Deu Ruim

Deu Ruim

Pórtico de largada da Asics Golden Run foi montado no lugar errado e provocou atrasado de 35 minutos na prova

SILVIA HERRERA

17 de maio de 2022 | 12h04

Como diz um grande amigo meu, sempre que tem um problema em um evento pelo menos duas pessoas o “aprovaram” antes. Conhecida por ser rápida, a Asics Golden Run (10k e 21k) tinha tudo para ser um evento cinco estrelas. Mas deu ruim. O pórtico da largada foi posicionado na frente da entrada dos corredores e não atrás, como o correto. E o resultado foram 35 minutos de atraso na largada, para que os corredores pudessem entrar no pelotão passando obrigatoriamente em frente ao pórtico da largada. Aliás, fizeram dois em vez de um só causando mais confusão ainda. E o locutor não passava nenhuma orientação. A maioria dos corredores não encontrou seus pelotões corretos, divididos por ritmo de prova (pace). Aparentemente só a elite “encontrou” seu pelotão certo, que é o da frente. E segundo dados da Contra Relógio, 4.742 concluíram a prova, que teve as inscrições esgotadas (7.500).

Para entrar na Marginal Pinheiros e se posicionar para largar, o corredor tinha que passar na frente da largada – foto reprodução de Instagram da hora da largada. Note que os relógios não estão sincronizados.

Nesta terça-feira, a Asics e a Noblu enviaram mensagem reconhecendo o erro e pedindo desculpas a todos (veja abaixo). A empresa organizadora da prova é a Noblu  Sports, que existe desde 2004. Eu assisti de camarote, de cima do viaduto. Fui prestigiar a Chris Volpe, que correu esta prova para o Blog Corrida para Todos, e que conseguiu bater seu recorde pessoal. Lá no viaduto encontrei vários amigos, uma delas a Jana Borges, que estava desapontada. Ela é uma daquelas corredoras amadoras focada em performance, que sempre belisca o pódio. A tristeza era por conta desse atraso que “acabou” com o aquecimento dela. Reparei que muita gente desistiu de completar a prova, justo ali no viaduto.  O jornalista Sergio Xavier, do GE, foi um dos mais agoniados por conta do atraso da largada, ele tinha que comentar um jogo e foi com o tempo contado para concluir a meia. Aliás, ele fez dois posts muito bons no blog dele sobre esse  perrengue. Pena que não o encontrei no viaduto.

Pedido de desculpas do organizador Noblu e da Asics, marca proprietária do evento. A ChipTiming chegou a postar os textos e depois excluiu

O mais feliz de todos era o atleta do Palmeiras, André Santana (30:59), que levou para casa R$ 2.500 da premiação dos 10k. Ele é um atleta de pista, dos 5 mil metros rasos, já confirmado para o Campeonato Estadual de Atletismo, que será realizado no final do mês.

O pórtico teria que ter sido montado após este viaduto das bikes, não antes, já que a largada era sentido centro.

O maratonista olímpico Paulo Paula também estava lá. Foi o segundo na meia maratona. Ele explicou que pegou uma bactéria e ainda não sarou. Estava em Sampa para cuidar dos últimos preparativos para sua volta a Portugal, onde treina. Está se preparando para o mundial de atletismo, que será realizado no Oregon (EUA), e como o foco dele é a Maratona Olímpica de Paris, uma boa participação lá é fundamental. Em primeiro chegou Damião Ancelmo de Souza (01:05:46), amigo de longa data de Paulo Paula (01:05:48). Adriana Silva e Solonei, atletas Asics, também correram, mas apenas para se divertirem. Nos 10k feminino venceu Jaciane Barroso de Jesus (36:47) e na meia maratona, Amanda Aparecida de Oliveira (01:15:39).

Fico aqui pensando com meus botões. No pré-prova, a Asics divulgou a informação  que este percurso foi aprovado pela Confederação Brasileira de Atletismo…

DEU RP

Chris Volpe é santista e trialteta amadora

Quando vi o percurso da Golden Run fiquei animada. Pura reta e asfalto perfeito para nós corredores darmos o máximo e atingirmos as melhores marcas. A edição de 2022 esgotou, seriam 7.500 pessoas, e a arena foi montada no Parque do Povo, um espaço ótimo para eventos desse porte, já que conta com toda a estrutura do Shopping JK Iguatemi que fica bem ao lado, proporcionando aos atletas ótimos banheiros e estacionamento pago e organizado.

Cheguei por volta das 5h45 no local da largada e logo notei que a mesma atrasaria. O pórtico que os atletas passariam tanto na saída, quanto na chegada, foi montado antes do fim do viaduto, fazendo com que todos que estivessem chegando atrasados entrassem pela frente da largada. Sabia que daria errado justamente porque já tive uma experiência ruim em outro evento que cometeu o mesmo erro.

Dei play no meu Polar às 6h51, no momento em que cruzei o pórtico, sendo que a largada dos 10km estava marcada para às 6h30. Esse acontecimento não me abalou, mas vi muitos corredores insatisfeitos no momento, afinal o aquecimento já tinha sido perdido por tanto tempo parado. Notei também os currais de largada muito cheios e filas imensas para aqueles que buscavam seus espaços nos pelotões dos 21k.

Não tive problemas nesse sentido porque larguei no pelotão geral e estava focada em apenas completar a prova, mesmo assim o percurso me surpreendeu e a chuva que estava prevista não caiu, assim consegui acelerar bem e conquistar meu recorde pessoal na distância, de forma confortável: 54:08! Havia postos de água a cada 3km e até uma banda de taikô, aqueles tambores japoneses, logo abaixo da Ponte Estaiada, dando uma animada nos competidores no km 5 da prova.

Cruzei a linha de chegada feliz com meu resultado e encontrei uma Arena ampla e super bem distribuída nos gramados do Parque do Povo. Como cheguei cedo, aproveitei e fiz uma massagem na tenda que disponibiliza diversas macas para relaxar. Também estavam disponíveis ativações como grandes murais e os números da quilometragem da prova, para aquele momento ‘instagramável’ que os corredores amam. O guarda-volumes também era bem amplo e organizado.

Fora isso, estavam disponíveis diversas ativações para os atletas que atingiram o TOP 100 e também aos que escolheram modelos da Asics para correr a prova, ganhando brindes especiais.

 

 

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