Go Aninha, Go!

SILVIA HERRERA

02 de setembro de 2015 | 11h04

A história de uma catarinense que arrasa no asfalto, trilhas, montanhas e na biologia molecular.

Ana Gorini - crédito ZDL/Divulgação

Ana Gorini – crédito ZDL/Divulgação

Com um 1,70m de muita raça, Ana Gorini começou a correr como quase todo mundo, para vencer a batalha contra a balança. “Estava fazendo intercâmbio nos Estados Unidos e engordei muito, quase chegando aos 80kg, hoje peso 54kg”, lembra Aninha, como é conhecida entre os corredores de Porto Alegre, onde mora.  No último domingo ela sagrou-se campeã na sua faixa etária na etapa de Porto Alegre do Brazil Run Series/Circuito de Corridas CAIXA. E no dia 6 de setembro embarca para Nova York, onde vai permanecer um ano pesquisando genes virais da dengue e influenza (gripe A).

Incentivada pela “irmã” americana  começou a correr. Ela anotou na agenda a primeira vez que colocou um tênis de corrida nos pés: 1º de maro de 1993. “No começo foi muito duro, odiava, corria 2 minutos e quase morria”.  Voltou ao Brasil para terminar o ensino médio e entrou no atletismo na escola. E não é que começou a se destacar nas corridas de ruas. “Tinha 17 anos e naquela época quase ninguém corria dentro da minha faixa etária e comecei a pegar pódio direto, não tinha concorrência”, conta na maior humildade.

Voltou aos EUA para estudar e fez sua primeira meia maratona  (21k) em Montana, hoje sua distância preferida.  De volta a Porto Alegre em 1999 foi treinar com amigos que faria a maratona da cidade e acabou dando uma volta na frente deles. “Eu fui, fui, fui embora, dei meia volta na frente deles”, diz. Os amigos a inscreveram na primeira maratona e, não deu outra, primeiro lugar na faixa etária e  o primeiro prêmio em dinheiro: R$ 500,00. No ano seguinte repetiu a dose já pensando no prêmio. “Estava saindo da casa dos meus pais e não tinha dinheiro pra nada, fui lá, venci e com o dinheiro do prêmio comprei a geladeira”.

Dois anos depois seu pai a convidou para ir com ele para Paris. Lógico que ela aceitou e acabou correndo a maratona de Paris. Adivinhem o que aconteceu com a canela fina de olhos azuis? Sim, ela mandou bem. Fez os 42k em 03:09,  chegou em 54º no feminino e a primeira da América do Sul. “Na chegada tinha um batalhão de jornalistas me esperando, naquela época ninguém dava bola pra corrida no Brasil”. Em seguida, mas uma vez ela foi morar e estudar nos EUA, voltou em 2006. “Sai pra correr e vi umas 600 pessoas nas ruas, achei até que era prova, era nada. Era o boom da corrida de rua”.

Resolveu pegar sério e contratou um treinador. Isso durou um ano. “Fiquei focada demais nas planilhas e  correr deixo de ser um prazer. Resolvi começar a correr por conta. Acordo cedo, rodo  três vezes por semana e completo com funcional, duas vezes por semana”, explica. Mas o segredo pode estar na alimentação. Ela adora doces em calda e chocolate.

Com Mestrado e Doutorado em Biologia Celular e Molecular, Ana Gorini dá aulas de graduação e pós-graduação na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Sua rotina de 40 horas semanais incluem atividades de ensino, pesquisa e extensão, orientação a alunos, desenvolvimento e avaliação de projetos, a coordenação do Núcleo de Inovação Tecnológica em Saúde e a participação em simpósios e cursos. Em setembro, ela começa sua nova pesquisas nos EUA.

E se depender da estrela e do empenho da nossa deusa Atalanta, ela vai se destacar e muito em Nova York. Aqui a cientista quase nunca se inscreve para nada, os amigos a convidam e ela fica sabendo na véspera  -via whatsapp – onde vai correr. Imaginem lá em Nova York que há corridas de segunda a segunda!

Boa sorte Ana Gorini!!! Bons treinos galera!! #corridaparatodos

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