Ana Paula Simões é a primeira presidente mulher da Sociedade Paulista de Medicina Desportiva

Ana Paula Simões é a primeira presidente mulher da Sociedade Paulista de Medicina Desportiva

Ela é ortopedista da Santa Casa e corredora

SILVIA HERRERA

08 de março de 2021 | 15h11

Neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, minha homenagem vai para a Dra. Ana Paula Simões, ortopedista, médica do Esporte e atual presidente da Sociedade Paulista de Medicina Desportiva (SPAMDE), primeira mulher a exercer esse cargo. E para melhorar o cenário, ela é corredora, e das boas.
Ana Paula esclarece que o médico do Esporte não é o médico que pratica esporte. “Para ser médico do Esporte é preciso ter o título, tem que estudar para isso. E a SPAMDE luta por essa especialidade, a Medicina Desportiva”, afirma a presidente.

Dra. Ana Paula Simões foi judoca e nadadora

Desde a infância, Ana Paula se envolve com o esporte. Começou com natação, passou pelo judô – em ambas as modalidades participando de campeonatos nacionais e internacionais – e já como ortopedista, foi a médica da Seleção Brasileira de futebol feminino durante dez anos (2005 a 2015), e na Rio 2016, foi uma das médicas que cuidou dos atletas do tênis. Ela espera repetir a dose na Olimpíada da Paris (2024). “Tudo começou quando o pediatra disse ao meu pai que seria preciso abrir meus brônquios fazendo esporte, pois eu tinha muitas crises respiratórias, e me colocaram na natação”, lembra Ana Paula.

De família de professores, Ana acreditava que seguiria por esse caminho, mas no magistério descobriu sua verdadeira vocação, a medicina. “Apaixonei-me pela ortopedia e segui a carreira”, conta. A corrida de rua entrou na vida da ortopedista após a primeira gravidez, para voltar ao peso normal. “Depois nem voltei mais para a natação, fiquei na corrida de rua, ela é muito democrática, por meio dela conheci várias pessoas; agregou bastante para mim, fora que consegui retornar meu peso, 65 kg, na gravidez cheguei a 90 kg. Saí do controle realmente”, explica. Atualmente, ela pretende começar os treinos para concluir a primeira maratona, a de Nova York no segundo semestre, um presente do marido. Ainda é mãe de dois meninos (de 6 e 2 anos), esposa e filha. Atualmente atende na Santa Casa de São Paulo e em seu consultório, além de presidir a SPAMDE. Ela procura plantar a semente da prática esportiva como meta para uma vida longeva e saudável em todos os seus pacientes. “A OMS já preconiza que devemos incluir uma hora de atividade física por dia na rotina para obter saúde”, destaca Ana Paula, que concedeu entrevista exclusiva para o blog, confira abaixo os principais trechos, e a íntegra no vídeo.

Dra. Ana Paula Simões foi judoca e nadadora

3 PERGUNTAS PARA ANA PAULA

Máscara na corrida de rua. Como usar?
Ana Paula Simões – A OMS preconiza que nos ambientes controlados, principalmente nas fases vermelha e laranja, é necessário o uso da máscara para prevenção de contaminação do coronavírus. Mas temos que também obedecer a ordem governamental de cada cidade. No entanto, em ambientes abertos como parques existe a premissa de que se você estiver isolado é possível tirar a máscara, que é o que acontece também nas praias. O problema de correr usando a máscara é que você não tem uma troca real de gases como acontece sem máscara. Com a máscara algumas pessoas precisam fazer um esforço respiratório maior, como se alguém tivesse te sufocando o tempo todo, e quem não tem um condicionamento cardiorrespiratório bom, pode passar mal. É a sensação de treinar com muito calor e alguns corações podem entrar em falência, geralmente são pessoas que não fizeram o exame ergoespirométrico e não sabem sua zona de conforto. Há também a sobrecarga emocional. O melhor mesmo é ficar nas corridas virtuais, para pelo menos ter uma meta.

Na sua rotina de consultório você já atendeu algum paciente/ corredor de rua que foi contaminado pelo coronavírus?
Ana Paula Simões –  Vários. Eu sou uma delas, tive todos os sintomas, não conseguia sair da cama, perdi o olfato, o paladar. E vários pacientes. E o retorno aos treinos é muito individual, depende da gravidade. Meu pai, por exemplo, ficou na UTI muito tempo, agora que recomeça a andar, e olha que ele é atleta, joga peteca. Retorno dele está sendo bem lendo e crescente. Nosso fisioterapeuta, que também é corredor, ficou com uma sequela no fígado. Outros têm problemas cardiovasculares como sequela. Há quem só tem uma febrinha e outros vão para UTI. Não há regra.

Como foi trabalhar na Rio 2016?
Ana Paula Simões –  Brinco que foi como se eu estivesse na  Disneyworld dos adultos. Fiquei no Parque da Barra da Tijuca, na equipe que cuidou dos atletas do tênis, e quando acabava meu turno ia assistir aos jogos. Cruzei com os atletas do mundo inteiro. Foi um momento mágico que o esporte me proporcionou. Nunca fui uma atleta de nível mundial, mas médica sim. Meu trabalho com a Seleção Feminina Brasileira de Futebol também foi um momento mágico. Não me voluntariei para Tóquio por causa do meu filho mais novo, que agora está com 2 anos, mas já estou pensando na Olimpíada da França.

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