Como evitar a trombose

Como evitar a trombose

SILVIA HERRERA

13 Outubro 2018 | 15h42

13 de outubro é o dia Mundial da Trombose, mal que mata uma pessoa a cada 37 segundos em todo o mundo. A corrida evita o mal, porém não elimina o risco. #trombose #corridaderua #BlogCorridaParaTodos

Sempre observo veias bem saltadas nas pernas dos corredores, será é sintoma de que algo vai mal? Mas o que será trombose? Minha prima teve no início do ano e foi um corre-corre danado. Agora que está melhorando. Para explicar o tema entrevistamos Suely Meireles Rezende, hematologista, professora do departamento de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e integrante do conselho diretor da International Society on Thrombosis and Haemostasis (ISTH).

Ela explica que quem corre com regularidade ou pratica caminhadas rápidas não está livre da trombose, mas em menor risco que os sedentários. Por ano milhares de pessoas são acometidos por esta doença. Trombose é um trombo, ou seja, um coágulo sanguíneo – que pode causar enfarte, acidente vascular cerebral (AVC) e o tromboembolismo venoso (TVE).

Assim como em todas as doenças, quanto mais cedo for diagnosticada, maiores são as chances de cura. No caso da trombose, se descoberta logo, o tratamento com medicações anticoagulantes já dá resultado. Algumas pessoas não podem realizar tratamentos medicamentosos. Então, nestes casos, a solução é esperar que o próprio organismo reaja desobstruindo a veia entupida. Já em situações mais graves, a recomendação é de cirurgia.

Dra Sueliy explica que quem já teve trombose deve praticar atividade física após  a alta: “o indivíduo que teve um evento trombótico deve ser estimulado a praticar atividades físicas, principalmente aeróbicas (exemplo: caminhada, bicicleta, esteira etc), desde que não haja contra-indicação para tal, sob orientação médica e após a resolução do quando trombótico”.

Se um corredor de rua tiver trombose, a resolução do quadro demora cerca de três meses, quando os treinos podem ser retomados, desde que o paciente tenha aprovação do médico. Em alguns casos, a prática de exercícios pode ser até vetada. “É importante frisar que estamos falando de todos os tipos de trombose, sem levar em conta modalidades específicas, idade do paciente e outras doenças que o paciente possa ter etc”, observa a hematologista.

Assim como em todas as doenças, quanto mais cedo for diagnosticada, maiores são as chances de cura. No caso da trombose, se descoberta logo, o tratamento com medicações anticoagulantes já dá resultado. Algumas pessoas não podem realizar tratamentos medicamentosos. Então, nestes casos, a solução é esperar que o próprio organismo reaja desobstruindo a veia entupida. Já em situações mais graves, a recomendação é de cirurgia.

 

Confira abaixo 10 dicas sobre a trombose, feitas a partir de dados do Ministério da Saúde, World Health Organization (WHO) e Journal of Thrombosis and Haemostasis.

1 –  tipos mais frequentes: há dois tipos de trombose, cada uma com suas particularidades e consequências: a venosa, que surge a partir de uma veia, e a arterial, caso o coágulo inicial aconteça em uma artéria. No caso da trombose venosa profunda (TVP), os locais mais propícios para a formação de coágulos profundos são as pernas e os braços. Quando esses trombos se desprendem das veias, podem ser levados pela corrente sanguínea até o pulmão ou cérebro, causando embolia pulmonar ou acidente vascular cerebral. No Brasil, a estimativa do Ministério da Saúde é que um ou dois habitantes a cada mil sofram de trombose venosa profunda e embolia pulmonar.

2 – fatores de risco: idade, obesidade, uso de anticoncepcionais combinados, gravidez e pós-parto, câncer, fatores genéticos e a imobilização prolongada, seja devido a internações, traumas, cirurgias, fraturas ou viagens de duração acima de oito horas. Na verdade, a imobilização prolongada é um dos fatores de risco mais comuns de trombose no mundo.

3 – sintomas: quando ocorre nas pernas, os sintomas mais comuns são dor no local onde a trombose está acontecendo, além de inchaço acompanhado ou não por vermelhidão e aumento da temperatura no local. Os sintomas são progressivos, assim, a medida em que o tempo vai passando, a pessoa fica com a “batata da perna” ou coxa endurecida, dolorida e inchada. Mas é importante ficar alerta porque a doença pode acontecer em qualquer lugar do corpo e, algumas vezes, ser assintomática. Em casos mais graves, a trombose pode se estender para a coxa, virilha e pulmões, levando à embolia pulmonar.

4 – Trombose x Gestação: a doença é líder entre as causas de morte ligadas à maternidade em países desenvolvidos, por exemplo, já que a gestação em si é um fator de risco. Estudos mostram que durante a gravidez, o risco de desenvolvimento de um trombo chega a ser 10 vezes maior do que entre as mulheres não gestantes. No período de pós-parto, esse risco chega a ser 20 vezes maior do que uma mulher que não passou pelo processo de gestação.

5 – Trombose X Pílula anticoncepcional: alguns estudos revelam que a pílula anticoncepcional oferece risco relativo quatro vezes maior para o desenvolvimento de trombose em mulheres que fazem uso contínuo e este risco varia de acordo com a idade. Enquanto de 4 a 10 mil mulheres por ano com idade até 34 anos têm a doença, quando a idade é de 35 a 39 anos, passa para de 9 a 10 mil. O risco é ainda maior em casos de mulheres que fumam.

6 – Trombose x Viagens: viagens longas aumentam em até três vezes o risco de tromboembolismo venoso, condição que pode envolver trombose venosa profunda e embolia pulmonar. Isto ocorre pois, durante esse tipo de viagem, o passageiro permanece muito tempo na mesma posição, levando então à alteração no fluxo sanguíneo. A trombose venosa relacionada à viagem também é conhecida como “síndrome da classe econômica”. O risco de embolia pulmonar grave imediatamente após um voo aumenta de acordo com a duração da viagem, variando de zero, em voos com duração inferior a 3 horas, a 4.8 eventos por milhão em voos com duração acima de 12 horas.

7 – Trombose x Obesidade: segundo Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), de 2017, do Ministério da Saúde, após anos de crescimento, a prevalência de obesidade e excesso de peso estagnou nas capitais do país e os brasileiros já demonstram hábitos mais saudáveis. Hoje, 1 em cada 5 (18,9%) brasileiros é obeso. No entanto, mais da metade da população das capitais brasileiras (54,0%) está com excesso de peso. É essa parcela de pessoas que precisa ficar de olho na trombose, já que quem está acima do peso tem tendência a reter sódio, levando ao acúmulo de líquidos, acarretando em uma má circulação. A gordura acumulada dentro dos vasos sanguíneos também contribui para isso. O mau bombeamento do sangue para o corpo associado ao sobrepeso pode causar uma série de complicações e a trombose é uma delas.

8 – Trombose x Idade: ao contrário do que se pensa, a trombose não é uma doença que atinge apenas idosos. O risco de ser acometido pela enfermidade aumenta a partir dos 20 anos. A trombose venosa profunda, por exemplo, é mais frequente em pessoas entre 20 e 40 anos, já ficam muito tempo sentadas ou em pé. Mas existem outros fatores como histórico familiar e distúrbios sanguíneos que também devem ser levados em consideração.

9 – Prevenção: o investimento em prevenção deve ser estimulado. Aos pacientes internados, é importante avaliar o risco de cada um em desenvolver trombose e, mediante um risco alto, deve-se receitar medicamentos anticoagulantes até que o paciente receba alta ou comece a andar. Para todas as pessoas recomenda-se andar e mexer as pernas frequentemente, mantendo-se ativo. Essa é a melhor forma de prevenir a doença.

10 – Tratamentos: depende da veia afetada, do tempo que está obstruída e da extensão do trombo.

 

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