Cipó de Tupanatinga

Cipó de Tupanatinga

SILVIA HERRERA

06 de novembro de 2015 | 17h32

Ao ver Franck Caldeira conquistar o ouro na maratona  do Pan 2007, Wellington Bezerra, mais conhecido por Cipó, virou fã e decidiu que trilharia o mesmo caminho. Hoje ele é líder do ranking brasileiro de corrida de rua e vai disputar a etapa de São Paulo do Brazil Run Series/Circuito de Corridas CAIXA, dia 22, para consolidar sua posição.

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Natural de Tupanatinga, interior do Pernambuco, Wellington quer dar passos ainda maiores na próxima temporada. “Não descarto a chance de buscar o índice para a Olimpíada de 2016. Quem sabe vou tentar na maratona, como o Franck Caldeira”, diz o fundista, que treina na equipe do Cruzeiro.

Apoiado por comerciantes de Buíque, ele disputou com um amigo pela primeira vez a Corrida Internacional de São Silvestre. Wellington tinha passagens de ida e volta, mas, inspirado pela vitória de Franck Caldeira, decidiu ficar em São Paulo e apostar tudo na carreira como atleta. Encontrou emprego como ajudante de jardineiro em Barueri e  voltava correndo para a casa que dividia com o irmão do amigo, em Itapevi. Acabou chamando a atenção do treinador Clóvis Estevão.

“O atletismo me deu muitas coisas boas. Estou me formando em Educação Física, e também ajudei minha irmã a pagar os dois primeiros anos da faculdade dela. Também conheci muita gente boa”, diz Wellington. O fundista mora com a irmã em Santana do Parnaíba, São Paulo, e tem outro irmão morando com os pais, em Buíque.

Com a palavra Bezerra:

O início em Buíque, Pernambuco:
Comecei a correr sozinho, sem treinador, sem nenhuma orientação. Mesmo assim, ficava sempre entre os cinco primeiros colocados, nas provas da região. Não tinha patrocínio, os comerciantes é que ajudavam com algum dinheiro para transporte, por exemplo, ou um bolo, um refrigerante… Eu corria na base da vontade, mesmo.
A vinda a São Paulo, em 2008:
Os comerciantes de Buíque se juntaram e fizeram uma proposta para mim e um amigo meu, o Cícero, pra gente disputar a São Silvestre, em São Paulo. Eles nos deram passagens de ida e volta, para ir competir. Eu e o Cícero também fizemos uma rifa pra conseguir uma grana, para os dias que a gente ficaria em São Paulo. Foram três dias na estrada, de Pernambuco a São Paulo. Cheguei dia 28 de dezembro. Já tinha decidido que, se conseguisse arranjar um trabalho, ficaria em São Paulo.
A rotina puxada em São Paulo:
“O Cícero conseguiu que eu ficasse na casa do irmão dele, em Itapevi. E o irmão dele me arranjou um emprego de ajudante de jardineiro. Eu trabalhava o dia inteiro em Aldeia da Serra, ia de trem. E à noite voltava correndo, para treinar. No fim de semana, ainda trabalhava como feirante, pra juntar mais uma grana. Foi nessa época, no início de 2009, que eu conheci o Clóvis Estevão, técnico do Grêmio Recreativo Barueri. Ele começou a me orientar, viu minha dedicação e passou a me dar R$120,00 para a condução, todo mês.”
Primeiras competições pelo Grêmio Recreativo Barueri:
“Em 2010, eu disputei o Campeonato Brasileiro de Cross Country, em Santa Catarina. De repente estava perto de todos aqueles atletas que sempre admirei. O Franck Caldeira, o José Telles, o Claudir Rodrigues. Foi muito bom competir ao lado deles. E também competi pela primeira vez como atleta de elite, naquele ano, na corrida Zumbi dos Palmares, em São Paulo. Fui o 14º colocado. Para a primeira corrida na elite, estava bom!
Evolução:
Fui melhorando, cada vez um pouquinho mais. Naquela primeira São Silvestre que disputei, tinha sido o 596º. Em 2011, fui o 26º, e em 2013, fui o 12º, e o segundo brasileiro. Cheguei a liderar durante metade da prova. Em 2014, já com mais experiência e conhecimento, ganhei a Corrida de Reis, em Brasília, uma corrida bem tradicional.
Temporada 2015:
Eu planejava disputar mais as meia-maratonas, onde vinha ficando sempre entre os primeiros. Escolhi disputar menos provas, com mais qualidade. Depois é que entrei nas provas do Circuito CAIXA, e fui bem.
Cruzeiro:
Era um sonho fazer parte do Cruzeiro, uma equipe muito boa de Minas Gerais. Entrar para uma equipe grande como essa, com uma boa estrutura, local para treinar, médico para quando eu precisar, dá mais tranquilidade nos treinos. Fui participar de uma corrida em Belo Horizonte e aproveitei para conhecer a sede do clube. Gostei muito!
O apelido:
Logo que cheguei em São Paulo, fui participar de uma corrida em Mogi das Cruzes, e um amigo me apresentou a um cara que me disse ‘rapaz, você parece um cipó’. Aí o apelido pegou. Hoje todo mundo me conhece como Cipó.

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