perto dos estrangeiros”, declarou o corredor mineiro, que venceu a Pampulha no ano passado com Paul chegando em segundo. Entre as mulheres, a melhor foi Marizete Moreira. Biampeã da prova (2009 e 2010).  “Queria vencer, mas ainda estou fora de ritmo. Também teve a morte do meu pai na semana passada, que acabou mexendo comigo.”

A elite feminina foi a primeira a largar, as 6h30.  Cadeirantes às 7h15. Elite masculina e o pelotão geral, às 7h30.  A prova é organizada pela TV Globo e Yescomm e tem patrocínio da Caixa e da Fila. Aliás, em falando em patrocínio, a primeira edição de 1995 foi parar nos tribunais. Na época o prefeito da capital paulista era Paulo Maluf. Ele teria contratado, sem licitação, a TV Globo para transmitir o evento por R$1,2 milhão. Globo alegou que o evento era dela e a prefeitura teria entrado como patrocinador. A quem diga que a ideia do evento seria de Leonardo Senna, irmão do piloto, morto em 1994. A prova seria em homenagem ao piloto, a largada seria no centro de SP com a chegada no Obelisco, passando pela estátua do tricampeão. E a emissora que faria a transmissão seria o SBT.

O fato é quem organizou a primeira prova e todas as 22 edições foi a Globo. O recurso da Globo,  RE 574636, foi parar no STF em 2011, que deu provimento.  Ou seja, a Globo não precisava de licitação.  Neste ano a Prefeitura não patrocinou o evento, que é considerado estratégico para a cidade e por isso não é cobrada a taxa da CET, para impedir o tráfego dos carros, valor esse na faixa dos R$ 100 mil. Entrou como apoio especial.

Números

Li muitos comentários no Facebook reclamando da falta de isotônicos e nenhum falando da batata. Nos três quilômetros finais, que acompanhei de bike com meu filho não vi esse itens, apenas copos de água. Mas pude observar centenas de pipocas, que foram gentilmente barrados nos 300 metros finais. Segundo a organização havia: 400 mil copos de água e 50 mil garrafas de água de coco e isotônicos, mais gel – não disseram quanto – e batata cozida – a novidade do ano. Cerca de 200 profissionais da área médica atenderam o evento, que contou com 25 ambulâncias UTIs oferecendo o suporte necessário.

Campeões da Maratona Internacional de SP
2016 – Paul Kimutai (Que), 2h17min14seg/Alice Kibor (QUE), 2h35min56seg

2015 – Asbel Kipsang (QUE), 2h15min15/Carolyne Komen (QUE),2h35min51

2014 – Paul  Kangogo (QUE), 2h14min16/Rumokol Chepkanan (QUE), 2h42min27

2013 – Stanlei Koech (QUE), 2h16min07/Samira Raif (MAR), 2h38min23s

2012 – Solonei da Silva (BRA),2h12min25s/Rumokol Chepkanan (QUE),2h31min21s
2011 – David Kemboi (QUE), 2h11min53s/ Samira Raif (MAR), 2h36min01
2010 – Stanley Biwott (QUE), 2h11min21s/Marizete Moreira (BRA), 2h39min26s
2009 – Elias Chelimo (QUE), 2h13m59s/ Marizete Moreira (BRA), 2h42m24s
2008 – Claudir Rodrigues (BRA), 2h17m07s/Mª Zeferina Baldaia (BRA), 2h42m20s
2007 – Reuben Chepkwek (QUE), 2h16m05s/ Jacqueline Chebor (QUE), 2h40m12s
2006 – Rotich Solomon (QUE), 2h15m15s/ Margaret Karie (QUE), 2h39m24s
2005 – José Teles (BRA), 2h19m47s/ Márcia Narloch (BRA), 2h40m39s
2004 – Frank Caldeira (BRA), 2h17m30s/ Margareth Karie (QUE), 2h40m10s
2003 – Genilson da Silva (BRA), 2h16m26s/Mª do Carmo Arruda (BRA), 2h39m12s
2002 – Vanderlei de Lima (BRA), 2h11m19s/ Mª Zeferina Baldaia (BRA), 2h36m07s
2001 – Stephen Rugut (QUE),2h14m30s/ Marizete Rezende (BRA), 2h38m57s
2000 – David Ngetich (QUE), 2h15m21s/ Márcia Narloch (BRA), 2h40m15s
1999 – Paul Yego (QUE), 2h15m29s/Márcia Narloch (BRA), 2h37m20s
1998 – Diamantino dos Santos(BRA), 2h16m55s/ Viviany Oliveira (BRA), 2h39m58s
1997 – Kipkemboi Cheruiyot (QUE), 2h17m07s/ Viviany Oliveira (BRA), 2h42m13s
1996 – Chalam El Maali (MAR), 2h15m21s/ Janete Mayal (BRA), 2h41m40s
1995 – Luiz A. dos Santos (BRA), 2h17m11s/Ilyna Nadezhda (RUS), 2h49m33s

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