Com a palavra: Paulo André

Com a palavra: Paulo André

No evento dos 50 anos da Nike, o velocista, que se tornou uma celebridade no BBB, foi um dos destaques

SILVIA HERRERA

09 de junho de 2022 | 11h00

Alguns não sabem, a Nike foi criada por dois visionários, o treinador de atletismo Bill Bowerman e o jovem empreendedor Phil Knight, recém-formado em Stanford. Eles começaram informalmente revendendo tênis da Tiger (Asics) no porta-malas, nos campeonatos de atletismo. Depois fundaram uma pequena distribuidora, a Blue Ribbon Sports, que abriu a primeira loja em Santa Mônica, no dia 25 de janeiro de 1967. O negócio prosperou e em 1972 criaram a marca Nike, que está completando 50 anos, e se tornou gigante em todo o planeta.

P.A. é a nova celebridade  do atletismo brasileiro

E aqui no Brasil,  a Nike celebrou os 50 anos da marca no sábado, quando apresentou os novos equipamentos esportivos no Parque Ibirapuera com talks, ativações e experiências, destacando a parceria com a Úrbia e a sua jornada de propósito. Inauguraram duas quadras de areia, uma de basquete e uma de futebol society. Um dos talks foi no Planetário, com apresentação de Felipe Andreoli e a Rafa Brites, com a presença de vários atletas e projetos sociais patrocinados pela marca. E, entre os homenageados, estava Paulo André Camilo, o PA, o velocista que se transformou em celebridade no último BBB, passando de 10 mil seguidores no Instagram para 10 milhões!

Como todo atleta da elite, PA, que é patrocinado pela Nike desde 2015, sonha com o ouro olímpico. “É isso que me motiva, o dia que eu acordar e não tiver o sonho da medalha olímpica posso me aposentar”, contou o velocista, que concedeu entrevista para o blog. O atleta de 23 anos está curtindo cada segundo dos seus 15 minutos de fama, e não crava uma data para voltar aos treinos do alto rendimento, o que pode ocorrer ainda este ano, ou no ano que vem, neste caso, tornando o sonho olímpico mais difícil.

Paulo André Camilo (UNIP-ES) conquistou, em julho de 2019,  ouro dos 10 m da Universíade de Nápoles, o Campeonato Mundial Universitário, na Itália, com o tempo de 10.09 (-0.1). Foto Divulgação CBAt

Como começou sua parceria com a Nike?
PA– Quando estava na categoria dos 15 aos 17,  em 2015, bati o recorde sul-americano de menores dos 100 metros rasos (marca de 10.33 – setembro de 2015). Depois da competição me falaram que tinha um olheiro da Nike, que iriam entrar em contato comigo, achei que era zoeira. Mas era verdade, e logo depois o pessoal da Nike foi em casa. Lembro que levaram uma sapatilha (calçado específico para pista) e dois bonés. Desci as escadas e comecei a correr no condomínio inteiro de felicidade! E até hoje, sempre que ganho um boné fico com a mesma alegria. A Nike é uma família, te ajuda a melhorar dentro do esporte, que o que te transforma.

“TUDO ACONTECEU MUITO RÁPIDO,
MAS O PRIMEIRO PASSO É ACREDITAR”

Quem é seu espelho no atletismo?
PA– Meu pai (Carlos Camilo, treinador e ex-velocista) me inspirou e me inspira muito. E, quando ele era velocista dos 100m rasos, nas décadas de 1970 e 1980, na mesma mandava melhor do que eu. Foi ele quem me convidou para correr. E aos poucos fui me apaixonando pelo esporte. E até hoje ele é meu técnico, e principal incentivador por eu ter chegado aonde cheguei. Mas também admiro muito o Airton Senna, que infelizmente não tive contato. Ele foi um fenômeno, um dos maiores nomes do esporte do mundo. Um exemplo até fora das pistas. Li uma entrevista dele, na qual ele declarou que o objetivo dele era ser uma pessoa melhor a cada dia. E isso não tem preço. Ele é meu exemplo dentro e fora das pistas. Quando eu tinha 14 anos, meu pai me colocou contra a parede: ‘Tem noção de tudo que você pode conquistar no esporte?’ Eu dizia que sim, mas na verdade não fazia ideia. Tudo aconteceu muito rápido. Mas o primeiro passo é acreditar. Parece clichê, mas tem que fazer isso, se sentir capaz de alcançar seus objetivos. Se conecte com Deus, que ele vai te ajudar a realizar seu sonho. E a dica que tenho para dar é trabalho. O talento sem trabalho não é nada. Você tem que dar o sangue para conquistar seu objetivo. A Nike, por exemplo, só trabalha com os melhores. Não existe uma cobrança, mas o atleta sabe de suas responsabilidades.

Você pensava em entrar no BBB? O P.A. que entrou na casa foi o mesmo que saiu?
PA – Participar do BBB nunca foi um foco, mas a oportunidade bateu na porta. E sabia que se eu conseguisse uma boa trajetória na casa seria algo positivo, não só para minha vida pessoal, mas na vida profissional também. Então, hoje minha missão é essa, transcender tudo isso. Deixamos as coisas acontecerem naturalmente, com isso, ganhamos uma fluidez para o meu trabalho. Mas hoje tenho uma responsabilidade muito grande. Tenho um compromisso com o esporte, sou um porta-voz dentro do atletismo. E minha missão é trazer tudo de positivo que eu possa para o esporte, principalmente o atletismo.

“A MODA HOJE É UM DESAFIO
 QUE ESTOU ENCARANDO”

O que mais te marcou da prata dos 100m rasos no Pan-Americano de Lima, em 2019?
PA – Um mês antes do Pan, eu me lesionei e tive que ficar um tempo parado me recuperando. Por isso, minha ida estava até em risco. Me dediquei muito. Fiz intensivos para me recuperar mais rápido. Tive resiliência para poder aprender com aquela situação e rapidamente me recuperar para chegar no Pan e conseguir essa prata. Essa recuperação foi o que mais me marcou dessa competição. E dentro do Pan, a final foi muito bonita e consegui sair com essa prata histórica.

E os treinos, quando você vai recomeçar?
PA – Agora vou aproveitar este momento único, que nunca mais vai voltar. Meu objetivo agora é criar uma estrutura para voltar em alto nível aos poucos, até porque conciliar as duas coisas é muito difícil. Por enquanto não posso dar certeza de nada. Posso voltar ainda este ano, ou não.

Como foi a experiência de modelo na SPFW?
PA – É sempre bom ter novos desafios, sou movido a isso. E a moda hoje é um desafio que estou encarando e que estou gostando bastante.

E a pergunta que todo corredor de rua quer saber. Quando você corre fora das pistas, qual seu tênis preferido?
PA – Só treino só na pista, mas fora dela, uso sempre o Nike Air Zoom Pegasus 39, gosto muito dele. Ele é um tênis muito especial.

Vamos ver você quebrar o recorde do Robson Caetano da Silva nos 100m?
PA – Temos que esperar isso dos atletas da nova geração, não só eu, são atletas que estão correndo muito bem. Claro que quero bater esse recorde, mas tem muitos atletas bons que têm chances de bater os 10 segundos, e temos que torcer para essa marca ser quebrada o quanto antes.

E qual sua dica para os corredores de rua?
PA – É importante os corredores de rua incluírem a pista nos treinos. Ter essa conexão com a pista. A galera da corrida de rua, os maratonistas da elite, tem um psicológico muito forte para manter a velocidade durante muito tempo, com foco para conseguir concluir os 42km. Na real, são pessoas que têm uma garra e uma determinação muito fortes. E é isso, nunca desistam dos seus sonhos e continuem a trabalhar bastante para alcançar os objetivos.

Clique aqui para conferir a mensagem de PA para os leitores do blog.

 

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