29 corredores e um mesmo número de peito

29 corredores e um mesmo número de peito

SILVIA HERRERA

08 Janeiro 2018 | 08h37

Equipe de corrida de rua de Sorocaba (SP) terminou o último dia do ano com o pé esquerdo e entrou para a história da São Silvestre como vilã gerando total indignação nas redes sociais. #corridaderua #BlogCorridaParaTodos #São Silvestre

Prova mais popular do calendário de corridas de rua do Brasil cercou o foco contra os pipocas – corredores que correm sem pagar inscrição – e entregou uma corrida mais organizada, que foi elogiada pelos participantes nas redes sociais, houve uma evolução. Triplicaram o número de grades e de seguranças, usaram o mesmo esquema da festa de ano-novo na Paulista. E também foram nas redes sociais que a equipe da academia Run Up foi denunciada, com ampla divulgação das fotos de corredores uniformizados correndo com o mesmo peitoral (número de peito) 23023, de um certo senhor chamado Valter. Saiu nos jornais, nos telejornais e até no Jornal Nacional. Até quem está em férias no litoral sul catarinense, numa praia escondida, como eu, ficou sabendo e também se indignou.

O tal do Valter Pereira da Silva, 54 anos, “correu” pra bem longe, o chip dele não foi usado na prova. Harry Thomas Jr, precursor dos sites de corridas de rua no Brasil, fez um post  bem humorado sobre esse incauto corredor, que se multiplicou. Os fraudadores correram juntos, o que tornou mais fácil a identificação da fraude da cópia do peitoral. É muita cara de pau. Acho que até Macunaíma ficaria com vergonha de fazer isso.

Essa história ainda vai longe, mas no final quem vai ganhar será a corrida de rua brasileira, com melhores provas, estrutura e fiscalização

Gabriel Garcia Arroio, organizador da prova há 30 anos, mais conhecido como Vasco, deu entrevista nesse domingo ao programa Fôlego, da Rádio Bandeirantes, do jornalista Ricardo Capriotti.  Trouxeram para a São Silvestre o modelo de segurança já usado no exterior, como na maratona de Nova York. “Pipocas podem trazer problemas para os outros e para ele, vai que ele passe mal, eu aviso quem? A identidade do corredor é o número de peito dele”, argumenta.

“O caminho é mudar a mentalidade e não gradear o percurso todo. A rua é pública, mas está havendo uma corrida e é para ser utilizada pelos corredores de rua inscritos. Quanto mais evoluído o público menos grades tem, em Madrid nem tem grade na maratona”, compara. E estão no caminho certo. Dos cerca de 50% de pipocas em 2016, este ano a estimativa foi que cerca de até 10% insistiram em entrar ilegalmente durante o percurso.

Com relação específica a clonagem do peitoral 23023, para Vasco essa ação foi incomum por causa da quantidade de cópias, 29, e de ter sido feita por uma assessoria de corrida de rua super conhecida como a RunUp, de Sorocaba. As primeiras notícias diziam que eram pelo menos 12 corredores. “O atleta que se inscreveu com o 23023 está banido de todas as corridas da Yescom. Não sei o que a Fundação Cásper Líbero fará, mas devem fazer algo. A atitude desse pessoal gerou uma indignação geral nas redes sociais”, contou. Vasco correu sua primeira São Silvestre em 1978, época que só eram computados os tempos dos dez primeiros de cada categoria. Ou seja, ele conhece muito bem esse ramo. Leia abaixo o comunicado do comitê organizador. As fotos são reproduções de imagens compartilhadas no Facebook

Segundo os advogados da RunUp, a empresa vai ressarcir todas as inscrições à Fundação Cásper Líbero e o proprietário da mesma, Augusto Arruda, não correu a 93ª São Silvestre.  Assumem que todos eram realmente alunos da assessoria e que será feito uma campanha de conscientização junto aos alunos. Os alunos teriam pedido auxílio à academia para fretar um ônibus para irem à São Silvestre.

Aproveitando, nenhum brasileiro chegou entre os cinco primeiros nesse edição da São Silvestre. Entre as mulheres a melhor brasileira foi Joziane Cardoso, em décimo; e no masculino Ederson Vilela, em décimo segundo. Pior resultado desde 1973.

COMUNICADO 93ª SÃO SILVESTRE

O Comitê Organizador informa que, após a realização da 93ª Corrida Internacional de São Silvestre, foram verificados, através de registros fotográficos e outros meios de comunicação, que alguns participantes clonaram números para poder ingressar no evento, infringindo o regulamento do evento.

Temos recebido inúmeras denúncias e todos os fatos estão  sendo analisados e as medidas legais serão tomadas nos próximos dias. Além das medidas legais, os fatos comprovados resultarão na desclassificação e banimento dos mesmos dos cadastros da São Silvestre e de outros eventos realizados pela Organização Técnica.

Pódio feminino:
1: Flomena Cheyech (QUE) – 50min18s
2: Sintayehu Hailemichael (ETI) – 50min55s
3: Birhane Dibaba (ETI) – 50min77s
4: Wude Ayalew Yimer – 51min35s
5: Paskalia Chepkorir – 51min55

Pódio masculino: 
1: Dawitt Admasu (ETI) – 44m17s
2: Belay Bezabh (ETI) – 44m33s
3: Edwin Rotich (QUE) – 44m43s
4: Birhanu Balew (BAH) – 45m06s
5: Paul Kipchumba Lonyangata (QUE) – 45m28s