Corra do “pé de atleta”

Corra do “pé de atleta”

Confira as dicas da dermatologista Adriana Vilarinho para se prevenir e tratar da frieira

SILVIA HERRERA

22 de fevereiro de 2021 | 15h06

Todo mundo gosta de ser comparado a um grande maratonista, mas ninguém em sã consciência quer ter “pé de atleta”, nome popular da Tinea pedis,  ou frieira, um tipo de micose bem comum, que surge principalmente entre os dedos dos pés, embora também possa acontecer na planta dos pés, entre os dedos das mãos e na virilha. E como no verão, boa parte dos esportistas acaba esquecendo de secar bem os dedos dos pés, ou corre descalço na praia, ou toma chuva correndo, e o tênis absorve aquela água toda, é bom tomar alguns cuidados.

Se for correr descalço: na volta lave os pés e seque entre os dedos. Foto: Silvia Herrera

Dra Adriana Vilarinho acrescenta  que as micoses podem acometer  as unhas das mãos e dos pés. E, aqui, ela faz uma ressalva: alguns pacientes podem tratá-las com medicação via oral e outros não. Os remédios orais acabam sendo metabolizados pelo fígado. Então, é necessário fazer um acompanhamento com provas de função hepática. No caso de pacientes que não podem fazer uso de medicação via oral, o médico faz uso de medicações tópicas e associamos lasers fracionados que melhoram muito. O dermatologista utiliza o laser a cada 15 dias. Como o laser faz alguns “pequenos furinhos” nas unhas, é colocada uma medicação que ajuda a tratar a micose das unhas. Ou seja, antes de correr para a farmácia e se automedicar, consulte um dermatologista.

A dermatologista Dra Adriana Vilarinho explica que a micose de pele é uma doença causada pela presença de fungos, que provoca coceira, vermelhidão e descamação, que pode atingir diversas regiões do corpo e é mais frequente em épocas quentes, pois o calor e o suor favorecem a multiplicação dos fungos, causando a infecção. Existem vários tipos de micoses de pele, que podem ser classificadas dependendo da área afetada e do fungo que está na sua origem. Outro problema são as micoses de unha. A médica destaca que a área afetada pela frieira pode coçar muito, descamar e ficar esbranquiçada ou com vermelhidão e mau cheiro. Uma pessoa pode adquirir micoses nos pés por meio do contato direto com um indivíduo ou objetos contaminados como sapatos ou meias, ou até mesmo ao pisar descalço no chão molhado de vestiários, piscinas e saunas. A boa notícia é que o tratamento é geralmente bem tranquilo, mas o descuido pode gerar uma inflamação mais grave e gerar prejuízos aos esportistas.

Vale destacar que uma das heranças da Covid-19 são as dermatites de contato. A revista “Atualidade Cosmética” de fevereiro traz uma reportagem especial sobre o assunto: “Pele sob Ataque”. Mostram que álcool em gel em excesso, uso da máscara tempo integral causaram dermatites e acnes, mas o pior mesmo foram as lesões provocadas pelo coronavírus, classificadas como quadro de farmacodermmia, como se fosse uma urticária gigante.  E que 15% das pessoas que foram contaminadas pelo vírus, no Brasil estamos na casa dos 10 milhões, podem ter manifestação nas mucosas e na pele, com diferentes tipos de lesão, inclusive queda de cabelo. Já os primeiros estudos internacionais  indicam que 21% das pessoas que testaram positivo para Covid-19 tiveram apenas problemas de pele como sintoma da doença. Muito mais deve ser descoberto nos próximos meses. Quem aprecia o tema, recomendo a leitura dessa publicação. Então amigo corredor, que anda treinando sem máscara por aí na rua e nas academias, fique ligado com problemas de pele, pode ser sinal e coronavírus.

Voltando ao “Pé de Atleta”, a Dra Adriana Vilarinho elaborou algumas dicas preciosas para analisarmos com atenção nosso calejado pé de corredor, que já perdeu algumas unhas do dedinho nas corridas de longa distância, para verificar se há “pé de atleta” na jogada. Confira abaixo:

SINTOMAS COMUNS DA MICOSE: coceira, descamação, vermelhidão, branqueamento da região; rachaduras na pele; ardor local; odor característico.

PREVENÇÃO: evitar usar sapatos fechados sem meias de algodão; evitar sudorese nos pés; após a prática de exercícios, lave os pés e troque as meias e os calçados úmidos; deixar tênis expostos ao sol; tomar banho em banheiros públicos com chinelos; secar muito bem os pés, principalmente a região entre os dedos com uma toalha felpuda ou secador de cabelos, antes de usar qualquer calçado; mantenha as unhas sempre curtas e limpas; não compartilhe meias e sapatos/ tênis com outras pessoas.

TRATAMENTO: o tratamento deve sempre ser acompanhado por um médico e consiste geralmente na aplicação de cremes ou pomadas antifúngicas. Em alguns casos, os sintomas podem não melhorar apenas com o uso de medicação tópica e, por isso, pode ser necessário que o médico prescreva medicamentos orais antifúngicos.

 

 

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