As Incansáveis Adrianas

As Incansáveis Adrianas

SILVIA HERRERA

18 de fevereiro de 2016 | 07h30

Conheça a história de duas maratonistas que são exemplo de pura raça e superação. Ambas se chamam Adriana, nasceram no mês de julho e passaram por grandes problemas de saúde.

Adriana Aparecida da Silva vence o Pan de Guadalajara

Adriana Aparecida da Silva vence o Pan de Guadalajara

A bióloga, veterinária e pesquisadora Adriana Toledo Piza (foto abaixo) encontrou nas corridas força para se recuperar de um câncer de mama. Já a fundista Adriana Aparecida da Silva (foto acima) quase teve que se aposentar antecipadamente por conta de uma séria lesão. As duas guerreiras deram a volta por cima em grande estilo.

Adriana Piza

Adriana Piza

Alta e magra, Adriana Piza, a Duda, descobriu ainda no colégio que tinha jeito pra corrida. Mas, lá nos anos 80, nem imaginava que a prática seria sua companheira de estrada.  Ela estudava no Colégio Santa Cruz, na zona oeste paulistana, e fez suas primeiras corridas na pista de atletismo. “Era uma pista de 300 m, e na hora do intervalo adora ficar dando várias voltas por lá”.  A corrida de estreia foi em 1983, era uma 10km, e ela nunca tinha corrido mais de 3km na vida. “Fui lá e completei.”

Duda tem dois filhos, um de 14 e uma de 11 anos. “Eles gostam muito de correr, meu filho inclusive já fez a primeira 5k, do Circuito Caixa, no fim do ano passado. E minha filha é super veloz, e  está fazendo atletismo no clube”, conta a mãe coruja. Duda tem aquele biótipo perfeito de fundista, alta, magra, canela fina. Logo após entrar para a USP, se inscreveu no grupo de corrida, e havia um treinamento feminino de corrida. “A USP tinha um convênio universitário com o Japão e consegui me classificar nas seletivas para competir, repeti a dose quatro vezes, foi muito legal. Eu estava no lugar certo na hora certa. Aí nunca mais parei de correr”, diz.

Dois anos após a segunda gravidez, em 2006, Adriana teve diagnóstico de câncer de mama. Foi um choque, o início de um outro tipo de maratona, de cirurgias, radioterapia, fisioterapia e muito sofrimento. “Tive que parar de correr e a parte psicológica foi o pior de tudo. Em 2011 decidi que tinha que voltar a correr para esquecer tudo isso, superar essa doença, deixar isso definitivamente no passado”. Mesmo correndo por diversão, Duda voltou a subir no degrau mais alto do pódium, é a amadora que dá mais trabalho para a elite.

“Depois da amamentação descobri um nódulo no seio, não havia nenhum caso na família, fiz o teste e infelizmente deu positivo. Fiz o que tinha que fazer, sofri muito, mas hoje isso é passado”.  Corrida para Duda é manter o corpo e a mente sana, além de fazer muitos amigos.

Bicampeã Panamericana

Adriana Aparecida da Silva já foi do inferno ao céu duas vezes. Passou fome na infância, quando chovia sempre molhava dentro da casa da família. Venceu a primeira corrida aos 12 anos, o que mudou o rumo de sua vida. Em seguida entrou para o time de corrida Papa Léguas, de sua pacata cidade natal – Cruzeiro, interior de São Paulo. Foi descoberta por um técnico do Clube Pinheiros, Cláudio Castilho, quando se lesionou feio. “Foi em 2006, foram três anos tratando uma lesão”, conta Adriana, que reconhece no técnico um verdadeiro pai. Recuperada, começou a correr maratonas e a vencer, a primeira foi a de Floripa em 2009.  E a mais marcante, o ouro do Pan de Guadalajara em 2011. “Foi muito especial, esta vitória fez tudo valer a pena”, conta. Os treinos foram e são duríssimos – há dias com 21 tiros de mil metros. Não há férias, só muito foco e treinamento. Dedicação total.

Depois da vitória no Pan de Guadalajara, Adriana pagou uma promessa – correu os 60 km entre sua cidade natal e Aparecida.  Hoje ela  é bicampeã dos Jogos Panamericanos, atleta do Clube Pinheiros, patrocinada pela Asics e vai disputar a maratona olímpica na Rio 2016. Ela acaba de voltar da Colômbia, onde está treinando, e para onde retorna na semana que vem. Em abril corre a Maratona de Hamburgo para tentar melhorar ainda mais sua marca. “Não dá para falar em maratonas sem falar de dor, na superação da dor e do medo”, fala Adriana. Aliás, nesta sexta-feira, dia 19 de fevereiro, ela vai conversar com corredores no Sesc Bom Retiro (Alameda Nothmann, 185, Campos Elísios), às 19h – entrada grátis. O bate papo faz parte da programação do Sesc Verão. O tema da conversa é Maratona e Mulher: preparação, foco e democratização.  Uma das atrações do projeto  “42,195: Memórias em Quilômetros”.

Há intalações no térro, segundo e quarto andares. As Memórias do Corpo é audiovisual e provocante – nela, além de assistir entrevistas com maratonistas, o público pode imergir numa prova, vivenciando as sensações e sentimentos que a envolvem, como os gritos da torcida, os ruídos da cidade e os momentos de solidão – com as passadas e a respiração, tão comuns para os atletas. As Memórias das Cidades tomam conta do Espaço de Exposições. São registros fotográficos de diversas provas, os participantes poderão embarcar numa viagem 3D para Atenas, Londres, Los Angeles, Roma, Pequim e Rio de Janeiro. #CorridaParaTodos

 

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