Circuito Bota Pra Correr retoma revigorado com etapa Rio do Vento

Circuito Bota Pra Correr retoma revigorado com etapa Rio do Vento

Evento da Olympikus reforçou o compromisso da marca com o meio ambiente

SILVIA HERRERA

13 de setembro de 2021 | 15h46

Você sabe onde fica Ruy Barbosa? Acertou quem pensou Rio Grande do Norte. É uma cidade fincada no agreste a 1h30 meia de carro da capital. Ela é uma das quatro cidades (Caiçara do Rio do Vento, Bento Fernandes e Riachuelo) que fazem parte dos Parques Eólicos Rio do Vento, projeto que já está gerando energia limpa para 4 milhões de pessoas e, em breve, vai dobrar essa quantidade. E foi justamente nesse local que a Olympikus resolveu reforçar sua mensagem de compromisso com o meio ambiente para divulgar que a partir de 2022 usará 100% de energia limpa desse complexo na sua produção. Local escolhido há dois meses para ser realizada esta etapa histórica de retomada do circuito Bota Pra Correr, provas com infraestrutura focada na sustentabilidade e na preservação do o meio ambiente, sempre realizadas em paraísos da natureza brasileira. No caso do Rio do Vento, foi a primeira corrida da história do lugar, realizada na manhã deste domingo, 12 de setembro de 2021.

36 pessoas participaram do Bota Pra Correr Rio do Vento, em RN. Foto Divulgação Olympikus

Para este ano, ela será a única etapa deste circuito, que para 2022 deverá ter duas provas que serão divulgadas em breve. Ainda em 2021, se a pandemia deixar, a Olympikus vai marcar presença como patrocinadora da Maratona do Rio, que está prevista para 15 de novembro. “Estamos tentando construir uma marca na qual as pessoas tenham muito orgulho no Brasil. É possível sim termos uma marca brasileira esportiva que disputa mercado com as grandes marcas internacionais e, de alguma maneira, começa de fato a construir valor e significado para que as pessoas nos escolham”, pontuou Márcio Callage, diretor de Marketing da Olympikus.

Marcio Callage, diretor de Marketing da Olympikus

Além de anunciar a opção por uma matriz energética de energia limpa e a preocupação com a emissão de CO2, a Olympikus lançou uma edição limitada do tênis de corrida de rua  Corre1, a  Eco (R$ 499,90), que tem palmilha feita com EVA verde, produzido a partir da cana-de-açúcar e uma camada superior composta por fios de poliéster 100% reciclado, e borracha natural extraída da seringueira.

Para esta etapa do Bota pra Correr foram convidados 36 corredores de rua, entre funcionários do Rio do Vento, colaboradores da Vulcabras, que inclusive fez um concurso interno, do melhor vídeo para redes sociais, para escolher dois deles: Hemilly Lopes e Daniel Rodrigues; corredores de lojas parceiras, celebridades, influencers e jornalistas. Tive a honra de ser um deles.

A 72 horas do embarque, todos fizeram o teste de Covid, que foi repetido a 24 horas da corrida em Timbaú do Sul, onde fomos hospedados no Spa da Alma, uma pousada com uma energia singular, na praia da Pipa com chalés de frente para o mar. Devidamente testados poderíamos correr sem o uso de máscaras. Todos testaram negativo. Aliás, outra preocupação era ambiental. Nada de plástico, tudo que nos foi entregue era de papel reciclado ou de madeira.

FORMATO INOVADOR

O integrante mais lento definiria o ritmo da corrida do grupo. Na foto o meu time, o vermelho

Desenvolvida por Silvia Guimarães (Shubi), a prova foi detalhada por ela aos corredores no sábado de manhã. Ela é uma das principais referências mundiais em corrida de aventura e endurance. Ou seja, com certeza haveria alguma emoção reservada, atém da experiência de correr por entre os gigantes geradores eólicos, com suas hélices de 150 metros de diâmetro que passam a 15 metros do solo.

A prova seria domingo, uma corrida de 16km com largada às 8h e formato inovador. Seriam seis grupos, de seis pessoas cada. Os grupos seriam definidos pela organização, mesclando os membros entre os vários tipos de convidados. Não haveria pódio e o tempo não importaria. O objetivo seria cada grupo cruzar a linha de chegada com todos os integrantes juntos, ou seja, o mais lento determinaria o ritmo da prova. Uma prova para celebrar o reencontro com a corrida depois de mais de um ano de pandemia e mostrar que é possível fazer um evento esportivo em um paraíso brasileiro sem causar impacto à natureza.

O trajeto seria dividido em 4 pernas: na primeira (5km) correriam dois integrantes no mínimo, na segunda (3,7km) três, na terceira (3,7km) quatro e na quarta (3,6km) os seis. Sendo que um integrante teria que correr todas as etapas, nas outras poderia ter revezamento, e na última etapa, um dos integrantes teria que correr só esta.  O líder faria a estratégia e entregaria o número de peito correspondente. O número 1 correria a largada e o número 6, a última perna. Os demais, as intermediárias e a última.

CORRE 1 ECO – No kit de participação veio: mochila, sacochila, copo de silicone (para a hidratação individual durante a prova), a camiseta da prova mais duas outras, meia, viseira, shorts, legging e tops, calça e blusão de moletom e o tênis Olympikus Corre 1 Eco. Este calçado superou todas as minhas expectativas. Além da pegada ambiental, é lindo, leve, superconfortável, com cabedal bem respirável e que não esquenta o pé nem no sertão nordestino. Amaciei o tênis dois dias e na corrida foi testado ao limite. Corri na areia, no barro, na terra, no cascalho.

Olympikus Corre 1 edição limitada ECO

Os 36 corredores foram divididos nos seis grupos: vermelho, roxo, rosa, amarelo, verde e azul. (confira os nomes abaixo). A minha equipe foi a primeira anunciada, a vermelha. O líder era o modelo haitiano e influenciador  Jean Woolmay Maiden, que tem pace médio de 4 minutos e é um dos embaixadores da Olympikus. Baita corredor bom, super gente boa e um líder nato, daquele que não deixa ninguém na mão. Como o meu pace era o mais lento da turma, ele perguntou se eu preferia correr as duas últimas pernas ou só a última. Optei pela segunda opção, pra não ser a âncora do time. Em seguida fomos correr no Chapadão da Pipa para as equipes se conhecerem melhor. Era um circuito de 1km, no mínimo cada um correu duas voltas. Eu dei três. O Maiden deve ter dado umas dez.

OLHE PARA O HORIZONTE E SORRIA

O embaixador da Olympikus e treinador Ademir Paulino foi um dos convidados e nos deu orientações de ouro: começar a hidratação já, preparar as pernas porque a altimetria da prova seria brutal: subida de 400m; e principalmente cuidar do psicológico: olhar para o horizonte e sorrir. Falei para o Ademir que minha frequência bateu 175 por causa do sol lá no treino. E ele me aconselhou a não olhar para meu relógio durante a prova. Obedeci a todas as recomendações.  E fui aproveitar a tarde live para mergulhar na piscina e fazer uma massagem.

No domingo, acordamos às 4 da madrugada, tomamos café e zarpamos às 5h.  Fomos de van para o Rio do Vento, seria 1h30 de trajeto. Bati um longo papo com a Rosemeire Dias, que se sentou ao meu lado. Ela é ASG (Auxiliar de Serviços Gerais) no parque e adora correr. Contou que foi a primeira vez que tinha ido à Pipa, que amou tudo, e que estava ansiosa por correr no Rio do Vento, já que iríamos percorrer algumas partes onde é proibido pedestres. Ela mora em um sítio bem próximo. Aliás, ela contou que lá não chove há mais de um ano, apenas pequenas e rápidas garoas. E que seria histórico poder correr no local, onde nunca tem absolutamente nenhum evento esportivo.

CORRIDA INESQUECÍVEL

Equipe Vermelha: Ederio Munford, Silvia Herrera, André Martinelli, Katia Buriol, Thomas Ventre e Woolmay Maiden

Foi dada a largada às 9h. Na primeira perna do meu time: Woolmay e André Martinelli, que também correria todo o trajeto. A primeira equipe a passar pelo revezamento foi a roxa, liderada pela  Val, que se desgarrou mais de 10 minutos do segundo time para orgulho da mulherada. Aliás, ela liderou de ponta a ponta. Na primeira perna, meu time passou em quarto. Posição que manteve até a minha perna. Quando larguei, Woolmay veio correr ao meu lado, a perna começava com uma ladeira brutal, a qual finalizamos caminhando. Ele me disse: “Silvia, o pessoal está bem cansando, você parece que está bem mais vai se cansar muito também. Vai indo no seu ritmo até cansar, aí vamos juntos até o final”.

Comecei a correr e André foi comigo, finalizamos o primeiro km juntos. Foi incrível correr perto daqueles gigantes cata-ventos. André me deu altos toques de respiração, de corrida em aclive etc. O calor era insano. Ele falou para eu ir indo no meu pace e esperar por ele no primeiro posto de hidratação. Estava me sentindo bem e fui. No posto de hidratação tomei um banho de copo de água gelada. Apareceu o André. Ele disse para eu seguir sozinha e esperar o time no próximo posto de hidratação, que ele iria ajudar a empurrar o time. Só que nós não sabíamos que não haveria outro posto de hidratação…

Agora o caminho era entre roças, tudo bem seco, muitos cactos, estrada de terra, no limite do Rio do Vento. Ninguém à frente nem atrás e fui indo, era uma perna de quase 3,6k no total, cheia de descidas e algumas subidas.  Passado mais um 1km, nada de hidratação, continuei. O caminho era marcado por fitinhas amarelas nas cercas. Uns dez minutos mais pra frente comecei a ouvir vozes me chamando bem próximas: Silvinha!  Fiquei feliz, achei que fossem do meu time. Que nada, era de outro time que tinha ultrapassado o meu.  Foi bem engraçado. Aí parei e fiquei esperando o meu time para seguimos juntos, o que demorou uns 3 minutos. Entramos por uma porteira, um descidão. Eu na frente, e não vi que era para virar à esquerda no baixadão e fomos subindo errado. Por sorte, a criançada que assistia do alto do morro começou a gritar: “Tá errado!”. Graças a Deus, essa trapalhada durou apenas uns 6 segundos no máximo. Bota pra correr e  voltar pro local certo.

Lucas Manoel e Rosemeire Dias da equipe Azul

Entramos numa picada dentro do agreste, numa trilha apertada que só cabia um, rodeada de arbustos secos. Me senti uma integrante do bando do Lampião. Um calor que nunca senti antes, parecia que estávamos correndo dentro de uma sauna seca, a quentura vinha do solo e se encontrava com o calor do sol. Ali, eu já era a última do time. Woolmay me deu uma baita ajuda, começou a puxar minha camisa, me empurrar por trás. Lembrei das palavras do Ademir e consegui me recuperar. Logo já estava puxando o time. E vimos que a chegada se aproximava. Woolmay pediu para todos se darem as mãos para cruzarmos juntos a linha de chegada. Fui muito emocionante.  De presente recebemos um canudo, dentro dele uma litogravura impressa em tecido que vou emoldurar. Vou guardar cada minuto dessa corrida no coração, para contar um dia para meus netos, que participei desse momento histórico, dos pés reencontrando a corrida no “Novo Normal”. E que vislumbrei que há um caminho possível para o Brasil, investindo em energia limpa e levando riqueza para os brasileiros que mais precisam. É possível correr em busca de um novo futuro, em harmonia com o meio ambiente. Muito grata Olympikus pelo convite.

 

TIMES

36 pessoas participaram do Bota Pra Correr Rio do Vento em RN

VERMELHO: Woolmay Maiden, Ederio Munford, Katia Buriol, Silvia Herrera, André Martinelli e Thomas Ventre

VERDE: Eduardo Suzuki, Marcelo Sakate, Paula Amorim, Marcos de Paula, Juliana Cassino e Alexsandro de Sena

AMARELO: Amaury Sobrinho, Chico Salgado, Suellen Campana, Vanessa Lopes, Wagner Giannella e Rener Araújo

ROSA: Ademir Paulino, Breno Simões, Marcelo Domiciano, Bárbara Coelho, Laurizete Assis e Daniel Rodrigues

ROXO: Emanuel Santos, Valeria Mello, Jose Ildo Gomes, Hemilly Lopes, Alexandre Estefano e Thiago Martins

AZUL: Clayton Conservani, Andrea Estevam, Danrley Ferreira, Karina Texeira, Lucas Manoel e Rosimeire Dias

 

 

 

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