Corridas de rua devem retornar menores e melhores

Corridas de rua devem retornar menores e melhores

Organizadores de eventos se uniram em associação para capitanear a retomada

SILVIA HERRERA

03 de setembro de 2020 | 13h06

Se tem uma coisa que aprendemos a lidar na marra em 2020 foi com o imponderável. Foi duro, mas quem sobreviveu sairá mais forte. Nas corridas de rua não foi diferente. Em 13 de março foi cancela, na última hora, a primeira de centenas delas. E agora, finalmente, começaram os testes dos protocolos de segurança, primeiro reflexo prático da recém-formada Abraceo (Associação Brasileira dos organizadores de corrida rua e esportes outdoor) para a sonhada retomada das corridas de rua.

Com o decreto da proibição das corridas de rua em março, de um dia para o outro, o evento mais saudável que existia se tornou o mais nocivo, por conta da aglomeração. E por falta de uma associação que representasse o setor, como existem dos restaurantes e shoppings, os organizadores assistiram perplexos a  retomada de serviços, teoricamente, mais “perigosos” do que os eventos esportivos. A situação fez que fosse criada em maio a Abraceo, composta por dezenas de empresários que decidiram parar de se lamentar e começar a colocar a mão na massa.

Paulo Carelli, presidente da Abraceo

Para entender o atual cenário da corrida de rua no Brasil, conversamos com Paulo Carelli, presidente da Abraceo e sócio da Iguana Sports. A associação tem entre os membros da diretoria: Marcos Pinheiro (Sportion MKT & Esporte – Curitiba), Guilherme Celso (Chelso Sports – Piracicaba), James Júnior (To Goals Sports Ventures – Manaus), Humberto S. Cedraz (RG+ Feira de Santana), Leonardo Silvano (SOLA Marketing de Experiência – Florianópolis ) e Ricardo Ramalho (RR Esportes e Eventos – Fortaleza) . A ideia é ter em breve cerca de 150 sócios.

O que você estava fazendo quando o mundo parou?

Paulo Carelli – Fazendo a entrega dos kits da edição de dez anos da WRUN SP, com oito mil inscritas. A corrida seria dia 15 de março. Na noite de 13 de março, já com tudo montado no Jockey Club, pórtico na calçada para ser erguido, cavaletes  posicionados, meu telefone toca: ‘Paulo, você não poderá dar a largada domingo’. Era o secretário de Esportes do outro lado da linha. Aquilo foi um banho de água fria e um desafio. Como avisar todo mundo, as corredoras e quem iria trabalhar. E um susto diante do desconhecido. Como isso? Não dá para ser na segunda-feira o início da suspensão? Ninguém sabia o que viria pela frente. E agora  já passaram cinco meses e não sabemos quantos mais para frente. Tudo mundo se programando para o ano que vem, e estamos a cinco meses do ano que vem.

Como surgiu a Abraceo?

Paulo Carelli – Era um plano antigo. Até então não tinha nenhuma entidade que cuidasse de toda a cadeia da corrida de rua e dos eventos esportivos outdoor, que envolvesse os órgãos municipais, fornecedores, organizadores. Com a pandemia a falta dessa entidade foi agravada e vimos claramente que os organizadores esportivos não estavam representados. O Ticket Agora (plataforma de venda de inscrições dos eventos) fez um summit no ano passado, e ali surgiu uma primeira sementinha, quando criamos um grupo de WhatsApp  com 150 organizadores de todo o país. E começamos a conversar. E desse grupo surgiram os representantes de todo o país e resolvemos constituir a associação de fato. Fizemos o estatuto, a ata e uma das primeiras ações foi criar o protocolo sanitário para a retomada dos eventos.  Fomos bem ágeis e nos baseamos nas orientações da WA (federação de atletismo internacional). O Comitê paulista de combate ao coronavírus já deu o parecer favorável e vão começar os testes de protocolos.  Com esse protocolo, já estão previstas para novembro  as maratonas de Manaus e a Meia Maratona de Fortaleza.

O que consta desse protocolo?

Paulo Carelli -Hoje entendemos o que é preciso para ter segurança, independentemente se a pessoa for ao mercado, ou participar de um evento esportivo. É preciso manter o distanciamento social, prestar muita atenção na higienização e o usar máscaras. E trouxemos isso para os eventos esportivos.  O staff também tem que manter o distanciamento, entrega de kits tem que ser diferenciada, com horário marcado,  sistema drive thru ou delivery. A largada tem que ser em ondinhas, entre 50 e 100 pessoas, com marca nos locais de cada um. O uso da máscara obrigatório até 500 metros depois da largada, se o município assim o permitir. E poderão ser descartadas em local apropriado para isso no percurso. A hidratação terá que ser feita em bancada maior e com garrafa fechada. E a equipe médica a postos. A dispersão terá que ser rápida e com entrega de máscaras e sem ativações na saída. E para no máximo 300 pessoas. A satisfação será só de poder correr.

A conta vai fechar com uma corrida menor?

Paulo Carelli – Há vários tipos de eventos, e a conta fecha para esses que já são menores, como os de trail run e provas de outra natureza e em cidades do interior. Para eventos como a Marathon City foi um fator que pesou e por isso a Iguana Sports adiou o calendário para 2021. Os eventos grandes não são viáveis nesse momento. Devem retornar só após a vacina. Este ano não temos certeza de nada.

Os grandes organizadores com a Yescom já estão na Abraceo?

Paulo Carelli – Estamos trabalhando para isso e conversando com 150 empresas. A Yescom é uma delas. Temos 30 empresas aprovadas para entrar na associação. Fazemos um levantamento inicial para checar se a empresa se enquadra, analisando os contratos sociais. Uma das coisas que estamos trabalhando é a qualificação do mercado, para que os organizadores se regularizem, busquem informação e ofereçam eventos de qualidade. A Yescom ainda não se associou, mas tem estado presente e acompanhando as reuniões e contribuindo muito. Este é  um mercado que os empresários se conheciam mas  não se falavam, e iniciamos esse diálogo e todas as grandes empresas do setor devem se associar.

Como vê essa verdadeira enxurrada das corridas virtuais?

Paulo Carelli –  Elas já existiam no Estados Unidos  há muito tempo. Quem iniciou esse tipo de corrida foi a Disney, oferecendo a possibilidade para àqueles tinham o desejo de ter as lindas medalhas e não tinha como participar presencialmente nos parques. Depois a Maratona de Nova York também adotou a modalidade. E realmente agora teve uma enxurrada de corridas virtuais, inclusive oferecidas por pessoas e empresas que não são organizadores de corrida e nunca realizaram uma corrida na vida. Tem de tudo é muita criatividade. O corredor gosta do friozinho na barriga de se inscrever numa corrida. Ter uma meta a ser comprida, já dá uma emoção a mais. A Iguana Sports vai lançar uma plataforma de corridas virtuais em breve. É importante construir algo que continue junto com as corridas normais. E se preparar para o que está pela frente. Vamos lançar três plataformas -uma da Athenas, uma da  City Marathon e uma para as meninas, com kits e medalhas bem bonitas – para realmente o pessoal se motivar e se reaproximar.

Confira abaixo a entrevista na íntegra

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