A palmilha de Berlim

A palmilha de Berlim

SILVIA HERRERA

29 de setembro de 2015 | 12h43

Saiba o que aconteceu com o tênis de Eliud Kipchoge, fundista queniano que venceu a  Maratona de Berlim.

Nike Streak

Maratona de Berlim, por conta de sua altimetria plana, sempre é palco de quebra de recordes. Com foco nesse objetivo, o queniano Eliud Kipchoge largou no último domingo (27/09)  na capital alemã, sedento para diminuir esta marca pela terceira vez. Só que no  km 20 começou um desconforto, no mínimo raro. As palmilhas do Nike Streak 6 do fundista começaram a sair do calçado por trás – sim de ambos os pés. Como cada segundo conta, Kipchoge continuou voando baixo e venceu a prova com as palmilhas quase totalmente pra fora com 02:04:01.

No calor da prova, o atleta culpou os tênis por não ter quebrado o recorde. Para a agência de notícias “Reuters”, ele declarou que não podia parar para arrumar o calçado, mas que o fato das palmilhas saírem dos tênis causou muito desconforto. O fundista disse que perderia muito tempo para trocar o calçado, já que arrancar a palmilha não era uma opção – iria interferir no amortecimento.

No entanto, no dia seguinte o discurso mudou. Procurado pelo “Daily Nation Sports” de Berlim, o atleta disse que o Streak 6 é seu Nike preferido para maratonas e que inclusive ajudou a desenvolver esse modelo durante um ano no quartel-general da marca nos EUA; e que o único percalço foi com as palmilhas. Mais ainda – recomendou que seus fãs comprem o modelo quando for lançado.

Procura pelo blog Corrida para Todos,  a Nike enviou comunicado sobre o fato. Segue a íntegra:  “Assim como já fez várias vezes em outras maratonas, Eliud estava testando um protótipo de tênis de corrida no qual temos trabalhando juntos por alguns meses. Como qualquer protótipo, alguns elementos às vezes podem dar errado. Neste caso, a palmilha não funcionou. E como todos os processos de inovação, nós aprendemos rapidamente a partir dos erros. A habilidade de Eliud não só de vencer, mas também de alcançar um novo recorde pessoal nesta maratona é uma afirmação da sua habilidade atlética extraordinária  e o coloca como um dos melhores maratonistas do mundo. Nós o parabenizamos pela sua vitória incrível e estamos animados em continuar a trabalhar com ele.”

ekipchogeberlin15

Mas há outra versão. O jornal queniano “Daily Nation” entrevistou um dos empresários do atleta – Hermes, que estava em Adis Ababa. Ele contou que o problema com as palmilhas começou no km 2, não no 20. E que o atleta teve que ser muito guerreiro para superar o desconforto, da palmilha subindo pelo contraforte, e mesmo assim vencer. Para esse veículo, Kipchoge confirmou a informação. Hermes também agencia Haile Gebrselassie, Kenenisa Bekele e Ghirmay Ghebrselassie. Ele não foi a Berlim para cuidar dos preparativos da Great Ethiopian Run, que será realizada em 22 de novembro.

Hermes conversou com Kipchoge por telefone depois da maratona. Disse que o fundista estava um pouco confuso já que tinha usado o mesmo modelo de tênis na Maratona de Londres. “Tenho certeza que Eliud é um grande atleta, muito disciplinado e focado e pode correr mais rápido”, disse.  Quanto ao Streak 6, ele acha que o modelo não precisa voltar ao laboratório da Nike – basta colar a palmilha.

 

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.