Fernando Fernandes debate inclusão de pessoas com deficiência nos esportes

Fernando Fernandes debate inclusão de pessoas com deficiência nos esportes

SILVIA HERRERA

23 Novembro 2017 | 11h06

O campeão mundial de canoagem paralímpica  é o embaixador Wings for Life World Run, corrida de rua global a em prol da cura da lesão na medula espinhal. Ele se tornou atleta após perder o movimento das pernas em 2009, vítima de um acidente de carro. Confira abaixo entrevista para o blog. #inclusão #BlogCorridaParaTodos #corridaderua

Fabio Piva for Wings for Life World Run/Divulgação

Nessa quarta-feira ele realizou um bate-bapo no  Red Bull Station onde compartilhou sua história e falou  como é possível incluir pessoas com deficiência nos esportes. Desde quando decidiu se tornar atleta, ele encarou a missão de criar soluções makers para praticar esportes. “Tive que criar soluções para tudo. Não havia a possibilidade de uma pessoa com paraplegia praticar canoagem, por exemplo. Encontrei maneiras adaptadas para entrar e me acomodar dentro do caiaque, posicionar o remo etc”, conta.
Esse bate-papo integra a programação do evento gratuito Soluções Makers para Inclusão de Pessoas com Deficiência nos Esportes, uma parceria do Instituto Fernando Fernandes e do projeto MeViro, que ainda vai selecionar até dezembro 15 pessoas para participar de encontros no Red Bull Station – espaço que tem como objetivo desenvolver a colaboração e troca entre pessoas e coletivos com diferentes perfis: programadores, hackers, desenvolvedores de software e makers, com a finalidade de criar projetos para incluir pessoas com deficiência nos esportes.  Inscrições e informações detalhadas sobre a iniciativa estão em: 
Em 2009, Fernando, que era modelo e havia participado do reality show BBB2, foi vítima de um acidente de carro que o deixou paraplégico. A partir disso ele começou a treinar canoagem.

Fabio Piva for Wings for Life World Run/Divulgação

Qual foi a solução que você desenvolveu para os treinos que deu mais trabalho? Por que? Como funciona?
Fernando Fernandes – Todas as soluções e tudo que eu desenvolvo relacionado a esporte tem um grau de dificuldade alto, primeiramente por eu estar trabalhando com meio corpo (já que as pernas não funcionam mais). Então o desafio é sempre desenvolver um novo projeto do zero para um novo corpo. Segundo, pela dificuldade de readaptação: tudo que eu fazia em pé eu precisei reaprender a fazer sentado, então cada detalhe em cada criação tem um grau de dificuldade bem grande. Alguns projetos têm um risco maior, de lesão e até de morte, como saltar de paraquedas ou de cachoeiras ou mesmo surfar na pororoca.
 
Qual foi sua aventura mais maluca – a pororoca, alguma corredeira – e como desenvolveu ferramentas para poder participar dela?
Fernando Fernandes – Cada vez mais, as minhas aventuras vão ganhando um maior grau de dificuldade (risos). Mas o maior perrengue que passei com certeza foi quando saltei de cachoeiras em Extrema, Minas Gerais. A maior delas tinha 13 metros de altura, mas foi a de seis metros que me surpreendeu. Nela, eu fiquei preso numa pedra e tive que ter muito autocontrole e calma para lidar com aquela situação, em que você sente a morte por um tris. As ferramentas que eu desenvolvo são sempre necessárias para facilitar a conclusão de tarefas como essa, por exemplo. Para cada desafio ou esporte que eu faço, há uma ferramenta a ser construída de acordo com a minha necessidade. Cada um exige uma adaptação diferente. No caso da Pororoca, por exemplo, eu tive que pegar o caiaque, quebrar ele inteiro e reconstruí-lo refazendo toda a parte interna (cockpit e saia de proteção), a fim de ter mais segurança caso o caiaque virasse. Já nas corredeiras eu tive que refazer a parte interna também, me preocupando em não ficar preso, caso o caiaque virasse.
 
O que te move?
Fernando Fernandes – O que me move são os desafios e a vontade de quebrar a barreira do que as pessoas dizem ser “impossível”. Outra coisa importante que me move é a tarefa de fazer as pessoas distinguirem deficiência física de incapacidade. A deficiência é algo que algumas pessoas adquirem durante a vida (como eu) ou com a qual nascem. Já a incapacidade é algo que todas as pessoas possuem, que está intrínseco. A partir dessa reflexão pretendo mudar a vida das pessoas e conquistar respeito com o que me proponho a fazer.

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