Fazer exercícios é mais importante do que emagrecer

Fazer exercícios é mais importante do que emagrecer

Este é o resultado de um estudo que analisou centenas de pesquisas sobre perda de peso e exercícios em homens e mulheres

SILVIA HERRERA

21 de outubro de 2021 | 10h28

Deu no The New York Times esta revisão de estudos sobre tratamento de obesos, a difícil equação entre prática de esporte versus emagrecimento, que chegou às minha mãos via um querido leitor do Blog Corrida para Todos. O resultado é bem significativo: para uma saúde melhor e uma vida mais longa, os exercícios são mais importantes do que a perda de peso, especialmente se você estiver com sobrepeso ou obeso. Ou seja, mais vale um gordinho ativo, que um magro no sofá. Confesso que ler isso me deixou feliz, já que engordei um pouco durante a pandemia, e não devo ser a única.

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Se trata de uma nova revisão, intitulada “Obesity treatment: Weight loss versus increasing fitness and physical activity for reducing health risks“, que esmiuçou mais de 200 meta-análises e estudos que tratam das relações entre condicionamento físico, peso, saúde cardíaca e longevidade. A ideia era descobrir  se alguém que é pesado obtém mais saúde ao perder peso ou a se mover. Os autores são Glenn Gaesser, professor de Fisiologia do Exercício na Arizona State University em Phoenix (EUA) e seu colega Siddhartha Angadi, professor de Cinesiologia da Universidade da Virgínia, em Charlottesville (EUA). O trabalho foi publicado pela iScience, em setembro, e conclui, entre outros pontos, que pessoas obesas geralmente reduzem seus riscos de doenças cardíacas e morte prematura muito mais ganhando condicionamento físico do que apenas perdendo peso. Ou seja, é mais saudável começar uma atividade física do que iniciar uma dieta ou tomar remédio para emagrecer.

Imagem da pesquisa dos professores Glenn Gaesser e Siddhartha Angadi

Há décadas, Gaesser estuda os efeitos da atividade física na composição corporal e no metabolismo dos obesos. Ele começou a se indagar se o condicionamento físico poderia permitir que pessoas com sobrepeso desfrutassem de uma boa saúde metabólica, quaisquer que fossem seus números de massa corporal, e potencialmente viver tanto quanto as pessoas mais magras – ou até mais, se as pessoas magras fossem sedentárias. E a revisão concluiu que ele estava no caminho certo.

A revisão mostra que homens e mulheres obesos e sedentários que começam a se exercitar e melhorar o condicionamento físico podem reduzir o risco de morte prematura em até 30% ou mais, mesmo que seu peso não mude. Essa melhora geralmente os coloca em menor risco de morte precoce do que as pessoas que são consideradas com peso normal, mas são sedentárias ou estão fora de forma. Mais, apenas a perda de peso entre pessoas obesas não diminui em nada o risco de mortalidade. Segundo Gaesser,  as pessoas que perdem peso com dieta acabam recuperando os quilos de volta, o famoso ioiô, o que pode contribuir para problemas metabólicos como diabetes, colesterol alto e redução da expectativa de vida. Já a atividade física combate e previne todos esses problemas.

“Peso da balança não mostra a composição corporal”

Lívia Marques é nutri da Care Club Piracicaba

A nutricionista Lívia Marques, da Care Club Piracicaba, explica que há exames para saber se o “gordinho” está saudável. “Fazemos uma avaliação da composição corporal, ou seja, adipometria, avaliação por circunferência, bioimpedância ou uma calorimetria indireta, que são formas de avaliar quantidade de massa muscular e de gordura corporal. São os resultados desses exames que vão nos dizer se a pessoa tem um biotipo mais forte por massa muscular, ou se é gordura mesmo”, explica a nutricionista formada pela Unicamp. Ela conta que duas pessoas com o mesmo peso e a mesma altura podem ser totalmente diferentes, uma delas pode ter muito mais massa muscular e o outra, mais gordura. “Peso da balança não mostra a composição corporal”, afirma.

Lívia observa que o melhor a fazer é sempre procurar um especialista antes de iniciar qualquer dieta ou treinamento. “Não existe obeso saudável nem magro sedentário saudável. Nos dois casos há riscos de doenças”, alerta. Ela prossegue dizendo que até na vacinação do coronavírus, as pessoas ativas responderam melhor e tiveram maior imunidade. “Magreza e IMC dentro dos parâmetros nem sempre são sinônimos de saúde. E por outro lado, todo mundo precisa de gordura corporal para a síntese de hormônios e absorção de algumas vitaminas, ou seja, não ter gordura também não é saudável”, acrescenta.

Ela destaca, que agora nessa retomada pós pandemia, a maioria das pessoas engordou e é necessário ter o suporte de especialistas para não se lesionar. “Para finalizar é importante entender que uma pessoa magra, pode até ter um percentual de gordura baixo, mas pode ter também um percentual baixo de massa muscular, e sabemos que massa muscular é questão de saúde, previne lesão, melhora nossa saúde como um todo. Por isso é muito importante que uma pessoa sedentária se torne ativa, pensando em saúde mental, em qualidade de sono, funcionamento intestinal, liberação de hormônios, controle de ansiedade, de estresse e de apetite, e isso tudo a prática exercício consegue de benefícios para nossa saúde como um todo”, exemplifica a nutricionista.

 

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