Como “correr” da ansiedade

Como “correr” da ansiedade

Durante o isolamento é bom tomar alguns cuidados. Confira as dicas da psicóloga Silvia Cury Ismael

SILVIA HERRERA

05 de abril de 2020 | 12h00

Nosso dia a dia está de cabeça para baixo. Tiro por mim. De manhã é faxinar a casa, ajudar o filho com as aulas online e, um pouco antes do almoço, tentar praticar algum esporte – nem que seja dar piques nos 15 degraus da escada de casa – para não pirar. Fazer o almoço e trabalhar (home-office) e,  se der , mais atividade física,  via Instagram ou Zoom, YouTube, ou da minha cabeça mesmo.

Durante o home-office assisto todos os telejornais do mundo, vou zapeando. Os casos são chocantes, começo até achar que vai me dar dor de garganta. Para não me transformar num vetor da transmissão da Covid-19 estou em casa com meu filho de 14 anos desde o dia 18 de março. Só saiu de máscara, pra comprar alimentos. A maioria dos meus vizinhos é idosa.

Como para muitos de meus leitores, a corrida é para mim uma válvula de escape, um calmante natural. Costumo dizer que prefiro gastar com esporte do que com remédios…  Mas, pensando no próximo, não corri mais na rua. Segundo a ciência, o único remédio para essa bagaça é o isolamento social, prática adotada em todo o mundo. E para isso, o importante é manter a calma e correr da ansiedade! Mas como correr da ansiedade?

Para ajudar nessa missão, a gerente de Psicologia do HCor, Silvia Cury Ismael explica que é necessário ficar atento para que os impactos negativos relacionados à quarentena não tragam consequências à saúde. Estresse agudo, humor deprimido, irritabilidade, sono desregulado, exaustão emocional, nervosismo, medo, raiva, ansiedade e preocupação com futuro estão entre os problemas que podem surgir durante o isolamento.  Confira abaixo as dicas da minha xará do Hcor, dra Silvia Cury Ismael.

Como lidar com o isolamento social – cobrar-se para ser produtivo nesse momento de quarentena não é adequado, pois é normal nos sentirmos paralisados. Estamos vivenciando uma situação atípica, de estresse e de preocupação. Aos poucos, podemos estabelecer uma rotina e planejar nossas obrigações. Manter a tranquilidade em casa é o exercício de internalizar que, apesar de estarmos em um momento delicado, é preciso ter calma. Precisamos ter responsabilidade social, confiar nas autoridades competentes e nos profissionais de saúde. Cuide-se: nos períodos de maior estresse, foque nas suas necessidades e envolva-se em atividades que goste e ache relaxante. Se exercitar (mesmo que na sala), não alterar a rotina de sono e comer alimentos saudáveis sempre é uma boa.

Evite a vitimização –  mudanças e perdas fazem parte do cenário da vida, mas é possível superá-las.

Não cultive o pessimismo –  procure ater-se aos fatos e à realidade, buscando enxergar não apenas os problemas, mas possíveis soluções.

Evite o ócio: a paralisação pelo medo ou o desânimo podem contribuir para o aumento dos sentimentos de desamparo e descontrole.

Procure manter-se ativo: organize uma rotina de atividades, minimizando as angústias e inseguranças que possam surgir. Atividades manuais, intelectuais e físicas são excelentes alternativas.

Aprenda a reconhecer os sintomas mais comuns da ansiedade – enxergar perigo em tudo, buscar comida a toda hora, principalmente doces, alterações de sono, dores musculares, ter preocupação em excesso, sentir que está perto de entrar em pânico, ficar muito agitado e ter alguns medos irracionais. A ansiedade pode ainda gerar alguns desconfortos físicos, como sudorese, falta de ar, taquicardia, boca seca, tonturas e náuseas. Caso esteja sendo muito difícil para você, busque ajuda especializada. Diversos profissionais e serviços têm se disponibilizado a atender em regimes especiais (plantões, atendimentos por videoconferências) e estão acessíveis para ajudar no enfrentamento dos aspectos emocionais suscitados pela pandemia.

 

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