Desafio dos 600K completa 10 anos

Desafio dos 600K completa 10 anos

Com esta prova de revezamento entre SP e Rio, a Nike BR provou ao mundo que o jovem gosta de correr

SILVIA HERRERA

31 de outubro de 2019 | 16h56

Em 2009 recebi um e-mail inesquecível. Era de Mário Andrada, então diretor de Comunicação da Nike BR, me convidando para ser a capitã da equipe Imprensa, de uma corrida de rua pra lá de especial e difícil: Desafio dos 600K – SP-RJ. Uma prova inovadora de revezamento, 12 pessoas por equipe, com largada prevista para às 4h30 da manhã de 22 de outubro de 2009, uma quinta-feira, em frente ao Obelisco. A chegada seria três noites depois, em Ipanema. #Desafio600K #Nike #corridaderua

Chegada em Angra dos Reis, no final do segundo dia de prova

Quis uma lesão me afastar dessa corrida inédita e ingressar o time de jornalistas da cobertura da prova, e representei o extinto Jornal da Tarde, no qual além de editora do fim de semana e fechadora de cidades, era colunista, escrevia a primeira coluna temática de corrida de rua de um jornal brasileiro, a Mania de Correr. Passei o bastão de capitão para o jornalista Sergio Xavier (então editor de Placar e Runner’s World). Deixa eu puxar pela memória, completaram a nobre equipe Imprensa: Yara Achôa, Ana Paula Afonso, Karine César, Ângelo Binder, Edu Elias, Harry Thomas Jr, Iuri Totti, Clayton Conservani. Falta um!! Por favor, me avisem quem esqueci e já peço perdão antecipadamente….

Nike 600K – 2009

Como o JT fechou, fui procurar no meu arquivo pessoal e encontrei três matérias que fiz sobre essa prova emblemática, considerada a melhor corrida de rua que o Brasil já viu.  Foram feitas apenas três edições. Na época, Tiago Pinto, então diretor de Marketing da Nike no Brasil, foi desafiado pela matriz a provar que o jovem brasileiro gostava de correr, o que as pesquisas contradiziam, indicando que o corredor brasileiro era um senhor cinquentão. A missão da execução foi dada ao gaúcho e então gerente de Marketing Christiano Coelho, que pôs a mão na massa e realizou o impossível.  A Nike fez uma prova vip, bancou toda a estrutura para 21 equipes, cada uma com 12 pessoas, e provou ao mundo que o jovem corre, e ainda deixou a “gringaiada” toda com água na boca.

Como boa operária da imprensa, escrevi quatro colunas: “Seletivas para a Nike 600K acabam amanhã”, “12 Mulheres e um destino: correr 600K até Ipanema”, “Chuva, suor e muita pressa para chegar ao Rio” e “Minas Acelera e chega na frente no Desafio 600km”.  Transcrevo abaixo a última delas na íntegra.

MANIA DE CORRER/JT

Minas Acelera e chega na frente no Desafio 600 KM

Correr do Obelisco do Ibirapuera, zona sul de SP, à praia de Ipanema, Rio. O que parecia impossível aconteceu na semana passada. Vinte e uma equipes, com 12 atletas amadores cada, aceitaram o desafio da Nike e percorreram, em esquema de revezamento, os 600 quilômetros em quatro dias, sendo que no último, a prova largou  20 minutos antes da Human Race, corrida de 10 quilômetros entre as praias da Barra da Tijuca e Ipanema.

A Nike forneceu para cada equipe uma van, um carro e uma moto. Liderando a prova, dois batedores da PM e uma ambulância. E fechando a prova, outra ambulância.

Uma tempestade abençoo a largada, às 5 da manhã do dia 22. E os anjos da guarda foram os maratonistas Vanderlei Cordeiro e Frank Caldeira, convidados da organização para fazer todos os primeiros trechos dos quatro dias de desafio. “Hoje correr é mania, graças a Deus”, disse Cordeiro. E Frank completou: “Uma mania boa que todo mundo tem de pegar”.

Rio-Santos – Nike 600K

No primeiro dia, o percurso incluiu a Rodovia Anchieta, Estrada Velha do Mar, Piaçaguera e Rio-Santos, terminando em São Sebastião, com a equipe carioca Filhos do Vento na frente. O pior pedaço foi a descida da Estrada Velha, oito quilômetros de pista escorregadia.

No segundo dia, as equipes seguiram pela Rio-Santos para Angra, com um atalho estratégico. “Um trecho de montanha terrível, cheio de lama, pedra e super íngreme”, conta Juliana, administradora de empresas e corredora de BH.

“NOSSA INTENÇÃO NO ESPORTE
É TER SAÚDE E CHEGAR
SEMPRE COM ALEGRIA”

Para Claudio Carneiro, da equipe de BH, que assumiu a liderança no segundo dia, o maior problema era a unha do pé. “Muito calor, bolha de sangue debaixo da unha, a qualquer momento ela vai sair junto com a meia”. E saiu mesmo. Os mineiros foram guerreiros até o fim e levaram o caneco para casa.

No terceiro dia, o sol pegou forte no caminho para a Barra da Tijuca, e o pior foi o trecho urbano, com sol de 30 graus. “Costumo treinar de menos 2 graus até 10 graus e o que pega aqui é o calor, a variação térmica. É preciso muita hidratação e consciência para não extrapolar os limites”, contou Tamy Resende, da equipe de Curitiba, que conquistou a segunda posição.

“Este desafio vai ficar para história”, observou a corredora do Projeto Mulher. E vai mesmo. Pelo menos para quem participou, como o treinador Nelson Evêncio, integrante da equipe de convidados da marca, a Nike Corre, que na semana seguinte acordou assustado dois dias durante a madrugada. “Achei que já estava na hora da largada, queria correr!”

CLASSIFICAÇÃO

1º BELO HORIZONTE (MG)
2º CURITIBA (PR)
3º CARIOCAS RUNNERS (RJ)
4º FILHOS DO VENTO (RJ)
5º BUTENAS (SP)
6º FAST RUNNER (SP)
7º PROJETO MULHER (SP)
8º BRASÍLIA (DF)
9º 5WAYS (SP)
10º PORTO ALEGRE (SP)
11º RACE (SP)
12º NIKE + (equipe formada das seletivas)
13º SPEED (RJ)
14º 4ANY1 (SP)
15º RUN & FUN (SP)
16º RUNNERS CLUB
17º DERSA – FLÁVIO FREIRE (SP)
18º NIKE CORRE (convidados da marca)
19º BRANCA ESPORTES (SP)
20º MULHERES NIKE
21º IMPRENSA

 

Veja abaixo a lenda da corrida de rua

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