Federação Internacional de Atletismo proíbe o uso do tênis Alphafly em competições

Federação Internacional de Atletismo proíbe o uso do tênis Alphafly em competições

Esse foi o tênis da Nike usado por Eliud Kipchoge em Viena, quando quebrou a barreira das duas horas nos 42km.

SILVIA HERRERA

31 de janeiro de 2020 | 17h12

A World Athetics (Federação Internacional de Atletismo/IAAF) acaba de divulgar alterações nas regras para uso de calçados esportivos em corridas. E a principal novidade é que o modelo Nike Alphafly – protótipo usado por Eliud Kipchoge na primeira maratona sub 2 horas da história – foi banido das competições. Também proibiram o uso de qualquer tipo de protótipo nas corridas, o que as marcas faziam com uma certa  frequência. #tecnologia #maratona #Nike #dopingtecnológico #BlogCorridaParaTodos

Eliud Kipchoge apresenta o Nike AlphaFly /reprodução de imagem do site Nike.com

“Acredito que essas novas regras alcancem o equilíbrio certo, oferecendo segurança a atletas e fabricantes enquanto se preparam para os Jogos Olímpicos de Tóquio”, destaca o presidente da World Athetics, Sebastian Cole. A entidade alega que a mudança nas regras sobre o uso dos calçados foi necessária para “proteger a integridade do atletismo e proporcionar mais clareza aos atletas e fabricantes de calçados. A alteração foi uma recomendação do grupo interno de Revisão e Assistência, formado por técnicos, cientistas, advogados e representantes de atletas. A partir de 30 de abril, os fundistas da elite em provas válidas pelo World Athletics, só poderão calçar tênis já disponíveis para vendas por no mínimo quatro meses. Ou seja, está vetado o uso de protótipos e lançamentos.  A entidade está atenta a evolução tecnológica e sempre  que suspeitar de qualquer “vantagem” vai estudar o modelo, que poderá ser banido ou não. Além disso, nas competição o árbitro terá o poder de solicitar que um atleta forneça imediatamente seus calçados para inspeção, após a conclusão de uma corrida, se suspeitar que os tênis não cumpram as regras.

Solados do Vaporfly Next% usados pelos coelhos e do Alphafly, pelo Kipchoge

“Não é nosso trabalho regular todo o mercado de calçados esportivos, mas é nosso dever preservar a integridade da competição de elite, garantindo que os sapatos usados ​​pelos atletas de elite na competição não ofereçam assistência ou vantagem injusta”, destacou Sebastian Cole. Ele acrescentou que não vão promover uma verdadeira caça às bruxas nas prateleiras das lojas especializadas, mas resolveram traçar uma limite, de até onde a tecnologia pode ir, enquanto investigam mais. O tênis Nike Vaporfly, que comprovadamente melhora a performance em 4%, está liberado. Aliás, ele está no limite das especificações técnicas.Ou seja, vamos continuar vendo atletas da elite, que não são da Nike, “camuflando” o modelo nas competições.

O Grupo de Revisão da Assistência foi presidido por Brian Roe (membro do antigo Comitê Técnico) e seus membros eram Aziz Daouda, Yukio Seki e Julio Roberto Gómez (membros do antigo Comitê Técnico), Susan Ahern (membro da antiga Comissão Jurídica), Pedro Branco (ex-membro da Comissão de Saúde e Ciência), Michael Frater (ex-membro da Comissão de Atletas) e Iñaki Gómez (membro da Comissão de Atletas).

Está sendo criado um novo grupo de revisão, com a presença também de especialistas em biomecânica, para pesquisar o impacto das novas tecnologias utilizadas nos calçados para corrida em trilha e nas spikes (sapatilhas usadas nas provas de curta distância), para que nenhuma vantagem tecnológica ameace a integridade do atletismo. Os fabricantes dos calçados também estão sendo convidados para participar desse processo. Essas alterações não valem para calçados utilizados em salto em distância e salto com vara.

Realmente, todo mundo ficou intrigado com o tênis que Eliud Kichoge usou no INEOS 1:59 Challenge. O protótipo que deu origem ao Nike Alphafly. Confira neste link: https://esportes.estadao.com.br/blogs/corrida-para-todos/pela-primeira-vez-o-homem-corre-uma-maratona-abaixo-de-2-horas/

Novos parâmetros para os calçados esportivos:
1) A sola não deve ter mais de 40 mm de espessura.
2) O calçado não deve conter mais de uma placa ou lâmina rígida incorporada (de qualquer material) que percorra todo o comprimento ou apenas parte do comprimento do sapato. A placa pode estar em mais de uma parte, mas essas partes devem estar localizadas sequencialmente em um plano (não empilhadas ou em paralelo) e não devem se sobrepor.
3) Para as spikes (sapatilhas com travas) é permitida uma placa adicional (para a mencionada acima) ou outro mecanismo, mas apenas com o objetivo de fixar as travas à sola, e a sola não deve ter mais de 30 mm de espessura.

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