Atleta sofre acidente e faz vaquinha virtual para pagar tratamento

Atleta sofre acidente e faz vaquinha virtual para pagar tratamento

SILVIA HERRERA

30 de junho de 2019 | 08h30

Por motivos financeiros, o velocista Maykon Kennedy do Nascimento, 23 anos, “virou” motoboy do UberEats caiu da moto e teve múltiplas fraturas. Agora é nossa vez de ajudar. Veja como. #todospeloMaykonKennedy

Maykon Kennedy

O código de atleta na Federação Internacional de Atletismo, nº 14546455, continua ativa. Mas há dois anos, mesmo liderando o ranking da curta dos 400 metros rasos, com a marca de 47:40, sofreu várias lesões que o impossibilitaram de participar de provas estratégicas, como o Troféu Brasil de 2017. ” Não estabelecendo os índices exigidos e fazendo marcas pouco expressivas, subiu pra categoria sub-23 com números que não diziam do seu verdadeiro potencial. Foi por onde buscou melhorar e abandonou o esporte, teve que voltar a morar com os pais”, conta o jornalista especializado em atletismo e corredor amador Humberto Alitto.

Maykon era do Instituto Vanderlei Cordeiro de Lima, e treinava em Campinas (SP) e teve que voltar para o Mato Grosso, para Várzea Grande. Ele nasceu em Cuiabazinho.  Trabalhando direto à noite nas entregas, no domingo, 16 de junho, às 22h30, quase chegando em casa, extenuado,  teve um apagão durante um segundo, quando deu por si, tentou equilibrar a moto, mas não conseguiu e bateu com tudo  na guia.  O estrago foi gigante.

A mochila das entregas protegeu as costas, mas o principal problema foi justamente nas pernas do nosso velocista campeão: fratura exposta da tíbia do lado direito e fratura interna da tíbia do lado esquerdo. Também machucou a patela. Não conseguiu levantar e notou que o joelho estava muito inchado. Para que alguém o socorresse teve a ideia e jogar seu capacete no meio da rua para que algum carro parasse. Deu certo.

Tão logo um motorista parou, fez os primeiros socorros e chamou um Samu, que demorou mais de 40 minutos para chegar no local. Nesse intervalo  começaram a chegar os familiares para ajudar e acompanharam até o hospital. Maykon relatou que deu entrada no hospital à meia-noite e três horas depois foi submetido a cirurgia, que durou certa de duas horas. A solução dos ortopedistas foi a colocação de trações  nas duas pernas, e desde então está paralisado no hospital.

Os amigos se mobilizaram e começaram uma vaquinha virtual. Outro, como o fundista Solonei Silva, estão promovendo sorteios.  Quem quiser participar, basta acessar este link, toda contribuição é bem-vinda: www.vakinha.com.br/vaquinha/todospelomaykon/contribua

Depois que se recuperar Maykon – sua meta é estudar e  buscar uma profissão que dê estabilidade financeira, longe das motos.  Ele não alimenta esperanças de voltas às pistas.

Carreira de vitórias*

Maykon, número de peito 671, durante Campeonato Caixa de Atletismo

Maykon Kennedy do Nascimento, nascido em Maio de 1997, é um ex-atleta especialista em provas de 400 metros rasos. Por onde sua melhor marca na distância foi obtida em Cuenca, Equador, quando obteve o tempo de 46.73 segundos. Conheceu a corrida através de amigos de escola. Eles treinavam de 2ª, 4ª e 6ª feira numa pista de atletismo. Como tinha o futebol ao final dos treinos de corrida, Maykon se animou e começou a frequentar.

Começou a pegar pódios –  3º e 2º lugares – em provas de 600m e 1000m na categoria Mirim. E logo  recebeu uma proposta para fazer um teste em São José do Rio Preto, com o treinador Aristide Junqueira (um dos mais antigos e importantes treinadores do Atletismo Brasileiro). E nesta época, começou a surgir convênios com outros clubes e até convites pra mudanças. Então, um dos presidentes de um Clube da região de Campinas fez uma oferta para mudá-lo de equipe. Neste encontro, apresentou as possibilidades de treinamento, a infraestrutura e funcionamento da Orcamp. Feito a mudança, ainda tratava de uma lesão que impedia de expressar melhor seu talento. Em seguida ao tratamento e recuperação, pode apresentar grandes resultados.

Na categoria Mirim, competia muitas provas de 1.000 metros. E ali seu treinador viu o potencial para fazer provas mais rápidas. Foi em São José do Rio Preto, fazendo 28.25 nos 200 metros rasos, onde quase bate recorde Brasileiro e chamou atenção de alguns olheiros. Passando para a fase seguinte, na categoria Menor, começou a destacar bastante em provas de 400 metros, obtendo títulos Brasileiro e Estaduais. Por convite, viajou com a seleção e foi pra Cali, na Colômbia. Neste campeonato, obteve a 2ª. colocação com o tempo de 47.40 nos 400 metros e campeão no revezamento misto 4×400 metros.

Em 2015, subindo para categoria Juvenil, começou a participar de Camping com a Seleção do Brasil. Eram treinamentos visando a RIO 2016. O que seria um grande sonho para inúmeros atletas até mais experientes. E neste primeiro Camping organizado na Urca, tendo a participação do Exército Brasileiro, trouxe enorme experiência.

*Humberto Alitto

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