Do Valo Velho para o Campeonato Mundial de Meia Maratona

Do Valo Velho para o Campeonato Mundial de Meia Maratona

Andreia Hessel vai representar o Brasil no sábado na Polônia

SILVIA HERRERA

15 de outubro de 2020 | 12h20

Ela tem 1,64m de altura e pesa 54kg, mas é um monstro nas corridas de rua. Com muita garra ela venceu a Maratona Internacional de São Paulo em 2018, e, um ano antes, se sagrou campeã Ibero Americana de Maratona, em Buenos Aires. Aos 36 anos, Andreia Hessel é uma das melhores maratonistas do país e faz parte da seleção brasileira, que embarcou nessa quarta-feira para a Polônia, para disputar no sábado, 17 de outubro,  o 24º Campeonato Mundial de Meia Maratona (21km), em Gdynia . “Vou buscar meu PB (personal best) na minha estreia nesse Mundial”, conta Andreia, em entrevista exclusiva para o blog.

Andreia Hessel é atleta do ECP há oito anos

Andreia é patrocinada pela Asics e treina com Cláudio Castilho, no Esporte Clube Pinheiros (ECP), sempre na companhia das amigas e atletas de elite Adriana Silva e Valdilene  dos Santos. Aliás  Valdilene e Castilho também foram convocados para a seleção. Os outros atletas escalados pela Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) são: Ederson Vilela Pereira (ECP), Daniel Ferreira do Nascimento (ABDA) e Gilmar Silvestre Lopes (Cruzeiro/Caixa). Completam a equipe, o médico André Luís Lugnani de Andrade (CBAt) e o fisioterapeuta Ricardo Zacharias de Souza (CBAt).

Andreia está no meio – seleção no embarque para Polônia

Esta será a primeira prova internacional de 2020 de Andreia, a última foi exatamente há um ano – o Mundial de Maratona em Doha (Catar), em 27 de setembro de 2019, na qual ela finalizou em 36ª. “O Mundial é uma prova muito importante para o Brasil, e vai ser um termômetro também, para verificar como estou fisicamente e emocionalmente, já que esse ano os treinos foram interrompidos abruptamente em março, as competições canceladas; e todos tiveram que se adaptar a treinar sozinho, longe do clube e dos amigos”, conta Andreia.

Esta edição do Mundial seria a primeira aberta aos corredores amadores. Os destaques são o mega campeão Joshua Cheptegei , que vai estrear nos 21km, e Sifan Hassan (campeã mundial dos 1.500m e 10.000m) . Serão 157 homens e 127 mulheres de 62 países.  E os corredores amadores vão participar virtualmente e de graça, via plataforma  All You Need Is Running, no sábado. E há desafios com os feras do esporte:  Paula Radcliffe, Sebastian Coe, Eilish McColgan, Yared Shegumo e Stefano Baldini. .

Claudio Castilho acredita na superação dos atletas,  mesmo com a falta de ritmo, pois  ninguém está contundido. Ele explica que o Mundial é extremamente importante para a preparação do grupo, que pretende correr a Maratona de Valência, na Espanha, prevista para 6 de dezembro.

E superação e garra é com Andreia mesmo, mas conhecida pelo codinome Carroça. Ela mora no Valo Velho, em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, e quando começou a treinar no Esporte Clube Pinheiros, no nobre Jardim Europa na capital paulista, mantinha jornada dupla – trabalho e treinos. Um dia chegou tão exausta no treino que disparou: “Nossa estou me sentindo uma carroça. Pra que, virou meu codinome”, conta Andreia, que começou profissionalmente há oito anos. Graduada em Educação Física, quando foi fazer estágio em um academia, um dos professores foi seu grande incentivador  a investir na carreira de atleta profissional. Sorte do Brasil.

Andreia Hessel pretende bater seu recorde pessoal em Gdynia

3 PERGUNTAS PARA ANDREIA HESSEL

Como foi a adaptação dos treinos por conta da pandemia do coronavírus?

Andreia Hessel – A rotina mudou drasticamente. Eu treinava na pista de atletismo do Esporte Clube Pinheiros, com o Cláudio Castilho, mais duas vezes na semana na CEPEUSP e no fins de semana fazia o treino longo na Cidade Universitária. Então acabou que cada um teve que se adaptar na região onde morava, para não se deslocar por conta dos protocolos de segurança sanitária. Eu estou acostumada a treinar em grupo e passei a maior parte da pandemia treinando sozinha, tanto os treinos mais específicos como os longos. Agora que estamos nesse “novo normal”, conseguimos retornar os treinos longos em grupo na ciclovia da Marginal Pinheiros, e fortalecimento começamos a fazer no ECP.

Como foram os treinos para o Mundial?

Andreia Hessel  – No início da pandemia os treinos reduziram bruscamente. Eu estava com um volume super alto, estava treinando para uma maratona em abril, que acabou sendo cancelada, como todo o calendário. E os treinos diminuíram bastante. E há três meses retornamos com volumes maiores, com o foco no Mundial da Meia Maratona e na Maratona de Valência (Espanha).

O que foi o mais difícil até agora?

Andreia Hessel  – O mais difícil de tudo isso foi adaptar os treinos para a rua, pois onde moro há muita subida, e também senti muito a falta da companhia do grupo nos treinos e do técnico, nos treinos mais específicos.

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