Do sofá para o Ironman

Do sofá para o Ironman

Confira entrevista com Raquel Moraes, a ex-sedentária que se tornou triatleta

SILVIA HERRERA

09 de abril de 2022 | 10h10

Rainha do sofá. Esta era uma boa definição para a ex-sedentária Raquel Moraes. A catarinense, que se mudou para Recife após o casamento, nunca teve problemas com a balança, mas perto dos 40 anos, começou a sentir vontade de se exercitar. Isso foi há dez anos. E desde então ela se tornou corredora, depois maratonista e triatleta, com dois IronMan na bagagem. E em 2017, abriu a FastPace, uma marca de viseiras e vestuário esportivo, que lança novidades a  cada 20 dias.

FastPace: marca pernambucana de vestuário esportivo criada por Raquel Moraes em 2017

“Graças a Deus minha vida mudou completamente. Eu era completamente sedentária, muito preguiçosa mesmo, e comecei a pensar em começar a me exercitar com quase 40 anos. Via as pessoas correrem nas ruas e achava super bonito, e começou a me dar uma vontade de fazer isso também”, conta Raquel, que é designer de moda e proprietária da FastPace, marca pernambucana que já exporta para Austrália, Japão EUA e Suíça.

Os amigos foram fundamentais nesta mudança de hábito. “Tinha amigos corredores e eles sempre me chamavam para participar das provas, mas eu achava que seria impossível para mim”, lembra. Até que um dia ela decidiu ir até um parque chamado Jaqueira, que tem uma volta de cerca de 1km, e começou a a dar voltas caminhado e começando a correr. E assim foi indo até conseguir correr 10k e se inscrever numa prova. “Nessa época não tinha noção nem do que era pace (km/min), não tinha tênis certo nem roupa adequada. Eu treinava sem saber a distância que estava fazendo. Eu tinha um personal, que me passava a planilha, mas eu não tinha noção do que estava fazendo, e assim fui me preparando para minha primeira meia-maratona, que completei em 2 horas e 15 minutos”, confessa Raquel. Depois dessa meia ela se deu conta que adorava correr distâncias grandes.

Nessa época, os três filhos de Raquel: Bruno, Gabriel e Clara eram adolescentes e pré-adolescentes, e viravam a noite em festas, enquanto Raquel queria dormir cedo para treinar. “Havia um conflito nessa fase, entre as festas de 15 anos e meus treinos, e combinamos que eles tinham que voltar das festas antes de eu sair para treinar”, lembra.

MARATONA DE BERLIM

Depois de concluir duas maratonas, o caminho natural foi seguir para o triatlo. “Quando comecei no triatlo surgiu a vontade de criar alguma coisa focada no esporte, sou de família de empreendedores, fiquei pensando em camisetas, e decidi fazer viseiras, produto que não tinha modelos com estampas coloridas à época. Criei quatro estampas de viseiras, para testar o mercado, e foi um sucesso. Fiz apenas 200 peças e vendi tudo entre os amigos da assessoria de corrida, do grupo de WhatsApp da Maratona de Berlim. No início era informal, depois criamos o nome FastPace, legalizamos tudo, e hoje temos vários produtos, como meias, camisetas, tops, bermudas”, explica.

Raquel Moraes já criou mais de 150 estampas para as viseiras da FastPace

Raquel se graduou em Turismo e Hotelaria em uma faculdade em Balneário Camboriú (SC), e naquela época montou uma fábrica de pijamas. Acabou por conhecer seu  futuro marido em uma viagem a Recife, para um Congresso na faculdade. Se casaram, ela vendeu a fábrica e há 20 anos e se mudaram para Recife.

De 2017 até hoje, a FastPace já produziu 80 mil unidades de viseiras. E são comercializadas, em média, 3.500 unidades por mês, das 150 estampas diferentes, todas criadas pela designer. “Estou sempre pesquisando, ouvindo as sugestões dos clientes, sempre buscando novidades e frases motivacionais. A motivação tem que vir de dentro do atleta, com minhas peças tento fazer com que as pessoas se inspirem a se exercitarem. O esporte me inspira muito”, afirma Raquel, que sempre trabalha com coleções. “Busco um tema e faço uma coleção, já fiz dos signos, pegando as qualidades de cada um deles”, acrescenta. A FastPace acaba de lançar uma coleção para BeachTennis, viseiras personalizadas, e inauguraram o e-commerce próprio em janeiro. O próximo passo será a coleção completa masculina.

Como as maratonas ficaram “fáceis”, Raquel decidiu começar a praticar triatlo. Só tinha um probleminha – ela não sabia nadar. “Eu estava treinando para Maratona de Paris e me lesionei, e aí o treinador pediu para um começar a nadar, e fui aprendendo aos poucos. E acabei comprando uma bike também. Mas ainda sou ruim na natação. E, depois da Maratona de Paris resolvi me inscrever numa provinha de triatlo – um minisprint – 350m de natação, 10k de bike e 2,5km de corrida. E foi a maior superação da minha vida ter conseguido nadar aqueles 350 metros no mar, foi muito difícil mesmo”, afirma. Missão cumprida, ela foi fazendo provas com distâncias maiores.

Como é proibido nadar nas praias de Recife, por conta dos ataques de tubarão, os triatletas treinam em Muro Alto, praia próxima a Porto de Galinhas, que mais parece uma piscina natural. Com a evolução dos treinos, ela se sentiu preparada para tentar competir no IronMan, o escolhido foi o Meio Iron em Palmas (TO). “Foi o pior local que eu poderia ter escolhido para fazer, foi traumatizante nadar no rio. Em seguida assisti  ‘Cem Metros’ e entendi que poderia sim fazer o IronMan, e me inscrevi para a prova de 2018. Treinei bastante e fui, tinha muito medo de nadar 4 mil metros no mar. Mas deu tudo certo, e repeti a dose no ano seguinte. Já estava inscrita para 2020, mas a prova foi adiada por causa da pandemia. Será em Florianópolis no final de maio”, acrescenta Raquel, que compete há 7 anos no triatlo, e 10 na corrida. E o marido, Nielson Moraes, seguiu os passos da esposa. Eles treinam e competem juntos. “Se você tem um sonho, vá em frente, lute por ele”, finaliza a trialeta e empreendedora.

 

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