Desafio da maratona em menos de 2 horas será em outubro

Desafio da maratona em menos de 2 horas será em outubro

SILVIA HERRERA

20 de maio de 2019 | 08h15

Eliud Kipchoge aceitou o desafio do bilionário britânico e homem mais rico da Inglaterra Sir Jim Ratcliffe, CEO da INEOS, indústria petroquímica. O evento foi batizado de INEOS 1:59 Challenge. #maratona #desafio #1:59Challenge #BlogCorridaParaTodos

Eliud Kipchoge e Jim Ratcliffe/Divulgação INEOS

Segundo “The Guardian”, a maratona do desafio será no domingo,  13 de outubro, no Battersea Park, em Londres, com a presença de uma torcida de 250 mil pessoas. Quem lidera esta operação é John Mayoc, diretor de Esportes da INEOS, com a consultoria de Hugh Brasher (diretor da Maratona de Londres).  Até 13 de outubro muita água vai passar debaixo desta ponte. A única coisa que está 100% certa é que será no outono. Há quem diga que possa ser até em Monza de novo em vez de ser em Londres.

“Aprendi muito durante o projeto Breaking 2 e eu realmente acredito que posso ser 26 segundos mais rápido do que corri em Monza há dois anos, por isso resolvi aceitar”, disse o campeão no anuncio do desafio. “Estou bastante animado com a preparação e quero mostrar ao mundo que quando você foca na sua meta, trabalha e acredita em você, nada é impossível”, acrescentou. Além disso, Kipchoge deu cinco razões para topar o desafio: a experiência única; ser o recordista mundial da maratona; consistências dos seus resultados; fé; e fome de vitória.

Há dois anos, a Nike fez seu melhor para que um de seus três atletas selecionados, incluindo Kipchoge, conseguisse esta façanha de correr 42.195km em menos de 2 horas. Treinaram seis meses, colocaram a melhor equipe de todos os tempos à disposição dos atletas, desenvolveram um tênis que faz correr 4% mais rápido. O desafio foi no autódromo de Monza, com altimetria favorável, com os melhores coelhos/pacers, tudo milimetricamente pensado e repensado. Foi por pouco, muito pouco. “Agora só estou a 25 segundos da marca”, destaca o melhor fundista do mundo, que já começou seus treinos com Patrick Sang, seu coach.

TORCIDA – A INEOS diz que vai aprimorar o Breaking 2 da Nike. Seu fosse ele, chamava a marca para entrar no projeto, o que agregaria ainda mais valor e tecnologia ao projeto. O local está sendo estudado, mas deve ser plano como Monza. Também vão utilizar os melhores coelhos disponíveis para puxar o ritmo, mas não tantos.  O que vai ser diferente. Não vai ter um automóvel marcando o pace e vão convocar a torcida em peso,  a famosa camisa 12 que faz “a” diferença nos jogos de futebol.  Acreditam que esta mudança será crucial. No Breaking 2 só foram convidados uma centena de pessoas – atletas, staff, influencers digitais e alguns jornalistas. Desta vez, querem o calor da torcida empurrando, para que a energia contagiar Kipchoge, para dar aquele gás a mais.  Além disso, ele vai correr com outros fundistas, estão escolhendo ainda. Dizem que serão uns cinco, mais os pacers.

O blog norte-americano Total Running Production sugere escolher os cinco melhores PR (personal best) para correrem com ele: Mosinet Germew (2:02:55);  Mule Wasihun (2:03:16);  Getaneh Mollah (2: 03:34);  Guye Adola (2:03:46) e Tola Kitata (2:05:01).  Na minha humilde opinião, levaria seis, quatro homens e duas mulheres, mais toda a galera que treina com ele diariamente no Quênia. Escalaria os outros dois do Breking 2: Kenenisa Bekele (2:03:03) e Zersenay Tadese (2:10:41); mais Denis Kimetto (2:02:57) e Wilson Kipsang (2:03:13). E as duas mulheres mais rápidas, que sairiam 15 minutos antes: Mary Keitany (2:1701) e Ruth Chepng’Etich (2:17:08). Iria ser inesquecível. De repente, podiam levar uma banda de rock para fazer um show no final.

Por outro lado, certeza que vai rolar um bolão milionário nos bastidores, com apostas milionárias. Fora a bolada que Kipchoge deve ganhar. Na época do Breaking 2 ouvi de pessoas de dentro da Nike que o prêmio, caso o desafio fosse superado, seria de US$ 1 milhão. Desta vez não deve ser menos que disso. E o que deixa o desafio ainda melhor é que tudo pode acontecer na hora H, desde uma topada no dedinho até um calor imprevisível. E até aparecer um pastor irlandês… vai saber.

Fato Histórico – O queniano mais rápido do mundo topou o desafio no dia 6 de maio – data que marcou o 65º aniversário da primeira vez que alguém correu uma milha abaixo de 4 minutos. Quem fez isso foi Roger Bannister. Foi uma data estratégica, depois da vitória incrível de Kipchoge na Maratona de Londres, fazendo o recorde da prova e a segunda melhor marca em uma maratona. O recorde mundial dos 42K é dele também – 02:01:39. “Nenhum ser humano pode ser limitado”, ele costuma dizer. Se tratando de um fundista da elite, altamente disciplinado e obstinado, com certeza isso é uma verdade. Não consigo imaginar Kipchoge dando um “migué” no treino porque amanheceu chovendo.  Deve ser o primeiro a chegar, faça chuva ou faça sol.

Apenas um detalhe. Se ele conseguir bater o 1:59:59, vai marcar seu nome definitivamente na história, mas o recorde não vai valer para a IAAF (Federação Internacional de Atletismo) por não ter sido feito em uma maratona normal. Quem liga?

Confira aqui o vídeo do lançamento do desafio

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