Cadarço nunca mais

Cadarço nunca mais

SILVIA HERRERA

16 Novembro 2017 | 14h55

Há seis anos nascia o sistema Hickies, que dispensa o uso de cordões para amarrar os tênis para corrida de rua ou qualquer outra finalidade, a novidade começa a ser vendida agora no Brasil. Confira entrevista com o criador da novidade.#corridaderua #equipamentos #LifeWhitoutLaces

Alguém gosta de amarrar os tênis? Duvido. Pensando nisso o argentino Gaston Frydlewski lançou o sistema Hickies nos EUA, que acaba de desembarcar no Brasil. É o ajuste do futuro, que dispensa cadarço. Jessica Alba e Alessandra Ambrosio já usam a novidade.

O sistema é comercializado online em mais de 100 lojas esportivas e especializadas do País, além do e-commerce próprio  www.hickies.com.br, com entrega em todo Brasil. Nessa operação eles contam com um parceiro de peso, a BRSports (Topper, Saucony, Rainha). A marca chega ao Brasil com tamanho único e em 13 cores, desde as neutras (branco, preto e cinza) até as multicoloridas, como amarelo neon, coral, azul, rosa e verde, e permitindo oito combinações de amarração que variam de acordo com a necessidade de tensão. Cada pack (embalagem com 12 tiras) está disponível por R$ 39,90.

O cofundador e CEO da Hickies esteve recentemente no Brasil e fomos descobrir tudo sobre esta nova invenção em uma entrevista individual. Confira abaixo.

Você pratica corrida?

Gaston Frydlewski – O que posso dizer hoje é que sou inventor que adora correr.   Mas minha esposa Mariquel Waingarten, que é cofundadora da Hickies, é superativa. Ela corre, faz yoga e musculação.

Como surgiu a ideia deste sistema de amarração de tênis sem cadarço?

Gaston Frydlewski – É uma longa história. Quando garoto eu era um daqueles que nunca amarrava os tênis e tive a ideia de criar este sitema aos 21 anos, quando estava na faculdade. Na época, eu colocava os cadarços dentro do tênis, sem amarrar, e pronto. E percebi que todos os meus amigos faziam o mesmo. O que não fazia muito sentido, e fui percebendo que a maioria das pessoas não tinha uma relação muito boa com os cadarços dos tênis, independentemente da idade. Por exemplo, se você tem filhos pequenos tem que amarrar os tênis para eles várias vezes no mesmo dia. As crianças na escola perdem um tempão para amarrar os tênis e as vezes não conseguem e pedem para os professores. Os atletas têm que parar seus treinos e até provas para amarrar os tênis. Os idosos também têm dificuldade para amarrar seus calçados esportivos. Se você estiver grávida também não vai conseguir amarrá-los. Então percebi que seria bacana ter cadarços que nunca desamarrariam e pesquisei que isso ainda não existia em nenhum lugar do mundo. E foi realmente muito difícil criar este produto. Tive que desenvolver uma tecnologia para isso funcionar. Mudei meu ponto de vista e criei um sistema independente, cada dupla de ilhós da amarração deveria ser unidade independentemente das outras. E assim criei o sistema.

Quantas unidades contêm cada pack?

Gaston Frydlewski  Cada pacote contém 12 unidades. Tem um pequeno truque para conectá-los. Você coloca o menor dentro da garagem dele e se encaixam. Depois disso você nunca mais precisa conectar. O produto é elástico e por isso você vai conseguir calçar e descalçar o calçado sem desconectar o sistema. O interessante para os corredores é achar o ajuste perfeito e mantê-lo, fora não ter que se preocupar nunca mis em amarrar o calçado durante a corrida. Você precisa de três tiras para ajustar cada pé.

E na hora de colocar o chip da cronometragem no cadarço nas corridas, é fácil de colocar?

Gaston Frydlewski   – Sim, é muito fácil. Basta encaixar o chip em uma das unidades, sem precisar desamarrar quase metade do tênis para colocar o chip e depois de novo para retirar. É muito simples. Nas transições do IronMan é também muito prático, o  atleta chileno Eduardo Della Maggiora já usa.

Qual outro diferencial desse produto?

Gaston Frydlewski   – Ele pode ser colocado de diferentes formas, pode cruzá-los, pode deixar ilhoses sem nada, pode deixar bem juntinho, conectar ilhoses totalmente diferentes. Pode deixar um par de ilhoses sem e um com, assim permitindo customizar o ajuste para que fique o mais confortável possível. Isso era totalmente impossível antes.

Do que é feito o material desse produto?

Gaston Frydlewski – É um material inteligente, que demoramos muito tempo desenvolvendo. O que acontece é que ele além de ser elástico memoriza o ajuste, adaptando perfeitamente ao seu pé. Outra coisa muito interessante, quando você corre longas distâncias é que seu pé sofre alterações, fica molhado de suor, ou diminui ou aumenta de tamanho, e você não pode parar para mudar a amarração do calçado para ele ficar mais confortável. Já  o Hickies vai se adaptando ao seu pé enquanto você corre, não interferindo na performance e proporcionando uma experiência muito melhor ao corredor. Assim o corredor nunca vai sentir dor nos pés durante a corrida por causa das alterações de tamanho.

Como deve ser feita a limpeza do produto?

Gaston Frydlewski   – Simples, basta lavar na máquina de lavar roupas ou na mão mesmo, com sabão neutro. A maneira que você achar mais fácil.

E a durabilidade?

Gaston Frydlewski   – O nosso produto costuma durar mais que o tênis.

Você teve a ideia do produto aos 21 anos, por que demorou tanto para disponibilizar este sistema no mercado?

Gaston Frydlewski   – Hoje tenho 36 anos, foi uma longa jornada até a concretização do sistema. Logo depois que tive a ideia contei a meus familiares, que me mandaram calar a boca. Acabei pedindo dinheiro emprestado para minha mãe para proteger os direitos autorais do produto, enquanto eu transformaria o conceito em realidade. Minha mãe me deu US$ 3 mil para eu sossegar. Demorei um ano para conseguir isso. O segundo passo foi patentear o produto, o que era muito caro, nos EUA eram US$ 20 mil. Não tinha esse valor. Pedi para minha mãe novamente, mas ela não tinha como me ajudar. Ela foi a primeira incentivadora e a primeira investidora a pular fora da história. Como eu era novo, tinha tempo livre e comecei a pesquisar como conseguir patentear o produto de outra maneira. E durante um ano fui estudando a legislação de patentes internacionais e aprendi uma maneira de como fazer isso por US$ 600 e conseguir fazer. Hoje minha empresa tem 75 patentes.

Qual foi o passo seguinte?

Gaston Frydlewski   – Fazer dinheiro com meu produto. Ainda não existia o Facebook. Procurava os investidores e eles me diziam, você tem apenas 23 anos, uma ideia maluca e nenhuma experiência. Dê um tempo e volte aqui depois. Eles estavam certos. Então fui trabalhar em um banco de investimentos, no JP Morgan, entendi que se quisesse me tornar um empreendedor teria que aprender com os homens de negócio. Trabalhava diariamente com empresários, investidores, homens de negócio; vendendo companhias, financiando, o que me daria muita experiência no futuro, tomando decisões importantes para todas essas empresas. Foi incrível, a melhor escola que eu poderia ter tido. Trabalhei assim por cinco anos e paralelamente fui desenvolvendo o material do meu produto, fui me tornando um especialista em materiais. O material que criei é suave ao toque e muito resistente, ele nunca quebra, e ao mesmo tempo é muito flexível. São características muito distintas para um mesmo material. Ele é composto por Elastómero Termoplástico (TPE).

Você encontrou esse material na Argentina?

Gaston Frydlewski   – Não, pesquisei no mundo inteiro. Por exemplo, contatei fábricas na Coréia, na China. Entrava em contato e pedia quatro quilos para testar, eles respondiam que só mandariam se fosse um contêiner… E aí eu desligava o telefone. Foi muito difícil.  E nesta época encontrei minha futura esposa, Mariquel Waingarten (foto abaixo). Ela era uma empreendedora, ela tinha um hotel na Argentina, que era o número 1 no TripAdvisor em Buenos Aires. Ela tinha 24 anos. Começamos a namorar aos 29 anos.  Um certo dia disse para ela: ‘Nossa vida está tomando o caminho errado. Gasto todo meu tempo no banco e você no hotel, coisas as quais não somos apaixonados em fazer e encontrando com pessoas, que muitas vezes, não gostamos. Suponho que trabalho para minha família, mas nunca a vejo. Então, temos que mudar isso. Ela me olhou nos olhos e disse: OK. E sugeri em abrirmos a Hickies juntos. Ela vendeu o hotel eu pedi demissão do banco, fizemos as malas – sete para ela e uma para mim- e nos mudamos para o Brooklyn, em Nova York (EUA) onde lançamos a companhia. Isso foi há seis anos.

Uma decisão bem difícil, eu imagino.

Gaston Frydlewski   – Sim, foi uma decisão muito difícil mesmo. Hoje, quando olho para trás penso como fui insano. Imagine minha mãe, me chamando de louco, dizendo que pedi demissão do banco por causa da minha invenção para os calçados.

Você ouviu seu coração, certo?

Gaston Frydlewski   – Sim, mas não só isso. Pulei em uma aventura. Sabendo que iria ter tempos difíceis e bons. Agora está tudo caminhando bem, mas tivemos várias dificuldades no início. Alguns acham que sou brilhante, outras que sou louco, acho que sou uma mistura dos dois.

Agora você já tem uma fábrica em Nova York?

Gaston Frydlewski   – Não, não temos nossa própria fábrica, nós contratamos uma fábrica no México que faz tudo para nós. Agora temos uma na China também e nossos planos, se os negócios corresponderem, é contratar mais uma no Brasil. A ideia é ter fábricas próximas aos nossos principais mercados. O Estados Unidos é nosso principal mercado e a China, o segundo. Acreditamos que o Brasil será o terceiro.

Em quantos países vendem o sistema?

Gaston Frydlewski   – Hoje vendemos em 47 países. Este ano nossa meta é vender 2 milhões de packs e no ano que vem dobrar esse número.

Então agora você é um homem rico?

Gaston Frydlewski   – Não. A empresa está indo muito bem, mas eu continuo um homem pobre.

Qual sua meta de venda para o mercado brasileiro?

Gaston Frydlewski -Veja, quando você olha o tamanho do mercado das Havaiana aqui, vemos que o consumidor brasileiro é o que tem maior potencial para Hickies em todo mundo. Porque o brasileiro gosta de cores nos seus calçados, entendem e apreciam esse tipo de material nos calçados e acredito que o consumidor aqui está totalmente pronto para esse produto. Há também packs com cristais da Swarovski para as mulheres e também modelos mais fashions e mais performance. É o que acreditamos, queremos celebrar a combinação das cores e elementos com o design, e fica ótimo quando você os coloca nos tênis. No Brasil vamos lançar primeiro as coleções com cores, e cada pack vai custar R$39,90

 

 

 

 

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