Corra das dietas “milagrosas”

Corra das dietas “milagrosas”

SILVIA HERRERA

07 Janeiro 2018 | 09h10

Como diria minha vó, o melhor “spa” é o esparadrapo na boca. Mas cuidado, depois dos excessos das festas de fim de ano não cai na tentação das dietas que prometem resultados mirabolantes. O alerta é da Associação Brasileira de Nutrologia. #nutrição #dieta #corridaderua #blogcorridaparatodos #nutrologia

Aquele famoso efeito sanfona – engorda, emagrece, engorda – é o pesadelo de muita gente que conheço. Eu, como sou gulosa, resolvo meu problema literalmente correndo dele. E garanto que funciona, desde que seja feita com orientação profissional.

Mas também tem muita gente que fecha a boca, ou mesmo inicia uma atividade física e os ponteiros da balança não se mexem. “Quando alguém inicia alguma forma de restrição alimentar e não perde peso com a rapidez imaginada, entra em uma fase de frustração. O desejo do alimento ‘proibido’ aflora, a pessoa come mais, exagera e se sente culpada. Com isso, fica insatisfeita com o seu corpo e entra no ciclo de uma nova dieta ou restrição alimentar”, conta médico nutrólogo e presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), Dr. Durval Ribas Filho.

Para você ou alguém que você conheça não entrar em uma roubada,  três  nutrólogas da ABRAN analisaram algumas dietas da moda e seus impactos na vida de pacientes. Como tudo na vida, olho vivo em promessas milagrosas e use o bom senso, a reeducação alimentar vale muito mais do que qualquer dieta da moda.

Dieta SIRT:  de acordo com a Dra. Isolda Prado, essa é a dieta “para quem quer emagrecer e ficar jovem”. Ela inclui alguns alimentos específicos, ricos em polifenóis, como uvas, trigo sarraceno, café e chá verde, por exemplo, que, quando associados a um planejamento alimentar hipocalórico, ativam enzimas sirtuínas (responsáveis pela longevidade celular e pelo aumento do metabolismo corporal). “A dieta é indicada a quem deseja incluir grande parte destes alimentos no dia a dia e fazer uma redução na ingestão calórica para o emagrecimento”, diz. Estudos comprovam que o jejum e as dietas hipocalóricas liberam as sirtuínas, que favorecem o antienvelhecimento, e fazem com que se perca peso rapidamente, além de melhorar a qualidade da pele. Contudo, polifenóis como o resveratrol, presente no vinho tinto, também promovem a liberação das sirtuínas. “É importante ressaltar que, apesar de inserir os mesmos alimentos, a dieta se comporta de forma diferente em cada indivíduo e, por mais que a pessoa perca peso, ela não promove uma reeducação alimentar, fundamental em longo prazo”, afirma a médica nutróloga.

Dieta Low Carb:  a Dra. Simone Miranda comenta que a premissa da Low Carb é reduzir a ingestão de carboidratos, o que diminui a insulinemia (necessidade de insulina), e consequentemente a fome. Existem várias versões dessa dieta, mas a mais famosa é a dieta de Atkins – na qual existe um elevado consumo de alimentos proteicos. Ela é indicada para emagrecimento, controle de crises refratárias de epilepsia (cetogênica), e melhora do perfil de resistência insulínica (diabetes tipo 2, pré-diabetes, síndrome metabólica). Uma pesquisa publicada na revista acadêmica Nutrients, da Suíça, em agosto de 2017, analisou mais de 20 dietas da moda e comprovou que a de Atkins foi a melhor para perda de peso em curto prazo (6 meses) e em longo prazo (12 meses). No mais, deve ser evitada por quem tem diabetes tipo 1; hipoglicemia; mulheres grávidas; e pessoas com compulsão alimentar.

Mindfulness Eating: “Temos que entender que mindfulness não é dieta ou restrição alimentar, mas sim um programa”, diz a médica nutróloga Dra. Nádia Juliana Beraldo Goulart Borges. Segundo ela, foca na atenção plena no momento presente, de maneira intencional e sem julgamento – a pessoa precisa fazer uma autoanalise, quais são os sentimentos no momento, os fatores externos no momento da alimentação (barulho, pessoas etc), e com quem está fazendo a refeição. É uma abordagem relativamente recente, por isso, não possui contraindicações evidentes.

Existem alguns princípios básicos no mindful eating:
1 – Permitir a si mesmo estar consciente das oportunidades através da seleção e preparação dos alimentos;
2 – Usar todos os sentidos na escolha do que comer para que seja gratificante e nutritivo para o seu corpo;
3 – Reconhecer respostas dos alimentos sem julgamento;
4 – Se tornar consciente de sua fome e sua saciedade para guiar as decisões de comer e parar;
5 – Fazer as refeições com calma para que o ato de comer não seja automatizado e guiado por influência ambiental.

Por isso, Dra. Nádia recomenda que se coma sem pressa, beba muita água, faça exercícios e, acima de tudo, respeite seu corpo. “Sinta o gosto da comida. Cozinhe e coma de bom humor. No mais, é importante fazer as refeições na mesa e sem distrações como assistir televisão. Se preferir, combine o momento de alimentação com músicas calmas e relaxantes”, indica.

Sobre a ABRAN

Fundada em 1973, a ABRAN – Associação Brasileira de Nutrologia – é uma entidade médica científica que dedica-se ao estudo de nutrientes dos alimentos, que são decisivos na prevenção, no diagnóstico e no tratamento da maior parte das doenças que afetam o ser humano. Reúne mais de 1.700 médicos nutrólogos titulados especialistas em nutrologia pelo Brasil e mais de quatro mil médicos associados, que atuam no desenvolvimento e na atualização científica em prol do bem estar nutricional, físico, social e mental da população.

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