Como driblar a dor de cabeça

Como driblar a dor de cabeça

SILVIA HERRERA

01 Janeiro 2018 | 10h10

Exagerou na dose? É sedentário? No quesito dor, quem pratica corrida de rua leva vantagem e sente menos dores. Confira entrevista com especialista sobre o assunto. #dor #corridaderua #BlogCorridaParaTodos

caminhada da SBED

Paulo Renato da Fonseca, médico e diretor científico da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor ( SBED). Ele luta contra a balança e sabe que o melhor remédio é a atividade física. “Atualmente tenho feito caminhadas regulares de 3 quilômetros, três vezes na semana, sempre acompanhado de minha cadelinha Raika, isso tem feito muito bem aos dois!”, conta.

Mas voltando o quesito dor de cabeça, bem apropriada para o primeiro dia do ano, segundo  a pesquisa “A Dor no Cotidiano 2017, realizada por Advil com o apoio do IBOPE CONECTA, apontam que o trabalho é a atividade mais impactada pela dor, com 56% das respostas dos participantes. Na sequência, são citados estudos (25%), compromissos pessoais (19%) e sono (18%). É quando a dor de cabeça é tamanha que te impede de fazer algo com excelência. E a campeã das dores, é a de cabeça.

O equilíbrio entre vida pessoal, profissional e familiar, uma boa alimentação, descanso e atividade física adequados são a chave para tentar proteger-se da dor de cabeça. A pesquisa contemplou 1.954 entrevistas, realizadas pela Internet com homens e mulheres, acima dos 16 anos, das classes ABC, em todo País, com base proporcional à da população de internautas do Brasil. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais com 95% de confiança.

A corrida e a caminhada podem ajudar no combate as dores de cabeça? Por que? Como?

Paulo Renato da Fonseca – As atividades aeróbicas como correr e caminhar podem aliviar o sofrimento das pessoas que sofrem por dores crônicas, inclusive muitos tipos de dores de cabeça. A saúde que vem com os movimentos do corpo previne e retarda os processos degenerativos musculoesqueléticos que ocorrem com o envelhecer, tais como a osteoartrite e a osteoporose. Os efeitos da atividade física no corpo humano são muito parecidos com o dos antidepressivos, que em boa parte também são analgésicos. No entanto, não devemos esquecer que nenhum tipo de atividade é boa para todas as pessoas, existem alguns tipos de dores de cabeça que inclusive podem ser desencadeadas por atividade física, a chamada cefaleia induzida por exercícios. Recomendo sempre a avaliação e acompanhamento com fisioterapeuta e/ou profissional de educação física das pessoas que querem mudar sua condição sedentária e aderir ao saudável hábito da atividade física regular.

A atividade física pode ser uma arma contra o stress? Por que?

Paulo Renato da Fonseca – O stress gerado pela vida moderna pode ser amenizado quando se propõe hábitos mais saudáveis de alimentação, sono reparador e atividade física regular. Vários estudos têm demonstrado que a alternância de hábitos sedentários por uma prática leve como uma caminhada de 20 minutos por 3 a 4 vezes na semana pode prevenir doenças cardiovasculares como a hipertensão e as dislipidemias melhorando a reserva cardio-respiratória. Com o envelhecer vamos perdendo naturalmente massa muscular e o impacto que ocorre sobre o esqueleto quando nos exercitamos ajuda na regeneração dos tecidos cartilaginosos e ósseos, assim como aumenta nossa massa muscular, a chamada massa magra, reduzindo o percentual de gordura. A socialização, novas metas e objetivos de vida vem acompanhando os atletas que buscam qualidade de vida e longevidade, por esse motivo vemos a crescente febre das corridas de rua que num país tropical como o Brasil, além de saudável para o corpo, também é lúdico e anti-stress.

O senhor pratica corrida ou alguma atividade física? Qual? Com qual frequência?

Paulo Renato da Fonseca –  Eu sou hipertenso e com tendências para obesidade. O sedentarismo e a luta sobre a balança para controlar o peso eu trago desde a adolescência. A prática regular, mesmo que leve associada a um treino de força, pode mudar meus níveis de pressão arterial. Sou um exemplo de pessoa que alterna momentos de grande entusiasmo pela corrida de rua com momentos de grande preguiça e desânimo. Costumo dizer que uma das coisas mais difíceis na vida é a mudança de hábitos de vida, pois é mudar o que naturalmente você mais gosta de fazer.

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