Corrida de rua, via lei de incentivo, não terá mais chip

Corrida de rua, via lei de incentivo, não terá mais chip

Decisão é da Comissão Técnica da Lei de Incentivo ao Esporte

SILVIA HERRERA

09 de setembro de 2019 | 13h05

Com mudança na legislação, para se enquadrar na Lei de Incentivo ao Esporte,  as corridas de ruas passaram a ser da categoria  “participativas”, o que não contempla o chip eletrônico de cronometragem, por exemplo. Essa foi uma das decisões tomadas durante a 129ª reunião ordinária da Comissão Técnica da Lei de Incentivo ao Esporte, realizada em 4 de setembro de 2019, na Secretaria Especial de Esporte, pasta do Ministério da Cidadania. #corridaderua #blogcorridaparatodos

chip descartável é colocado no cadarço

No Brasil existem cerca de 4.091 organizadores de eventos esportivos nas atividades: corrida de rua, ciclismo, trail run, triatlo e natação. São 110 provas por fim de semana! Vinte por cento dos eventos representam 80% da receita total. Em ano ano, realizam cerca de 6 mil eventos, 76,41% são corridas de rua e mais 8.19% de trail run. Aliás, as trail runs estão aumentando (7,5%) e as corridas de rua (4,91%), diminuindo. Com inscrição – o bruto chega a R$ 350 milhões. Esses dados, divulgados nesta segunda-feira, 9 de setembro, foram copilados pela Ticket Agora (TA).

7 MILHÕES DE CORREDORES

Nessa reunião, as provas em pauta foram as próximas etapas dos Circuito Eco e as Corridas do Bem, do Instituto Educare. A exclusão desse item com certeza vai baratear a corrida, mas por outro lado, quem perde com isso é o corredor de rua, já que sem o chip eletrônico de cronometragem será impossível saber sua classificação, o tempo líquido e quem foram os campeões por faixa etária, por exemplo.  Para se ter uma ideia da importância do chip, em uma corrida com 2 mil pessoas, é comum você passar pelo pórtico já passado 8 minutos da largada, ou até mais. No pórtico é instalado o tapete da cronometragem, que dá o start ao tempo de cada um dos corredores. O chip é traz as informações de cada um dos inscritos – como número de peito, idade, nome. Na São Silvestre, que tem 30 mil pessoas, já cheguei a passar pelo pórtico de largada com 20 minutos.

Nessas provas incentivadas, por conta do patrocínio, o kit ou é gratuito ou têm valores bem populares.  Também ficou decidido na reunião, que todos os projetos de corridas de rua inscritos na  Lei de Incentivo serão analisadas pelo professor Humberto Panzetti, graduado em Educação Física e Filosofia que atua há 30 anos na gestão pública. Ele é um dos seis membros da Comissão. Na reunião, Panzetti deixou claro que essa decisão é para atender o que diz a lei, e que ninguém é contra a corrida de rua.  “Quem quiser correr usando chip de cronometragem que procure uma corrida paga”, afirmou.

cada chip tem um número que representa um corredor e tempo é aferido eletronicamente

“Entendemos que isso não alegre a todos, mas nossa função tem esse objetivo, de seguir a lei. Quanto a importância das corridas – isso não há o que se discutir. Acho inclusive que é um dos maiores fenômenos do esporte do final do século passado e começo deste. Um esporte democrático onde o gordo, o magro, o rico e o pobre, alto, baixo compartilham o espaço”, argumentou.

Panzetti citou também que na véspera (3/9) havia participada da banca, representando os profissionais da Educação Física,  de audiência pública sobre a indústria do Esporte na Câmara dos Deputados. “Um dos temas abordados foram as corridas, que são extremamente importantes para o sistema com quase 7 milhões de pessoas participante de corridas oficiais por ano. De forma nenhuma nem eu nem a Comissão temos algo contra a atividade corrida”, explicou.

Equipe de cronometragem na corrida

Tudo bem que os corredores já marcam cada um seu tempo, nos relógios, app e celulares, mas o que vale é o tempo oficial.  A prerrogativa de correr com ou sem chip teria que partir do corredor amador, não do Estado.  O organizador poderia criar um tipo de kit sem cronometragem  – aliás já existe isso nas corridas conceitos. E tirar esse direito do corredor amador com menor poder aquisitivo, que participa dos circuitos populares boa parte deles incentivados, é no mínimo um paradoxo. Corrida não é caminhada, que realmente não precisa de chip. Há muito trabalho a ser feito, para que a corrida de rua brasileira chegue ao mesmo nível das corridas norte-americanas e europeias.

Na reunião, veja a íntegra no vídeo abaixo (a fala sobre as corridas começa aos 50 minutos),  sinalizaram que haverá mais  mudanças. A Comissão quer criar mais mecanismos para formatar todos os critérios para as corridas de rua, que vão receber o aval da Lei do Incentivo.

 

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